O idoso de 92 anos, do norte do país, sofreu queimaduras de terceiro grau em 25 por cento do corpo. Os hospitais de São João e Coimbra não tinham vaga. Em hospitais especializados somente havia no hospital São José em Lisboa. Com a auto-estrada cortada em Coimbra, pelas tempestades no período de Carnaval, não era possível ser transportado por ambulância num tempo que não pusesse em risco a sua vida. O helicóptero do INEM estacionado no hospital Pedro Hispano em Matosinhos, transportou-o. Uma hora depois, já no ‘São José’, foi de imediato intervencionado. Mesmo assim, o estado era muito precário. Uma equipa de cirurgiões dirigiu-se ao hospital na segunda-feira de Carnaval. Fez o que pode.
Duas ou três semanas depois, a gravidade dos ferimentos faziam perceber aos familiares que era muito imprevisível a sobrevivência.
Contudo, não obstante as poucas perspectivas de recuperação, os familiares percepcionaram que os profissionais não iam desistir.

Jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional (ANIR)
Não obstante as poucas perspectivas de recuperação, os profissionais não desistiram
Neste período, curto, mas muito longo, os familiares diariamente assistiam ao apagar da vida do estimado pai, avô e bisavô. Viam o seu sofrimento e com ele sofriam.
Contudo, eram testemunhas de algo que muito os animou: o tratamento atencioso, carinhoso de enfermeiros e auxiliares. Percebiam o quanto esse cuidado lhe dava forças. Esperança.
Volvidos três escassos meses, os sofredores familiares tiveram uma surpreendente notícia: o idoso estava fora de perigo! Os profissionais do hospital diziam-se surpreendidos!
Uma certeza retiraram da dolorosa experiência: os profissionais não desistem mesmo perante uma vida de difícil sobrevivência! Nos nossos hospitais salvam-se vidas!
Bons exemplos que têm de ser conhecidos. Para diminuir aqueles que, sem conhecimento, tão mal dizem dos bons profissionais (hospitais…) que felizmente temos!
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