A Península Ibérica prepara-se para um fenómeno astronómico raro que vai colocar a região sob atenção internacional entre 2026 e 2028. Em apenas três anos, ocorrerão três eclipses solares distintos, dois totais e um anular, numa sequência pouco comum à escala global. Apesar de partilhar o território peninsular, Portugal surge quase sempre fora do eixo principal destes eventos, com exceção de um momento que se destaca.
De acordo com o Ministério da Ciência, Inovação e Universidades de Espanha, entidade governamental especializada em política científica e desenvolvimento tecnológico, esta sequência representa uma oportunidade científica incomum e dificilmente repetível no curto prazo.
Segundo a mesma fonte, o que torna este fenómeno excecional não é a ocorrência de eclipses em si, mas o facto de três eventos desta natureza atravessarem a mesma região geográfica em anos consecutivos.
Um alinhamento que não se repete facilmente
Um eclipse solar total ocorre quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol, bloqueando completamente a luz solar durante um breve período. No entanto, essa totalidade apenas é visível numa faixa estreita da superfície terrestre. Fora desse corredor, o fenómeno assume-se como parcial, com menor impacto visual.
Embora eclipses solares ocorram, em média, a cada 18 meses em diferentes pontos do planeta, é raro que um mesmo território concentre vários eventos relevantes num intervalo tão curto. A probabilidade de um fenómeno destes se repetir no mesmo local em tão pouco tempo é reduzida, o que ajuda a explicar o interesse crescente da comunidade científica.
Agosto de 2026: um eclipse que passa à margem
O primeiro momento acontece a 12 de agosto de 2026 e será um eclipse solar total. O fenómeno atravessará o norte de Espanha ao final do dia, com uma faixa de totalidade a cobrir parte significativa do território, da Galiza até ao Mediterrâneo.
Em Portugal, o cenário será distinto. Apenas uma pequena área no nordeste transmontano, no Parque Natural de Montesinho, ficará dentro da faixa de totalidade e apenas por breves segundos. No resto do país, o eclipse será parcial, ainda que com níveis elevados de obscurecimento, superiores a 90% em várias regiões.
Apesar disso, a diferença entre um eclipse parcial e um total é profunda. Só durante a totalidade é possível observar a coroa solar e experimentar a súbita escuridão que transforma o dia em noite.
Agosto de 2027: relevância global, impacto limitado
Menos de um ano depois, a 2 de agosto de 2027, terá lugar um segundo eclipse total. Desta vez, a trajetória desloca-se para sul, atravessando o Estreito de Gibraltar e seguindo em direção ao norte de África e Médio Oriente.
Em território espanhol, cidades do sul entram na faixa de totalidade, mas Portugal continental fica completamente fora desse corredor. O fenómeno será visível apenas como eclipse parcial, com níveis de cobertura significativamente inferiores aos observados no ano anterior.
Ainda assim, este eclipse ganhará destaque global devido à sua longa duração em algumas regiões fora da Europa, atingindo vários minutos de totalidade.
Janeiro de 2028: o momento de maior protagonismo português
O terceiro e último evento ocorre a 26 de janeiro de 2028 e assume uma forma diferente. Trata-se de um eclipse solar anular, no qual a Lua, mais afastada da Terra, não cobre totalmente o Sol, deixando visível um anel luminoso à sua volta.
Desta vez, Portugal surge com maior visibilidade. A faixa de anularidade atravessa o território, sobretudo no interior Centro e Norte, aproximando-se de cidades como Guarda, Viseu e Coimbra. É nestas zonas que será possível observar o chamado “anel de fogo”.
Apesar de visualmente impressionante, um eclipse anular não atinge a intensidade de um total. A luz solar nunca desaparece por completo e a coroa solar não é visível, o que limita o impacto científico e visual.
Preparação científica e impacto além da astronomia
A concentração destes eventos levou Espanha a preparar uma estratégia coordenada para observação e gestão do fenómeno, envolvendo instituições científicas e infraestruturas públicas. Observatórios, centros de investigação e entidades públicas estão já a organizar operações de monitorização e logística.
Além da relevância científica, este alinhamento tem potencial impacto turístico e económico, com previsão de deslocações significativas de observadores e especialistas ao longo dos três anos.
Segundo a mesma fonte, a Península Ibérica, e em particular Espanha, torna-se um dos locais privilegiados para a observação astronómica neste período, reunindo condições climáticas, acessibilidade e infraestrutura favoráveis à observação destes fenómenos raros.
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