A associação ambientalista Quercus manifestou preocupação com a anunciada alteração na coordenação do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, cuja gestão passará a ser assumida diretamente pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) a partir de 1 de junho.
Em comunicado, a associação afirma ter recebido a notícia com “surpresa e reserva”, sublinhando que a mudança surge “sem ter sido previamente articulada com os parceiros ibéricos, que já se mostraram ‘chocados’ com esta notícia”.
A Quercus considera estranho “o eventual e repentino afastamento do atual coordenador e de toda a equipa de técnicos especializados” que, há 16 anos, acompanham o trabalho desenvolvido no centro de Silves.
A associação destaca ainda que a equipa técnica do CNRLI tem contribuído “de forma irrepreensível para a recuperação da população de lince-ibérico em Portugal”.
Quercus quer esclarecimentos públicos sobre transição
A organização ambientalista recorda que o lince-ibérico esteve próximo da extinção e refere que atualmente existem cerca de 2.400 exemplares na Península Ibérica.
O comunicado refere também que o Grupo de Especialistas de Felinos da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) alertou para os riscos associados a esta mudança, destacando a “importância da continuidade técnica”.
A Quercus considera ainda ser “de interesse público saber a opinião de Jorge Moreira da Silva”, antigo ministro do Ambiente e apontado pela associação como o “pai” da reintrodução do lince-ibérico em Portugal.
Associação defende transparência e continuidade técnica
No comunicado, a Quercus apela à apresentação de “um plano de transição transparente e tecnicamente fundamentado”, defendendo que os atuais profissionais possam continuar integrados na estrutura do ICNF.
A associação pede ainda esclarecimentos sobre o enquadramento técnico, administrativo e orçamental da decisão, bem como informações sobre a eventual substituição da atual equipa e as medidas previstas para assegurar uma transição “técnica, legal e operacionalmente segura”.
“A conservação da natureza deve assentar numa relação de cooperação entre entidades públicas, organizações não governamentais, centros de recuperação, investigadores e sociedade civil”, sublinha a Quercus.
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