Um novo esquema no MB Way está a preocupar autoridades e bancos em Portugal. A vítima recebe dinheiro de um contacto desconhecido e, pouco depois, é abordada por outra pessoa que diz que a transferência foi feita “por engano” e pede a devolução imediata do valor.
À primeira vista, o pedido pode parecer normal. Alguém terá enviado dinheiro para o número errado e quer apenas recuperar o montante. No entanto, segundo os alertas divulgados, este procedimento pode esconder um esquema de branqueamento de capitais.
O problema está no percurso do dinheiro. Em alguns casos, o número que envia a transferência não é o mesmo que pede a devolução. Ao aceitar reenviar o valor para outro contacto, a vítima pode estar a ajudar, sem saber, a circular fundos de origem suspeita.
Valores entre 150 e 200 euros
De acordo com os relatos citados pelo portal ZAP, os valores envolvidos costumam rondar os 150, 180 ou 200 euros. Depois da transferência, chega uma mensagem, muitas vezes por WhatsApp, com frases como: “Enganei-me na transferência, pode devolver?”
A abordagem pode surgir com tom urgente ou emocional, levando a pessoa a agir rapidamente, sem confirmar a origem do dinheiro nem contactar o banco.
É precisamente essa pressa que os criminosos tentam explorar. Quanto mais depressa a vítima devolver o dinheiro, menor a probabilidade de perceber que pode estar a ser usada como intermediária.
PJ já investigava queixas
A Polícia Judiciária já estava a investigar queixas relacionadas com este tipo de esquema no início de abril. Mais tarde, a PSP reforçou o aviso e apelou aos cidadãos para não responderem a contactos suspeitos.
Segundo as autoridades, este método pode usar contas de pessoas comuns para dificultar o rastreio do dinheiro. A vítima não é o alvo tradicional de uma burla em que perde dinheiro diretamente, mas pode acabar envolvida na movimentação de valores associados a atividade criminosa.
Por isso, devolver o dinheiro sem confirmar a situação pode criar problemas. Mesmo que a pessoa esteja convencida de que está apenas a corrigir um engano, pode estar a participar num circuito ilegal.
Banco também deixa alerta
O ActivoBank já enviou um aviso aos clientes sobre este esquema, referindo que tem sido eficaz. A recomendação é clara: não devolver o dinheiro de imediato.
O banco aconselha os clientes a contactar primeiro o apoio ao cliente, guardar todos os comprovativos e preservar mensagens, capturas de ecrã e registos das conversas.
Estas provas podem ser importantes caso seja necessário apresentar queixa ou esclarecer a origem da transferência.
O que deve fazer se receber dinheiro por engano?
Se receber uma transferência inesperada por MB Way de alguém que não conhece, não deve enviar o valor para outro número apenas porque lhe pedem.
O primeiro passo deve ser contactar o banco ou o apoio do serviço usado na transferência. Deve explicar a situação e seguir as indicações oficiais.
Também deve guardar o comprovativo da transferência recebida, o número de telefone associado, mensagens trocadas e qualquer pedido de devolução feito por chamada, SMS ou WhatsApp.
Não ceda à pressão
Os criminosos podem tentar pressionar a vítima, dizendo que precisam do dinheiro com urgência ou que houve um erro inocente. Ainda assim, a recomendação é não agir por impulso.
Se a transferência tiver sido realmente feita por engano, a situação deve ser resolvida pelos canais próprios e não através de uma devolução informal para outro contacto.
Em caso de suspeita, deve apresentar queixa numa esquadra ou contactar as autoridades, entregando todos os dados disponíveis.
A regra principal é confirmar antes de devolver
O MB Way continua a ser uma ferramenta prática e segura quando usada com cuidado, mas os esquemas associados a transferências e contactos inesperados têm aumentado.
A regra mais importante é simples: se recebeu dinheiro de um desconhecido e lhe pedem para devolver, pare antes de agir. Contacte o banco, confirme a situação e nunca envie o montante para um número diferente sem validação oficial.
Neste novo esquema, a vítima pode não perder dinheiro no imediato, mas pode acabar envolvida num problema muito mais grave.
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