A Pesquisa Google está a entrar numa nova fase, com a inteligência artificial a ganhar um papel cada vez mais central na forma como os utilizadores procuram informação. Em vez de apresentar apenas uma lista de links, a tecnológica quer que o motor de pesquisa consiga responder a perguntas mais complexas, cruzar dados e manter uma lógica de conversa.
Esta grande novidade chama-se Modo IA e já chegou a Portugal. Segundo a Google, numa publicação de outubro de 2025, esta é a sua experiência de pesquisa com inteligência artificial mais avançada, pensada para responder a questões mais longas, detalhadas e divididas em várias partes.
O que muda com o Modo IA
Na prática, o Modo IA permite fazer perguntas que antes exigiam várias pesquisas separadas. Em vez de procurar um tema por etapas, o utilizador pode colocar uma questão mais completa e receber uma resposta gerada por IA, acompanhada de links relacionados para continuar a consultar informação na Web.
A Google explica que esta experiência usa uma versão personalizada dos modelos Gemini para a Pesquisa. A ferramenta consegue dividir automaticamente uma pergunta em subtópicos e pesquisar vários aspetos ao mesmo tempo, uma técnica que a empresa descreve como uma forma de obter respostas mais completas e relevantes.
Isto significa que perguntas como “qual o melhor destino europeu para férias baratas em setembro?” ou “compara carros elétricos familiares abaixo dos 40 mil euros” podem ser feitas de forma mais natural, quase como numa conversa.
Depois da primeira resposta, o utilizador pode continuar com perguntas complementares, sem começar tudo do zero.
Pesquisa por texto, voz e imagens
Outra mudança importante está na pesquisa multimodal, de acordo com o Pplware. O Modo IA pode ser usado com texto, voz ou imagens, permitindo que o utilizador faça perguntas a partir de uma fotografia, de uma imagem captada pela câmara ou de uma questão falada.
Este tipo de pesquisa aproxima a Google de uma lógica de assistente inteligente. A empresa quer que a Pesquisa deixe de servir apenas para encontrar páginas e passe também a ajudar a interpretar informação, comparar opções, organizar ideias e responder a dúvidas com mais contexto.
A aposta foi reforçada nas novidades apresentadas pela Google para a Pesquisa, onde a empresa descreve uma experiência “reimaginada com IA”, apoiada nos modelos Gemini, em capacidades mais visuais e em respostas adaptadas a perguntas complexas.
Nem todos estão convencidos
Apesar do entusiasmo da Google, esta mudança também levanta dúvidas. Uma das principais críticas está relacionada com a possibilidade de respostas incorretas ou imprecisas, um problema comum em ferramentas de inteligência artificial generativa.
A própria empresa reconhece, nas páginas de apoio do Gemini, que a tecnologia pode nem sempre acertar e recomenda a verificação das fontes ou o recurso à Pesquisa Google para informação crítica.
Também há receios sobre o impacto desta mudança nos sites e nos produtores de conteúdo. Se os utilizadores obtiverem respostas completas diretamente na página de pesquisa, podem clicar menos nos links tradicionais, o que poderá alterar a forma como muitos órgãos de comunicação, blogues e empresas recebem visitas vindas da Google.
Nova forma de pesquisar
O Modo IA não substitui totalmente a Pesquisa tradicional, mas mostra claramente a direção que a Google quer seguir. A empresa está a transformar o seu motor de pesquisa num sistema mais conversacional, capaz de lidar com perguntas mais longas e de combinar diferentes formatos de informação.
Para os utilizadores em Portugal, a novidade já está disponível na Pesquisa Google e também na aplicação móvel, segundo a tecnológica.
A mudança promete tornar algumas pesquisas mais rápidas e completas, mas também obriga a uma atitude mais crítica perante respostas automáticas geradas por inteligência artificial.
















