Nem sempre os principais riscos para a saúde cardiovascular estão apenas associados às gorduras. O cardiologista Dmitry Yaranov chamou a atenção para outro ingrediente que prejudica o coração presente em muitos alimentos e bebidas: o açúcar adicionado, cujo consumo excessivo está associado a um maior risco de problemas cardiovasculares.
Numa publicação no Instagram, o médico afirmou que o açúcar pode ter um impacto no coração maior do que muitas pessoas imaginam. “Como cardiologista, vejo doenças cardíacas causadas não apenas pelo colesterol”, escreveu, antes de alertar para a presença deste ingrediente em bebidas, molhos e vários produtos processados.
Açúcar em excesso está associado a maior risco cardiovascular
Yaranov descreveu o açúcar como um ingrediente que «destrói silenciosamente o coração» e chamou a atenção sobretudo para os açúcares adicionados. O problema não está apenas nos doces mais evidentes: refrigerantes, algumas bebidas, molhos, cereais e outros produtos podem contribuir para aumentar o consumo diário.
O cardiologista citou um estudo publicado em 2014 no JAMA Internal Medicine, que analisou a relação entre o consumo de açúcar adicionado e a mortalidade por doença cardiovascular nos Estados Unidos. Os investigadores concluíram que as pessoas cuja alimentação fornecia pelo menos 25% das calorias através de açúcares adicionados apresentavam um risco de morte cardiovascular significativamente superior ao observado entre quem obtinha menos de 10% das calorias a partir desse tipo de açúcar.
“Isto alimenta a inflamação, aumenta a pressão arterial, piora o colesterol e desregula o controlo da glicose, algo que pode afetar o coração e o pâncreas”, afirmou Dmitry Yaranov.
Quanto açúcar é considerado demasiado?
As recomendações referem-se sobretudo aos chamados açúcares livres, categoria que inclui os açúcares adicionados aos alimentos e bebidas, mas também os presentes no mel, xaropes e sumos de fruta. Não devem ser confundidos com os açúcares naturalmente presentes em alimentos inteiros, como fruta, legumes ou leite.
O Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) recomenda que adultos e jovens a partir dos 11 anos não ultrapassem cerca de 30 gramas de açúcares livres por dia, o equivalente aproximadamente a sete cubos de açúcar. Uma única lata de refrigerante pode ultrapassar este limite diário.
A Organização Mundial da Saúde recomenda, por sua vez, que os açúcares livres representem menos de 10% da energia consumida diariamente, apontando benefícios adicionais quando a ingestão é reduzida para 5% ou menos.
Como reduzir o consumo no dia a dia
Uma das formas mais simples de diminuir a ingestão passa por verificar os rótulos e reduzir produtos com grandes quantidades de açúcar adicionado, sobretudo refrigerantes, bebidas açucaradas, doces e alimentos muito processados. Optar por alimentos menos processados e privilegiar fruta inteira em vez de bebidas à base de fruta também ajuda a controlar a quantidade de açúcares livres consumida.
O NHS recomenda ainda comparar os valores nutricionais entre produtos e escolher, sempre que possível, versões com menos açúcar. Nos rótulos britânicos, por exemplo, um alimento com 22,5 gramas ou mais de açúcar total por cada 100 gramas é considerado rico em açúcar, enquanto até cinco gramas por 100 gramas corresponde a um teor baixo.
Quanto aos adoçantes sem açúcar, a Organização Mundial da Saúde não recomenda a sua utilização como estratégia de longo prazo para controlar o peso. A entidade sublinha, porém, que esta orientação não significa que todos os adoçantes aprovados sejam, por si só, “tão ou mais prejudiciais” do que o açúcar; uma conclusão que a evidência disponível não permite fazer dessa forma.
A mensagem central deixada pelo cardiologista passa, assim, pela quantidade. O açúcar não precisa de ser completamente eliminado da alimentação, mas o consumo frequente de grandes quantidades de açúcares adicionados é um dos fatores alimentares que importa controlar quando o objetivo é reduzir o risco cardiovascular.
Leia também: Consumo de cafeína pode atenuar perdas de memória associadas à obesidade no cérebro















