Portugal voltou a registar casos de sarampo, uma doença viral considerada rara no país devido às elevadas taxas de vacinação. Ainda assim, o aparecimento recente de novos episódios em Beja levantou alertas entre autoridades de saúde.
Os casos identificados envolvem adultos entre os 30 e os 55 anos e incluem uma pessoa vacinada com o esquema recomendado pelo Programa Nacional de Vacinação. A situação levou as autoridades locais a classificarem o cenário como um surto, segundo os critérios epidemiológicos em vigor.
Casos surgiram desde abril
De acordo com o portal Notícias ao Minuto, que cita a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), foram identificados três casos de sarampo em adultos desde o início de abril. Dois dos infetados não estavam vacinados e um tinha cumprido o esquema vacinal previsto.
Bruno Pinto Rebelo, médico da Autoridade de Saúde Local da ULSBA, explicou inclusivamente à agência de notícias Lusa que o aparecimento destes episódios encaixa na definição de surto, uma vez que houve um aumento inesperado de casos numa mesma região e num curto espaço de tempo.
Um caso vacinado não elimina proteção
Apesar de um dos infetados ter sido vacinado, as autoridades sublinham que esse cenário continua a ser considerado raro. Segundo a mesma fonte, Bruno Pinto Rebelo afirmou que o aparecimento de sarampo em pessoas vacinadas é “altamente improvável, mas possível”.
O médico acrescentou que este tipo de ocorrência não representa, por si só, motivo para alarme generalizado. Ainda assim, reforçou a importância da vigilância epidemiológica e da vacinação para evitar cadeias de transmissão mais alargadas.
O que é afinal o sarampo?
De acordo com o SNS 24, o sarampo é uma infeção viral contagiosa caracterizada por febre, tosse, corrimento nasal, conjuntivite e manchas vermelhas na pele. A doença transmite-se sobretudo através de gotículas respiratórias libertadas quando uma pessoa infetada tosse ou espirra.
O contágio pode ocorrer vários dias antes do aparecimento das manchas cutâneas e prolongar-se até quatro dias depois do início da erupção. É precisamente essa facilidade de transmissão que leva as autoridades de saúde a acompanhar de perto os casos detetados.
Sintomas podem surgir em várias fases
Os primeiros sinais da doença incluem febre e sensação de mal-estar geral. Conforme o SNS 24, podem também surgir sintomas como tosse persistente, olhos inflamados e corrimento nasal antes do aparecimento das manchas na pele.
Importa destacar que algumas pessoas desenvolvem pequenos pontos brancos no interior da boca um ou dois dias antes da erupção cutânea. As manchas costumam surgir inicialmente na face e espalhar-se depois para o tronco e membros.
Maioria recupera sem complicações
Embora o sarampo seja frequentemente descrito como uma doença benigna, podem existir complicações em alguns casos. Explica o site do SNS 24 que situações, como pneumonia ou otite, podem exigir tratamento médico específico.
A maioria dos doentes recupera apenas com tratamento dirigido aos sintomas. Os antibióticos não atuam sobre o vírus, sendo utilizados apenas caso surjam infeções secundárias associadas à doença.
Vacinação continua a ser a principal proteção
Em Portugal, a vacina contra o sarampo integra o Programa Nacional de Vacinação e é administrada gratuitamente. A vacinação é feita em duas doses e pode começar a partir dos seis meses de idade. Os dados mais recentes mostram níveis elevados de cobertura vacinal no país. A taxa de vacinação atinge os 99% na primeira dose e os 96% na segunda, números considerados elevados pelas autoridades de saúde.
O contexto europeu também tem sido acompanhado pelas autoridades nacionais. De acordo com um relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, foram diagnosticados 7.655 casos de sarampo em 30 países da União Europeia durante 2025. Portugal contabilizou 21 casos confirmados este ano, sendo que cerca de metade foram registados em março. Apesar disso, o SNS 24 considera improvável o surgimento de uma epidemia em território nacional devido à elevada proteção conferida pela vacinação.
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