O preço dos alimentos essenciais voltou a aliviar ligeiramente esta semana, mas a fatura no supermercado continua pesada para muitas famílias. O cabaz alimentar analisado pela DECO PROteste baixou pela segunda semana seguida, embora continue acima dos valores registados no início do ano passado e muito acima dos preços praticados em 2022.
O cabaz composto por 63 produtos alimentares essenciais custa agora 258,83 euros, menos 1,58 euros do que na semana anterior. É a primeira vez este ano que esta cesta monitorizada pela organização de defesa do consumidor desce por duas semanas consecutivas, segundo a DECO PROteste.
Apesar desta descida recente, o mesmo conjunto de produtos continua a pesar mais no orçamento familiar do que no início do ano. Em janeiro, os consumidores gastavam menos 17 euros para comprar exatamente o mesmo cabaz, uma diferença de 7,03%, de acordo com a análise semanal da mesma associação.
Cabaz ainda custa mais do que há um ano
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a diferença também é significativa. Há um ano, os consumidores conseguiam comprar os mesmos 63 produtos por menos 20,38 euros, o que representa uma diferença de 8,55%.
A subida é ainda mais expressiva quando a comparação recua até janeiro de 2022, altura em que a DECO PROteste começou a acompanhar a evolução deste cabaz. Nessa data, era possível comprar a mesma cesta alimentar por menos 71,13 euros, uma diferença de 37,90%.
O cabaz inclui produtos de várias categorias, como carne, peixe, congelados, frutas e legumes, laticínios e mercearia. Entre os alimentos analisados estão peru, frango, carapau, pescada, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.
Pescada, fiambre e café foram os que mais subiram
Entre 13 e 20 de maio, a pescada fresca foi o produto com maior aumento percentual, ao subir 16% face à semana anterior. O preço passou para 1,65 euros, segundo os dados divulgados.
O fiambre perna extra fatiado embalado também ficou mais caro, com uma subida de 12%, passando para 2,59 euros por quilo. Já o café torrado moído aumentou 10%, fixando-se nos 0,46 euros.
Estas variações mostram que, mesmo numa semana em que o cabaz total baixou, alguns produtos continuam a registar aumentos relevantes. A descida global resulta, por isso, do comportamento combinado dos 63 bens acompanhados.
Legumes destacam-se nas subidas anuais
Quando a comparação é feita com o mesmo período do ano passado, as maiores subidas percentuais surgem em produtos hortícolas. A couve-coração aumentou 50% e custa agora 1,89 euros por quilo.
A curgete subiu 37%, para 2,25 euros por quilo, enquanto os brócolos registaram uma subida de 33%, chegando aos 3,42 euros por quilo. Estes aumentos ajudam a explicar por que razão a alimentação continua a ser uma das despesas mais sentidas pelas famílias.
Desde janeiro de 2022, os maiores agravamentos percentuais foram registados na carne de novilho para cozer, que subiu 128% para 13,26 euros por quilo, na couve-coração, que aumentou 91% para 1,89 euros por quilo, e nos ovos, que subiram 84% para 2,10 euros.
Como é feito o acompanhamento dos preços
A DECO PROteste acompanha este cabaz alimentar desde janeiro de 2022, analisando todas as semanas o custo de 63 bens considerados essenciais. A metodologia tem por base os preços recolhidos nos principais supermercados com loja online, explica a organização de defesa do consumidor.
O objetivo é perceber como evolui o custo de uma cesta alimentar representativa, permitindo comparar os preços semana a semana, com o início do ano, com o mesmo período do ano anterior e com o arranque da monitorização, na data anteriormente referida.
Mesmo com a descida desta semana, os dados mostram que o alívio ainda não compensa o aumento acumulado dos últimos anos. Ainda assim, o facto de ser a primeira vez em 2026 que o cabaz alimentar desce em duas semanas consecutivas pode ser um fator de ‘esperança’ para as famílias portuguesas. Para muitas famílias, comprar o mesmo conjunto de produtos continua hoje a exigir um esforço bastante superior ao de há quatro anos.
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