As ruÃnas submersas na barragem de Dicle, na Turquia, voltaram a chamar a atenção por mostrarem como a construção de grandes reservatórios pode esconder, durante décadas, vestÃgios de povoações, locais religiosos e estruturas ligadas a várias civilizações.
O caso, de acordo com a Meteored, aconteceu no distrito de EÄŸil, na provÃncia turca de Diyarbakır, onde o lago da barragem de Dicle guarda debaixo de água ruÃnas de estruturas históricas com cerca de 2.400 anos, segundo a agência de notÃcias turca Anadolu Agency, que citou o professor İrfan Yıldız, da Universidade de Dicle, no dia 17 de março deste ano.
RuÃnas preservadas debaixo de água
Esta zona, denominada pela fonte portuguesa como a “Nova Atlântida”, voltou a ganhar destaque depois de equipas de Busca e Salvamento Subaquático da Gendarmaria local terem registado imagens de estruturas submersas durante mergulhos de treino no lago da barragem. Entre os elementos identificados estão túmulos escavados na rocha, uma mesquita, uma madrasa, um antigo banho e áreas de cemitério.
A barragem começou a ser construÃda em 1986 e ficou concluÃda em 1997, ano em que o reservatório começou a encher. Desde então, vários povoados e monumentos que existiam junto ao rio Tigre ficaram cobertos pela água.
Episódio que fez as ruÃnas reaparecer
Em 2018, uma das comportas da barragem de Dicle partiu-se após fortes chuvas, levando à descarga de cerca de 270 milhões de metros cúbicos de água. O nÃvel do lago desceu aproximadamente 10 metros e revelou restos da antiga localidade de Çarıkören, incluindo casas, uma mesquita, uma madrasa, sepulturas e o antigo local associado ao túmulo do profeta Elyesa, antes de ser transferido.
Foi nesse contexto que surgiu a referência às 78 habitações. Segundo a Anadolu Agency, o número foi referido por Abdurrahman Kılıç, antigo morador da zona, que contou que o povoado tinha 78 casas antes de ficar submerso.
Uma região marcada por várias civilizações
EÄŸil fica a cerca de 50 quilómetros de Diyarbakır e é apresentada pelas autoridades locais como uma região marcada por diferentes povos e impérios, incluindo assÃrios, romanos, bizantinos, seljúcidas e otomanos.
A página oficial do distrito também identifica EÄŸil como uma antiga zona de povoamento, com castelo, grutas antigas e vestÃgios associados a várias fases históricas. Entre as civilizações referidas estão urartianos, medos, persas, romanos, bizantinos e otomanos.
O que ainda falta confirmar
Apesar do entusiasmo em torno da descoberta, as fontes oficiais consultadas falam sobretudo em estruturas históricas submersas e antigos núcleos habitacionais, não numa cidade antiga inteira recentemente descoberta e estudada de forma completa.
O professor İrfan Yıldız defendeu, em declarações à Anadolu Agency, que estas estruturas mantiveram a sua integridade durante décadas debaixo de água e que o local pode ser alvo de estudos de arqueologia subaquática.
Um património entre a água e a erosão
A descida do nÃvel da água permitiu observar vestÃgios que normalmente permanecem escondidos, mas também levanta preocupações. Sempre que estas estruturas ficam expostas, passam a estar mais vulneráveis à erosão, à deslocação de sedimentos e à s alterações do nÃvel do reservatório.
Leia também: Reformados são chamados de volta ao trabalho para evitar o caos neste paÃs da Europa
















