Skip to content
Postal

Postal

Informação, Opinião e Conteúdos Especiais

Menu
  • Últimas
  • Papel
    • Cultura.Sul
    • Caderno Alcoutim
  • Secções
    • Algarve
    • Nacional
      • Tempo
    • Europa
    • Mundo
    • Europe Direct Algarve
    • Economia
    • Saúde
    • Vida & Lazer
      • Astrologia
      • Animais
      • Gastronomia
    • Utilitários
    • Auto
    • Tech
    • Cultura
      • Ensino
      • Ciência
    • Desporto
    • Política
    • Opinião
    • Video
    • Pub
      • Patrocinado
  • Projetos
    • Postal Studio
    • Branded Content
    • Postal AI
  • ANUNCIAR
  • Sobre nós
    • Contactos e ficha técnica do Postal
    • Política de Privacidade
Menu
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia desde 2019. Crédito: Lusa
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia desde 2019. Crédito: Lusa
Europa, Europe Direct Algarve, Opinião, Política

O Discurso — que todos deveriam ler — da presidente Ursula von der Leyen sobre o Estado da União

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, discursou durante o debate sobre o «Estado da União» no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a 16 de setembro de 2026

14:59 20 Setembro, 2026 15:03 20 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire
Definir como fonte de informação preferida
Share this...
  • Facebook
  • Messenger
  • Whatsapp
  • Twitter
  • Telegram
  • Email
  • Threads
  • Linkedin
  • Pinterest

Presidente Roberta Metsola,

Primeiro-Ministro Mark Carney,

Senhoras e Senhores Deputados,

Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos. Foi com estas palavras que Charles Dickens descreveu como era a Europa no tempo da Revolução Francesa. São palavras que poderiam igualmente descrever o mundo em que vivemos hoje em dia. A velocidade a que as mudanças ocorrem é vertiginosa. Os desafios têm um caráter absolutamente excecional. Olhando para a Europa neste preciso momento, poderia afirmar o seguinte: o estado da União é mais sólido do que nunca; o estado da União também parece ser mais precário do que nunca.

Embora estas duas afirmações pareçam incompatíveis, ambas são verdadeiras. E refletem os tempos excecionais em que vivemos. A complexidade da época atual, que proporciona inúmeras possibilidades mas gera igualmente riscos enormes, a que todos os países tentam adaptar-se.

No mundo atual, a Europa optou por traçar o seu próprio rumo. Uma Europa mais forte e independente está agora a emergir.

Uma Europa que assegura a sua prosperidade futura. Uma Europa que se liberta da dependência tóxica dos combustíveis fósseis da Rússia. Que se tornou a maior potência comercial do planeta. Que procura transformar a sua política industrial, preservando o seu modelo social único.

Esta é uma Europa que possui mais capacidade para se defender do que nunca. Uma Europa que reformulou radicalmente a sua abordagem para proteger os países que a compõem. Uma Europa que, só nos últimos cinco anos, aumentou em quase 80 % as despesas com a defesa.

Esta é uma Europa em que procuramos defender-nos uns aos outros. Como fizemos quando decidimos ajudar a Ucrânia a combater pelo seu futuro e pela nossa liberdade. Ou quando nos pusemos ao lado da Gronelândia quando esta se viu ameaçada. Ou sempre que as nossas democracias foram alvo de drones, de ataques híbridos ou de desinformação.

Tudo isto demonstra uma realidade: os cidadãos europeus sabem que podem contar com a Europa. No mundo frágil e frio em que hoje vivemos, só a Europa pode proporcionar verdadeira soberania aos cidadãos europeus.

Por este motivo, Senhoras e Senhores Deputados, temos todos os motivos para nos orgulharmos desta Europa.

Ao mesmo tempo, todos estamos plenamente conscientes das ameaças que se perfilam. Numa altura em que as nossas alianças e aquilo que dávamos por adquirido ameaçam ruir, confrontamo-nos com um mundo que nos é claramente hostil. Tem vindo a ser travada no nosso continente uma guerra de agressão territorial. Outros conflitos acabam de eclodir muito perto de nós. A competição pelas capacidades industriais tem moldado a concorrência mundial. E uma «guerra de narrativas» procura enfraquecer a confiança na Europa, para paralisar as nossas democracias.

As preocupações das pessoas comuns não se restringem, todavia, a estas grandes ameaças globais. Estas múltiplas crises refletem-se no dia-a-dia de muitas famílias europeias, nomeadamente devido ao agravamento do custo de vida ou da habitação. A velocidade vertiginosa da mudança e da tecnologia tem afetado os nossos empregos, os meios de subsistência e a sociedade em geral. Tem também profundas consequências sobre a democracia e o discurso vigente.

Podemos comprová-lo com a ascensão dos extremos, o declínio da moderação, e até a própria forma como nos relacionamos uns com os outros.

As preocupações reais das pessoas têm sido usadas como arma para semear a discórdia. Algumas vezes, a partir do exterior e outras — demasiadas — a partir do interior. Mas o rumo que definimos é claro: construir uma Europa independente e que tenha capacidade para intervir. Nada nos desviará desse objetivo, uma vez que o destino da Europa deve permanecer nas mãos dos próprios europeus.

Por isso, a nossa escolha é óbvia. Queremos uma Europa forte e independente que saiba defender os seus valores no mundo atual? Ou vamos deixar que a discórdia e as nossas dependências nos entravem? Queremos unir-nos em torno da ideia europeia de que, juntos, podemos decidir o nosso destino? Ou vamos deixar as nossas democracias ser minadas por agentes interpostos ou por fantoches de regimes autoritários?

Não importa se se trata de ultranacionalistas ou de antieuropeus, de interferência ou de desinformação por parte da Rússia, os nomes podem ser diferentes, mas o seu objetivo é o mesmo. Desprezam os nossos valores e querem destruir a unidade europeia. Lutemos, pois, não só contra eles, mas lutemos juntos pelos nossos ideais europeus.

Senhoras e Senhores Deputados,

A economia europeia resistiu melhor do que o esperado ao impacto das guerras no Médio Oriente. O desemprego está praticamente ao nível mais baixo de sempre. Mas as pressões causadas pelo aumento dos preços da energia e das taxas de juro começam, contudo, a afetar as pessoas e as empresas.

Importa fazer escolhas claras para garantir a sustentabilidade orçamental, protegendo simultaneamente o investimento. Por esse motivo, a nossa principal prioridade atualmente é relançar a economia europeia.

Dispomos de um mercado enorme, de uma indústria e de serviços de craveira mundial, de um elevado nível de poupança, e de uma das principais divisas mundiais. No entanto, o nosso capital, as nossas redes e o nosso poder de compra permanecem fragmentados.

Foi por esse motivo que, quando tomámos posse, decidimos adotar um plano arrojado: construir uma economia em que a inovação e a energia possam fluir facilmente através das fronteiras. Onde as empresas possam competir e ganhar escala em toda a Europa, e as nossas poupanças financiem o nosso futuro. É esta a lógica subjacente aos relatórios Letta e Draghi. Juntos, temos vindo a obter resultados neste domínio. Mas todas as instituições interessadas terão de ser mais rápidas.

Já foi possível chegar a um acordo político quanto ao roteiro «Uma Europa, um Mercado». E juntos, até ao final do próximo ano, podemos e devemos concluir esta revisão histórica do mercado único.

Na economia atual, a velocidade constitui um aspeto crucial. Uma licença ou um formulário, uma ligação à rede ou uma decisão de financiamento. Tudo isto pode determinar a localização de um investimento. O local onde se criarão os novos postos de trabalho. Precisamos de avançar muito mais rapidamente. É por isso que vamos apresentar propostas para acelerar ainda mais os licenciamentos.

Quando os projetos sejam do interesse estratégico da Europa, devem ser acelerados significativamente. Quando os encargos administrativos constituam um obstáculo para as empresas e as PME, devemos reduzi-los imediatamente.

Sabiam que as nossas 12 propostas omnibus permitiram reduzir os encargos administrativos em cerca de 17 mil milhões de euros anuais? A simplificação não deve, contudo, ser uma via de sentido único. Todos os níveis envolvidos devem assumir as suas responsabilidades. Há muito que se discutem os malefícios da sobrerregulação.

Senhoras e Senhores Deputados,

Sim, é verdade que temos dado o nosso melhor a nível europeu para reduzir a burocracia. Mas parece que já é altura de os Estados-Membros fazerem o mesmo. Se estamos verdadeiramente interessados em simplificar, devemos celebrar um pacto contra a sobrerregulação.

Senhoras e Senhores Deputados,

A Europa não poderá continuar a ser uma potência industrial se os preços da energia permanecerem estruturalmente demasiado elevados.

Quando a Rússia nos cortou o abastecimento de gás, soubemos responder à altura. O nosso aprovisionamento é agora muito mais diversificado. Investimos em energias limpas de produção autóctone — tanto renováveis como energia nuclear.

Entretanto, deu-se o encerramento do Estreito de Ormuz. E, mais uma vez, sentimos na pele o custo de dependermos tanto dos combustíveis fósseis importados. Desde o início do conflito, os combustíveis fósseis que importámos tiveram para nós um custo acrescido de 90 mil milhões de euros, sem que tenha sido adicionada uma única molécula de energia.

Por isso, importa redobrar os esforços quanto às energias limpas de produção autóctone e a preços acessíveis. Quer se trate de energias renováveis ou de energia nuclear, de biometano ou de outros combustíveis desse tipo. Tecnologicamente neutros, mas que deverão garantir a nossa independência e reduzir os preços da energia.

Para garantir essa independência, temos de eletrificar a Europa. O objetivo é duplicar a quota da eletricidade até 2040. Desta forma, poderemos reduzir os custos com a importação de combustíveis fósseis em 260 mil milhões de euros anuais. Importa, além disso, garantir que a eletricidade produzida fica disponível.

No ano passado, instalámos mais de 80 gigawatts de capacidade de energias renováveis. Mas o sêxtuplo dessa capacidade ainda não se encontra ligada à rede. É por essa razão que precisamos com urgência de aprovar o pacote relativo às redes europeias.

Temos de investir mais rapidamente. Acelerar as ligações à rede. Desenvolver o armazenamento. Em suma, o futuro da Europa tem de ser elétrico. Tem de ser assim.

Senhoras e Senhores Deputados,

Podemos fazer baixar os preços da energia, investir e inovar mais ou reformar as nossas economias, mas tudo isto será em vão se as nossas empresas não puderem competir em condições equitativas.

O nosso défice comercial com a China é atualmente de mil milhões de euros por dia. Foi atingido um ponto de inflexão. Há quem diga que pode estar iminente um segundo choque proveniente da China. Mas esse choque, na realidade, já nos atingiu. Manifesta-se tanto nas comunidades como nas fábricas de toda a União. Provoca a desindustrialização das regiões industrializadas da Europa. Esta situação é insustentável.

É por isso que estamos empenhados em manter o diálogo com a China para reequilibrar o comércio bilateral. Mas esse diálogo tem de produzir resultados. A procura interna mais fraca da China significa que esta também precisa do mercado europeu. É, portanto, do interesse de ambas as partes trabalharmos em conjunto para encontrarmos soluções.

Gostaria que isto ficasse muito claro: iremos utilizar todos os instrumentos ao nosso dispor para reequilibrar as nossas relações. Embora as palavras sejam bem-vindas, os atos são ainda mais importantes.

E há ainda uma outra questão: mantemos ainda demasiadas dependências perigosas. Dependemos em mais de 80 % da China para obter muitas das matérias-primas críticas de que carecemos. Em 90 % no caso de algumas terras raras. Já muito foi feito. Mas não somos os únicos a procurar diversificar. Temos urgentemente de adquirir e de construir as nossas reservas.

Nenhum país poderá fazê-lo sozinho, pelo que devemos pensar de forma inovadora. Foi por esse motivo que decidimos criar uma nova Corporação Europeia das Matérias-Primas Críticas, que nos ajudará a obter e a armazenar aquilo de que precisamos. Para os automóveis elétricos, os circuitos integrados, as baterias, as tecnologias limpas e a defesa. E muito mais…

Não é só a nossa indústria que depende desses recursos, é também a nossa independência e a nossa segurança.

Isto leva-me ao meu próximo tópico, que se refere ao financiamento. Sejamos claros: o orçamento diz respeito ao nosso futuro. E um orçamento moderno requer novos recursos próprios.

Importa criar as condições necessárias para que as nossas empresas possam atrair investimento e desenvolver-se. É por isso que assumem tanta importância os esforços já envidados quanto à União da Poupança e dos Investimentos. O desenvolvimento dos mercados de capitais, contudo, requer tempo. E as necessidades das nossas empresas são urgentes. Precisamos de um sistema bancário que seja construído com vista a assegurar o crescimento e não apenas a estabilidade.

É por esta razão que vamos apresentar um novo pacote bancário, centrado na simplificação e no combate à fragmentação. Sabemos que existe procura de capital. Mas precisamos de ter maior capacidade e propensão para o risco.

As nossas empresas emergentes de tecnologia profunda estão no bom caminho para atrair um investimento recorde de capital de risco em 2026. Foi por isso que, no ano passado, anunciei um novo Fundo Europeu para Empresas em Fase de Expansão.

Passado um ano, já foram concretizados os primeiros investimentos, em companhias como a ICEYE, criada por dois jovens europeus: o Rafał, de nacionalidade polaca, e o Pekka, finlandês. Conheceram-se através do programa Erasmus, há cerca de 15 anos. Juntos, fundaram uma empresa tecnológica em fase de arranque. Desenvolveram a sua ideia sobre imagens de satélite. Obtiveram financiamento do programa Horizonte. Demonstraram o valor da sua tecnologia. Cresceram com investimento privado. Hoje, a ICEYE é uma das empresas líderes mundiais em tecnologia espacial. Tem escritórios na Finlândia, na Polónia, na Espanha e na Grécia.

A sua história demonstra que a Europa sabe acolher a inovação. E que é possível reacender o espírito empresarial europeu.

Fico muito feliz por os fundadores da ICEYE estarem hoje aqui presentes. Por favor, juntem-se a mim nas boas-vindas ao Rafał e ao Pekka. Vocês são uma verdadeira história de sucesso europeia.

Senhoras e Senhores Deputados,

Estes são os fundamentos económicos da Europa. Mas a nossa prosperidade e segurança futuras irão depender, em grande medida, da forma como gerirmos os dois grandes pontos de inflexão da atualidade: as alterações climáticas e a inteligência artificial.

No que se refere às alterações climáticas, este foi o verão das evidências: praticamente nenhuma região do continente foi poupada. Na região dos Altos Fagnes, na Bélgica, uma turfeira formada ao longo de séculos ficou reduzida a um monte de cinzas.

Houve incêndios desde as montanhas da Irlanda às ilhas da Grécia ou da Croácia. Nos Alpes, os glaciares continuam a recuar todos os dias. O impacto de tudo isto é absolutamente devastador: 660 000 hectares reduzidos a cinzas. Cerca de 12 milhões de toneladas de culturas perdidas.

Rios caudalosos como o Danúbio, o Reno ou o Garona, em vias de desaparecer diante dos nossos olhos.

Mais de 35 000 óbitos adicionais em resultado das ondas de calor. Os lares de acolhimento e os hospitais sob temperaturas de risco. E tudo isto é apenas um prenúncio.

Estes foram os meses de verão mais quentes de sempre mas — muito provavelmente — os mais frescos dos próximos anos.

A ciência mostra-o de forma clara: a Europa está a aquecer ao dobro do ritmo global. É evidente que a transição é complexa. Teremos de nos adaptar e de aprender ao longo de todo o processo.

Mas não tenhamos dúvidas: a Europa pode, deve e irá manter o rumo traçado pelos seus objetivos climáticos.

Senhoras e Senhores Deputados,

Não se trata de escolher entre a atenuação das alterações climáticas ou a adaptação às mesmas. Ambas são necessárias. E ambas deverão fortalecer-se reciprocamente. É essa a única forma de garantir a resiliência às alterações climáticas. Importa, contudo, reforçar drasticamente a nossa preparação.

No próximo mês, iremos apresentar um novo quadro para a resiliência às alterações climáticas. Vamos identificar os 100 territórios mais vulneráveis da Europa, avaliando os riscos e a que nível os mesmos deverão ser acautelados.

Dar-nos-á uma abordagem de toda a sociedade, até ao nível local, onde a adaptação é mais importante. O objetivo é tornar a Europa líder em tecnologias de adaptação às alterações climáticas: um importante mercado emergente.

Quer se trate de criar culturas resistentes à seca, de prevenir inundações ou de refrigeração energeticamente eficiente, a Europa já lidera. Importa agora capturar este mercado.

Atualmente, só cerca de 25 % das perdas catastróficas ocorridas na Europa estão cobertas por seguros privados. Isto significa que, muitas vezes, os orçamentos nacionais são chamados a funcionar como uma seguradora de último recurso.

Temos de adotar medidas para colmatar esta lacuna. É por isso que a Comissão pretende criar uma Aliança de Seguros contra as Alterações Climáticas.

Senhoras e Senhores Deputados,

O que se passou neste verão não pode voltar a acontecer. É por isso que vamos apresentar igualmente em breve um Plano Europeu de Preparação contra as Ondas de Calor. Precisamos de criar melhores sistemas de alerta precoce e de dispor de melhor preparação em matéria de saúde. Precisamos de mais adaptação e arrefecimento urbano. E temos de apoiar as pessoas mais vulneráveis.

O segundo tópico diz respeito à água e à segurança alimentar.

Temos consciência dos riscos da escassez de água para os nossos agricultores, para a energia e para as cadeias de abastecimento. No entanto, as canalizações na Europa perdem quase um em cada quatro litros, principalmente por causa das fugas. Que desperdício! Iremos, por conseguinte, apresentar uma nova Iniciativa Europeia da Água. Porque a água é preciosa. Tanto para a indústria como para a segurança alimentar.

As culturas precisam de água para crescer, enquanto o gado precisa dela para sobreviver. Colheitas inteiras dependem da disponibilidade de água. É por essa razão que vamos apresentar propostas para reforçar a gestão dos riscos e colmatar as lacunas em termos de seguros.

Mais uma vez, os agricultores europeus souberam estar à altura dos desafios suscitados por este verão interminável.

Senhoras e Senhores Deputados,

Os agricultores europeus são os melhores do mundo. E iremos apoiá-los ao longo de todo o processo.

O próximo tópico diz respeito aos incêndios florestais, que se estão a tornar cada vez mais intensos, mais frequentes e mais disseminados.

Tenho orgulho na resposta dada pela Europa a este flagelo. Tenho orgulho nos meios europeus de combate a incêndios, que sobrevoaram todo o continente. Mas não há dúvida de que teremos de encarar o problema a uma escala maior e de que teremos de aprender mais rapidamente.

Foi por isso que decidimos solicitar a alguns dos bombeiros e socorristas mais experientes da Europa que liderassem esses esforços. Irão analisar todos os aspetos da preparação e da prevenção. Desde a coordenação civil-militar às necessidades de novas capacidades. Pedi-lhes que apresentassem propostas, incluindo para a criação de uma futura Frota Europeia de Combate a Incêndios.

Só este ano as nossas equipas de emergência permitiram salvar inúmeras vidas humanas e habitações. E há uma história que gostava de vos referir. É a história de um piloto dinamarquês chamado Rune Kyndal.

A sua paixão pela aviação levou-o a viajar por todo o mundo. Estabeleceu-se numa pequena cidade canadiana chamada Terrace. Tornou-se num dos pilotos civis mais experientes do país. Decidiu pôr o seu talento ao serviço de objetivos mais nobres. Por isso, regressou à Europa para ajudar a combater os incêndios florestais em todo o continente.

Em julho, efetuou uma série de missões bem-sucedidas por toda a Grécia. Era suposto desfrutar de uma pausa bem merecida. Mas a emergência não dava tréguas. E, por isso, decidiu ficar.

Poucos dias depois, sofreu um trágico acidente, juntamente com o seu oficial de ligação no combate a incêndios.

Faleceram ambos. Morreram como heróis.

Pedi à mãe e aos irmãos do Rune para se juntarem hoje a nós como convidados especiais.

Querida Margit, querido Tue, querido Kaare,

É uma honra ter-vos aqui connosco. Rune deu a vida para salvar outras pessoas. Toda a Europa está em dívida para com ele.

Senhoras e Senhores Deputados,

O segundo ponto de inflexão do nosso tempo é a inteligência artificial.

A IA está a tornar-se rapidamente uma infraestrutura de base da nossa economia e segurança. A posição da Europa é muito clara. Queremos tirar o máximo partido da IA para melhorar a nossa sociedade, a nossa qualidade de vida e a nossa produtividade.

Sou otimista quanto ao potencial da IA para benefício da humanidade — se agirmos corretamente. No entanto, tal como com qualquer nova tecnologia avançada, a IA comporta simultaneamente possibilidades e riscos. Se não fizermos face a estes riscos, nunca seremos capazes de tirar partido das possibilidades oferecidas pela IA.

À medida que aumenta a capacidade dos modelos de fronteira, esses riscos tornaram-se mais evidentes.

Os modelos que estão a ser desenvolvidos permitirão atividades de haqueamento a um nível jamais imaginado. E, em breve, estarão nas mãos de adversários que encaram o mundo de uma forma muito diferente da nossa.

Ao mesmo tempo, os perigos dos modelos de autoaperfeiçoamento são cada vez mais evidentes.

Incidentes de agentes de IA que escapam ao seu ambiente ou que inserem códigos maliciosos são apenas uma pequena amostra. Depois do incidente da Hugging Face, os desenvolvedores fizeram soar o alarme. E os diretores executivos das empresas mais avançadas dizem-nos que é tempo de abrandar o desenvolvimento dos modelos autorrecursivos. Para determinar o ritmo de avanço da fronteira tecnológica.

Se isto é claro para quem desenvolve a tecnologia, então também o deve ser para nós. O Regulamento da Inteligência Artificial é, naturalmente, uma peça crucial na definição de salvaguardas. E coloca a Europa numa posição privilegiada para ajudar a definir os esforços globais sobre como enfrentar este desafio.

Por isso, iremos intensificar os nossos esforços em conjunto com parceiros que partilham da mesma visão, como o Canadá, o Reino Unido, entre outros. Queremos unir esforços no domínio da avaliação de modelos, verificação, alerta precoce, segurança da IA e muito mais.

E convidaremos os principais laboratórios de IA de vanguarda para um debate em torno da forma como podemos apoiar os esforços contínuos da indústria para determinar o ritmo de avanço da fronteira tecnológica.

Senhoras e Senhores Deputados,

É igualmente verdade que a Europa necessitará das suas próprias capacidades — em particular para proteger a nossa segurança nacional.

Temos de nos manter na corrida. Trata-se de algo absolutamente decisivo para a nossa independência. Necessitamos, por isso, de aumentar substancialmente a nossa capacidade de computação. E apresentaremos as nossas ideias sobre como concretizar este desígnio de forma simples e eficaz.

Iremos igualmente desenvolver novas formas de utilizar os fundos públicos e privados para investir nas empresas europeias em fase de arranque e nas empresas europeias mais promissoras.

Senhoras e Senhores Deputados,

Ao limitar os riscos da IA, podemos maximizar os benefícios. Já fizemos muito. A nível das gigafábricas e da soberania tecnológica, por exemplo. Mas a etapa seguinte desta corrida não diz respeito apenas aos modelos de fronteira. Tal como aconteceu com a imprensa, em tempos que já lá vão. Concebida por um inventor alemão, acabou por ser assimilada e utilizada em toda a Europa Ocidental.

Não precisamos de ser nós a desenvolver a tecnologia de fronteira para dela retirarmos o maior valor. A chave está na criação do valor que a IA ainda não proporcionou. Deslocando a IA dos ecrãs para a economia e sociedade reais. Na linha de produção. Na enfermaria do hospital. Na agricultura de precisão. Nas nossas redes elétricas. Nas nossas redes inteligentes. Para a condução autónoma. Para a defesa.

É aqui que está escondido o seu real valor. E é aqui que a Europa parte em vantagem. Temos indústrias de nível mundial que dispõem de dados da mais elevada qualidade. Estes dados são um precioso tesouro europeu. E são precisamente eles que podem impulsionar modelos de IA industrial feitos à medida.

Deixem-me dar-vos um exemplo no plano social. Concretamente no domínio do rastreio do cancro da mama — uma causa pela qual muitos de vós têm lutado de forma incansável. O rastreio mamográfico reduz a mortalidade em cerca de 30-40 % entre as mulheres que nele participam. A deteção precoce é, por isso, crucial. É aqui que a IA pode fazer a diferença.

A mamografia apoiada por IA pode permitir identificar precocemente mais casos de cancro durante o rastreio. E, por conseguinte, aumentam as probabilidades de sobrevivência das mulheres. Necessitamos, por isso, da IA para a saúde. No entanto, também aqui, é importante que o façamos segundo o modo europeu.

Será que quero que o meu médico tenha acesso imediato a todos os dados necessários da IA para efetuar o melhor diagnóstico ou escolha de tratamento? Claro que sim. Mas será que quero que o meu médico seja um robô? Assistido por IA? É claro que não. Eu não quero que um robô me diga se tenho ou não cancro.

A questão aqui é que a IA precisa de capacitar os nossos médicos, não de substituí-los.

Este é apenas um exemplo. Concentramo-nos agora em cinco dos setores de maior valor, para os quais a IA industrial apresenta o maior potencial e dispomos de dados: saúde, transportes, agroalimentar; produção avançada e defesa e espaço.

Em novembro, anunciaremos mudanças absolutamente transformadoras nestes setores.

Convidaremos os Estados-Membros, deputados, representantes da indústria e empresários a juntarem-se a nós neste ambicioso projeto europeu.

A nossa abordagem é clara. Queremos a IA. Queremos que a IA crie mais valor de forma mais responsável. E com custos inferiores e menos consumo energético. Mas, acima de tudo, queremos IA com agência humana. Essa é a essência do modo de vida europeu.

Senhoras e Senhores Deputados,

Muitos dos riscos da IA acabam igualmente por ter repercussões na nossa economia social de mercado. Há quem considere que a IA serve apenas para acelerar as tarefas repetitivas, permitindo um melhor uso das suas competências. No entanto, é claro que estes benefícios estão distribuídos de forma desigual entre conjuntos de competências, gerações e regiões.

Olhemos para os jovens e para as barreiras que encontram, simplesmente para conseguir o primeiro emprego.

A nossa resposta deve estar à altura desta evolução. Da educação ao emprego, a IA deve ajudar a desenvolver competências, melhorar a qualidade dos empregos e dar aos trabalhadores uma oportunidade mais justa.

É por esta razão que precisamos do nosso ato legislativo sobre empregos de qualidade. Algo que tencionamos cumprir antes do final do ano.

Senhoras e Senhores Deputados,

No próximo ano, celebraremos o 10.º aniversário do nosso Pilar Europeu dos Direitos Sociais. E continuaremos a cumprir a sua promessa.

Investiremos nas nossas regiões para que todos tenham o «direito de aqui permanecer». Lançaremos o Pacto Europeu de Prestação de Cuidados para enfrentar os desafios associados às nossas mudanças demográficas.

Acabámos de propor o primeiro Regulamento Habitação para lidar com os arrendamentos de curta duração e a especulação imobiliária.

Porque, Senhoras e Senhores Deputados, permanecer na sua própria região não é um privilégio. Os cuidados não são um privilégio. A habitação não é um privilégio. São direitos. E temos de os garantir para os europeus.

Quando, há dez anos, adotámos este Pilar Europeu dos Direitos Sociais, o mundo era diferente. Entretanto, a nossa sociedade mudou. Para melhor, em certos aspetos; noutros não.

Hoje, os nossos valores fundamentais estão a ser desafiados. Há quem deseje mesmo um retrocesso nos direitos das mulheres. Fazendo-nos regressar a uma época em que as mulheres eram encaradas como cidadãs de segunda classe.

Foi árdua a luta que travámos pela igualdade no tratamento, pela igualdade de oportunidades; pela igualdade de remuneração.

Olhem à vossa volta nesta sala. Afinal, somos muitas as que estamos aqui presentes: Presidentes, vice-presidentes, líderes de grupos políticos, comissárias, deputadas, elementos de equipa e assistentes de sala.

Deixem-me portanto enviar uma mensagem muito clara: as mulheres vieram para ficar. Defenderemos os nossos direitos. E continuaremos a defender diariamente os nossos valores.

É por este motivo que, juntamente com o meu querido amigo António Costa, iremos acolher uma cimeira para consolidar os princípios fundamentais do nosso Pilar Social.

Os tempos mudam, as tecnologias também, mas os nossos valores não. Na Europa, as pessoas estão sempre em primeiro lugar.

Senhoras e Senhores Deputados,

Nesta época marcada por mudanças decisivas, a nossa prosperidade e segurança não podem ser apenas construídas a nível interno.

No presente ano, assinámos acordos de comércio livre com a Índia, o Mercosul, o México, a Austrália e a Indonésia.

Temos hoje acordos comerciais em vigor com mais de 80 países — um nível sem paralelo no resto do mundo. E as empresas pedem-nos mais.

Hoje posso anunciar um novo projeto internacional de conectividade. Ligará o Sul do Cáucaso e a Ásia Central diretamente ao mercado europeu — a que chamaremos Corredor Central.

Através da Global Gateway, tencionamos mobilizar até 12 mil milhões de euros de investimento público e privado. O nosso objetivo é diversificar as rotas, triplicar os fluxos comerciais e reduzir drasticamente os tempos de transporte de mercadorias até 2030.

Para que esta seja uma realidade, iremos organizar uma Cimeira sobre a Conectividade Regional com o Primeiro-Ministro da Bulgária.

Senhoras e Senhores Deputados,

Estas parcerias são uma escolha estratégica para a Europa. Mas respondem igualmente à fratura exposta ao nível do sistema internacional baseado em regras.

Para alguns, a resposta passa por agir unilateralmente. Mas não é esta nossa opção. A Europa estará sempre na liderança quando se trata de defender o sistema baseado em regras. Mas já não podemos depender exclusivamente dessa via para salvaguardar os nossos interesses. Ou partir do princípio de que as suas regras nos protegerão das ameaças complexas que enfrentamos.

Neste novo mundo, é necessário que reimaginemos urgentemente as nossas parcerias. E sejamos capazes de construir coligações globais para a nossa resiliência e para as nossas democracias.

E também aqui, apenas a Europa — com a sua dimensão e poder — poderá assumir a liderança.

Foi por esta razão que convidei o primeiro-ministro Mark Carney, do Canadá, a estar hoje aqui.

Mark, a sua presença aqui é um símbolo da amizade duradoura entre os nossos povos. Os nossos laços culturais, históricos e pessoais atravessam de forma profunda e indelével o tecido das nossas sociedades.

E graças ao CETA, o nosso comércio de mercadorias aumentou cerca de 75 % em menos de uma década.

Isto mostra a força dos nossos acordos comerciais. Vemos o mundo com os mesmos olhos: da IA às alterações climáticas, do Ártico à geopolítica. E mantivemo-nos juntos: relativamente à Ucrânia, à defesa, às matérias-primas e às cadeias de aprovisionamento.

Mas, acima de tudo, caro Mark, a Europa e o Canadá acreditam na democracia.

Acreditamos que esse poder não pertence aos mais fortes, aos mais ricos, aos mais ruidosos — mas a todos nós. Essas democracias têm a liberdade de escolher com quem trabalham.

E é por isso que, de forma voluntária, unimos esforços. Faremos a transição do CETA para uma Aliança para o Futuro a fim de criar um espaço comum de prosperidade e segurança económica. Trabalharemos com produção inteligente. Criaremos uma aliança tecnológica. Integraremos bases industriais de defesa. Transformaremos o Ártico num projeto conjunto de referência. Trabalharemos nos domínios da energia, minerais críticos e baterias. Nos domínios da IA, das tecnologias quânticas, da cibersegurança e da segurança económica.

Esta não é uma parceria contra ninguém, mas ao serviço da nossa força comum.

Resumindo, queremos aprofundar ao máximo a relação com o Canadá.

Caro Mark,

Referi há pouco que é necessário reimaginarmos urgentemente as nossas parcerias. Por isso, gostaria de trabalhar convosco para abrir caminho à adesão do Canadá como primeiro membro associado da UE.

Partilhamos um oceano, um conjunto de valores, uma forma de ver o mundo. E, de igual modo, construiremos também o nosso futuro comum — obrigado por estar aqui.

Senhoras e Senhores Deputados,

A crença da Europa na cooperação sempre foi norteada pela paz. É a nossa raison d’être [razão de ser].

Hoje, essa paz encontra-se ameaçada. A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia continua de forma ininterrupta. E aumentam as ameaças no nosso território. Na semana passada assistimos a isso na Lituânia, na Dinamarca e na Polónia. A tentativa de ataque com drones em Leipzig é mais uma prova disso. Temos de ser claros quanto ao significado disto. Um ataque com material de qualidade militar, executado por operacionais russos em solo europeu.

Um ataque não apenas a um Estado-Membro — mas contra toda a nossa União.

E, Senhoras e Senhores Deputados, não o permitiremos.

Não devemos ter ilusões quanto ao que está a acontecer: as ameaças híbridas que a Europa enfrenta são cada vez menos híbridas e cada vez menos ameaças.

Ciberataques e sabotagem, ataques de fogo posto e incursões de drones. Estão a intensificar-se a cada dia. Por isso, à medida que o nível de ameaça aumenta, também o grau de preparação da Europa deve aumentar.

É por esta razão que proporei, juntamente com a alta representante e vice-presidente, uma nova estratégia europeia de segurança.

Dispomos já de várias ferramentas. E estamos a reforçar o nosso trabalho com a OTAN. No entanto, a nossa doutrina, as nossas instituições e os nossos processos de tomada de decisão não acompanharam esta nova realidade.

Os nossos sistemas foram feitos para um mundo diferente. São movidos por tentativas bem-intencionadas que visam o consenso e o compromisso. Mas é importante refletirmos sobre se ainda são adequados para esse fim.

Por exemplo, a Europa necessita do seu próprio manual de resposta às ameaças híbridas. Necessitamos urgentemente de um consenso sobre como responder a estes incidentes. Aqueles que se situam abaixo do limiar da agressão armada, mas que constituem uma clara ameaça à nossa segurança nacional. Por outras palavras, um mecanismo que permita reforçar o «artigo 4.º» da OTAN.

Acredito que chegou a altura de a Europa ter o seu próprio artigo 4.º — ou um Protocolo de Segurança de Emergência. Quando ativado por um Estado-Membro, todos os Estados-Membros serão consultados. Para coordenar uma resposta europeia. Para dissuadir uma nova escalada. E para mitigar o impacto.

E acredito mesmo que devemos ir ainda mais além.

Durante muito tempo, discutimos um formato dos líderes centrado na segurança do nosso continente. Envolvendo parceiros como o Canadá, a Noruega, a Ucrânia e o Reino Unido, entre outros.

Hoje essa urgência é ainda maior e mais premente, dada a natureza e a escala dos riscos em jogo. É por esta razão que apresentaremos as nossas propostas no sentido de tornar o Conselho Europeu de Segurança uma realidade.

A urgência é evidente.

Senhoras e Senhores Deputados,

É também esta frente unida que move o nosso trabalho em torno da defesa europeia.

O forte aumento das despesas com a defesa fez com que o investimento nas nossas capacidades e forças atingisse níveis recorde.

Estão a ser lançados novos projetos conjuntos. E estamos a apostar mais em produtos europeus do que nunca. Isso é bom.

Maiores encomendas para a nossa indústria, maior interoperabilidade e maiores economias de escala. É tempo de darmos um novo impulso a essa abordagem.

A guerra na Ucrânia mostrou-nos a importância dos facilitadores estratégicos. Estes são os recursos de apoio críticos e os multiplicadores de força de que qualquer defesa credível depende. Desde a defesa aérea e antimíssil até ao transporte estratégico e ao reabastecimento aéreo. Do espaço ao ciberespaço.

Estes sistemas são essenciais e necessários em maior número e quantidade. Só unida é que a Europa conseguirá ter a dimensão de escala necessária para os concretizar.

É por este motivo que posso anunciar um novo Instrumento Europeu para os Facilitadores Estratégicos — totalmente alinhado com a OTAN. Porque apenas uma postura de defesa europeia credível e forte poderá garantir a nossa segurança.

E quanto a isto não há margem para quaisquer dúvidas: A Europa defenderá cada metro quadrado do seu território.

Senhoras e Senhores Deputados,

O que isto significa é-nos demonstrado todos os dias pelos homens e pelas mulheres na Ucrânia.

Sabemos que o próximo inverno será difícil para a Ucrânia. Mas sabemos também que os mísseis norte-coreanos e os drones russos não conseguem quebrar o espírito de resistência dos ucranianos. 

Pois os ucranianos lutam por algo. Lutam pela sobrevivência do seu Estado, da sua identidade e da sua liberdade.

E lutam também pela nossa liberdade e pela nossa autodeterminação.

Incumbe-nos, pois, continuar a apoiar a Ucrânia neste processo com todas as nossas forças.

Concretamente, isto significa: em primeiro lugar, mais do que nunca, apoiaremos a Ucrânia durante o inverno mais crítico da guerra. Juntamente com os nossos parceiros, prestaremos ajuda humanitária e reforçaremos o aprovisionamento energético e o fornecimento de calor à Ucrânia.

Em segundo lugar, reforçaremos a defesa aérea da Ucrânia. Na última semana, acordámos, pela primeira vez, a aquisição de mísseis de defesa Patriot americanos. Urge agora entregá-los.

Mas temos também de reduzir, em conjunto, a nossa dependência de um único fornecedor.

Por isso, queremos desenvolver, em conjunto com a Ucrânia, um sistema de defesa antimíssil económico e modular.

O cerne desta cooperação reside no projeto Freyja. Aqui, unimos a experiência de combate e a capacidade de inovação dos ucranianos à liderança tecnológica da Europa. E, obviamente, à nossa considerável capacidade de produção.

E o Freyja é apenas o início. É preciso fazer mais. Com o financiamento remanescente do instrumento SAFE, lançaremos um novo programa de projetos conjuntos com empresas ucranianas.

Em terceiro lugar, reforçaremos as nossas sanções contra a Rússia.

A pressão sobre a Rússia tem de continuar a aumentar. Para tal, não se exigem necessariamente novas sanções, mas sim, sobretudo, a aplicação das já existentes.

As nossas sanções são pesadas. A pressão que exercem sobre a economia russa é tremenda. A Rússia tenta de tudo para as contornar. Não podemos, por isso, dar-lhe qualquer margem de manobra.

Porque, Senhoras e Senhores Deputados,

Todos os dias deste verão, as cidades ucranianas foram alvo de ataque após ataque.

Em Odessa, os drones russos atingiram um centro comercial lotado em plena luz do dia. Depois, atacaram uma segunda vez, visando deliberadamente os socorristas que se apressaram a ajudar.

Isto não é apenas guerra. É uma estratégia deliberada de terror.

Mas os ucranianos provaram inúmeras vezes que o seu espírito é inquebrantável. E este verão, uma menina mostrou ao mundo inteiro a verdadeira essência deste espírito.

Quando a guerra começou, a Sasha era uma menina de seis anos que tinha uma grande paixão. Adorava a ginástica mais do que tudo na vida. Mas certo dia de sol, em maio, um míssil russo atingiu a sua casa. A Sasha foi resgatada de debaixo dos escombros. Passou duas semanas em coma. Quando acordou, descobriu que tinha perdido a perna esquerda. Tudo indicava que o seu sonho tinha desabado juntamente com a sua casa.

Mas a Sasha não desistiu. Apenas sete meses depois do ataque, estava de volta ao ginásio com a sua nova perna protésica. Treinou com mais afinco do que nunca. E começou a ganhar medalhas de ouro uma atrás da outra.

Este verão, a Sasha viajou pelo mundo na sua digressão «Dance of Freedom». O seu objetivo é mostrar ao mundo a resiliência ucraniana na luta pela liberdade. Inspirou pessoas na Torre Eiffel e em Times Square, no Rio de Janeiro e em Tóquio.

E hoje, quer trazer a sua mensagem até aqui, ao coração da Europa.

Senhoras e Senhores Deputados, juntem-se a mim nas boas-vindas à Sasha.

És uma grande inspiração para todos nós.

Slava Ukraini!

Senhoras e Senhores Deputados,

O anseio pela paz é universal. O profundo sofrimento em Gaza e a violência desmedida dos colonos na Cisjordânia afetaram intensamente os europeus.

A decisão do governo israelita de avançar com o projeto de colonato ilegal E1 é inaceitável.

No ano passado, apelei à ação por parte da Europa, propondo várias medidas.

Para muitos europeus, é penoso que os Estados-Membros tenham sido incapazes de criar as maiorias necessárias para darmos uma resposta unificada. Alguns dos Estados-Membros tomaram a liderança. Outros ponderam fazê-lo.

Uma Europa dividida não é capaz de alterar o rumo dos acontecimentos.

Os próximos meses serão críticos na região. Apesar destes desafios, a Europa tem assumido a liderança no apoio aos palestinianos.

Somos os principais fornecedores de ajuda humanitária. Através do Grupo de Doadores à Palestina e da Iniciativa Equipa Gaza, reunimos 65 delegações. Juntos, comprometemo-nos a disponibilizar quase mil milhões de euros para reconstruir Gaza e apoiar uma Autoridade Palestiniana moderna.

A Europa apoia o direito de legítima defesa de Israel. E o povo palestiniano tem igualmente o direito a viver com segurança e dignidade.

Incumbe à Europa manter viva a chama da solução de dois Estados.

Senhoras e Senhores Deputados,

Durante este discurso, tenho falado da necessidade de a Europa agir em uníssono. Ou correr o risco de ser desmembrada.

Este verão, uma vez mais, esta realidade foi posta à prova nas nossas fronteiras.

Desde as nossas fronteiras orientais às costas de Creta e até do lado de lá do Mediterrâneo. E, claro, com a crise em Ceuta. São acontecimentos de naturezas diferentes. Mas têm duas coisas em comum. A primeira é a exploração de pessoas vulneráveis. Por cruéis passadores e traficantes de seres humanos. Pelos nossos adversários. É por isso que propusemos um regime de sanções para atingir os criminosos no seu ponto mais sensível.

O que me traz ao meu segundo ponto.

Todas as nossas fronteiras externas são fronteiras europeias. Assim, quero dirigir-me diretamente ao povo espanhol.

A fronteira de Ceuta é uma fronteira europeia. Porque Ceuta faz parte de Espanha. Ceuta é Europa. E a Europa estará ao vosso lado.

A questão é que a única solução é uma solução europeia. E é o Pacto em matéria de Migração e Asilo.

Após vários anos de trabalho, dispomos finalmente de um quadro europeu comum. Um quadro que atribui responsabilidades a todos — e exige a solidariedade de cada um. E que tem agora de ser plenamente aplicado.

Estamos no caminho certo. Assistimos a uma redução de 55 % das chegadas ilegais nos últimos dois anos. E a uma queda adicional de 35 % este ano. É um progresso genuíno.

Mas os acontecimentos deste verão mostram que as nossas ferramentas precisam de evoluir, especialmente no que toca às situações de emergência. A Europa tem de ter meios para proteger as suas fronteiras de forma permanente. Especialmente em situações em que as deslocações maciças são concebidas e utilizadas como arma. Por isso, proporemos um Quadro Europeu de Resposta de Emergência.

Apenas será desencadeado segundo um conjunto de critérios estritamente definido. E, nessas situações, irá permitir uma flexibilidade nos procedimentos normalizados estritamente definida e limitada no tempo.

A mensagem da Europa é clara: respeitaremos sempre os nossos valores e os direitos fundamentais. Mas nunca cederemos no que toca a proteger as nossas fronteiras. Somos nós, os europeus, a decidir quem vem para a União e em que circunstâncias. E não os passadores nem os traficantes.

Eis por que tencionamos também intensificar os esforços para reforçar a Frontex — em especial, no que diz respeito a acelerar os regressos. Melhoraremos os nossos sistemas de alerta precoce, incluindo em parceria com países terceiros. Asseguraremos que conseguimos detetar e antecipar pela Internet. E, por fim, continuaremos a enfrentar as causas profundas da migração ilegal.

Temos de trabalhar em conjunto com os nossos vizinhos a fim de impulsionar o investimento. A fim de oferecer perspetivas relevantes aos jovens, para que não se sintam forçados a pôr as suas vidas em risco. Precisam de empregos, competências, formação, programas de aprendizagem.

Eis por que anuncio hoje uma nova Iniciativa para as Competências e Empregos dos Jovens do Mediterrâneo.

Senhoras e Senhores Deputados,

É assim que conseguiremos reduzir a migração ilegal. Honrando os direitos das pessoas que buscam proteção. Facilitando a migração legal e segura com os novos Gabinetes Europeus de Vias Legais em países parceiros. E defendendo as liberdades do nosso espaço Schengen.

Senhoras e Senhores Deputados,

Esta necessidade de soluções coletivas a nível europeu é mais importante que nunca. Porque é também a nossa democracia europeia que está sob ameaça.

Uma e outra vez, vimos como a desinformação e a interferência estrangeira procuraram dividir-nos. Como procuraram minar a confiança no nosso tecido democrático e nos nossos meios de comunicação livres. Campanhas eleitorais viciadas por propaganda estrangeira. Teorias da conspiração nascidas de vídeos de falsificação profunda virais.

Isto é guerra cognitiva. Na Europa, formamos as nossas próprias opiniões com base no acesso a informação fiável e independente. É assim que debatemos, chegamos a compromissos e encontramos soluções — mesmo em assuntos controversos. Essa abertura é a nossa maior força. Mas os nossos adversários estão a utilizá-la como arma para distorcer o debate e a verdade.

Por isso, precisamos da capacidade coletiva de antecipar, detetar e responder. Eis por que, no ano passado, anunciei a criação do Centro Europeu da Resiliência Democrática. E já mostra resultados junto dos Estados-Membros e deste Parlamento. Muito vos agradeço por isso. Vamos intensificar os nossos esforços, congregar os nossos recursos com os Estados-Membros e as partes interessadas.

Mas não tenhamos ilusões. As ameaças às nossas democracias não vêm apenas de fora. Estamos a assistir ao crescimento de forças antidemocráticas e antieuropeias. E conhecemos os riscos.

Mas nada é inevitável. Veja-se a Hungria.

A data de 12 de abril vai ficar na nossa memória por muito, muito tempo. O dia em que o povo húngaro tomou as rédeas do seu futuro. Escolheu a democracia. Escolheu a Europa. Trouxe a Hungria de volta a onde pertence: ao coração da nossa União.

Anos e anos de retrocesso já começaram a ser revertidos. A luta contra a corrupção e a captura do Estado tem vindo a acelerar. Há progressos concretos no que toca aos direitos fundamentais. À liberdade académica. E agora, milhares de milhões de euros de investimento na Hungria foram desbloqueados.

Claro que ainda há muito trabalho a fazer. Mas tudo isto vem mostrar que o esforço árduo compensa.

Graças aos nossos relatórios sobre o Estado de direito, os problemas passaram a ser detetados precocemente e resolvidos através do diálogo.

E graças a este Parlamento, reforçámos a ligação entre a disponibilização de fundos e o respeito pelo Estado de direito.

Com o próximo orçamento de longo prazo, temos de ir ainda mais longe. O respeito pelo Estado de direito e pelos direitos fundamentais é imprescindível para se poder beneficiar dos fundos da UE. Tem de ter um lugar central no orçamento. Agora e no futuro.

Senhoras e Senhores Deputados,

O cerne da democracia é dar às pessoas o poder de escolherem a sociedade em que querem viver.

Hoje em dia, muito deste poder foi retirado das mãos dos pais. Os jovens europeus passam agora quatro a seis horas por dia diante de ecrãs. As crianças são arrastadas cada vez mais para as profundezas de fontes Web (feeds) concebidas para se manterem dependentes da Internet.

Estamos a testemunhar uma captura em grande escala das nossas crianças. Uma captura da sua atenção, da sua concentração, das suas mentes. Que priva as crianças da sua infância.

As nossas crianças precisam de tempo para se definirem. Para crescerem com as outras pessoas. Para serem confrontadas com todas as emoções e escolhas que fazem parte da vida real. Precisam até de tempo para ficarem aborrecidas. Porque é nesses momentos que têm de usar a sua imaginação. Que têm de falar, concordar, discordar, formar uma opinião, mudar de opinião.

Mas quando uma criança tem um telemóvel inteligente, tudo isto lhe é retirado.

Dia e noite, os pais veem o preço que se paga: privação de sono, ansiedade e até automutilação.

E, num número crescente de casos, tragédias fatais. Como o caso da Oléa, uma rapariga de 14 anos a viver na Bélgica.

A Oléa pôs termo à sua própria vida há exatamente um mês, vítima de intimidação (bullying) em linha.

A história é tão trágica e desoladora que hesitei em incluí-la.

Mas a mãe da Oléa falou da sua filha de forma tão comovente. E manifestou tão fervorosamente a sua vontade de evitar que o mesmo aconteça a outras pessoas.

Quero fazer justiça às palavras dela e por isso vou falar, tal como ela, em francês.

«Je suis persuadée que sans ces réseaux omniprésents, ma fille serait toujours là. C’est trop». [Estou convencida de que, sem estas redes omnipresentes, a minha filha ainda estaria aqui. Basta!]

Senhoras e Senhores Deputados,

Ela tem razão. C’est trop. Basta.

Convoquei um painel especial de peritos. Falámos com os jovens. Observámos o caso da Austrália e de outros países que tomaram a liderança. E agora, é tempo de a Europa agir.

Amanhã, a Comissão irá propor o ato legislativo EU KIDS ACT. Adotaremos uma abordagem gradual e diferenciada. Cada idade tem as suas sensibilidades próprias. Portanto, cada uma terá o seu próprio nível de proteção personalizado.

Até perfazerem 13 anos as crianças não terão acesso aos média sociais. Até perfazerem 15 anos não poderão ter contas pessoais.

Significa isto que, entre os 13 e os 15 anos, apenas poderão utilizar  contas para menores, criadas e supervisionadas pelos pais ou tutores, com funcionalidades limitadas e restrição do tempo de utilização a uma hora por dia. E para utilizadores entre os 15 e os 18 anos, as plataformas serão obrigadas a desenvolver os seus produtos dando prioridade à segurança.

Estou ciente de que muitos consideram que o poder das grandes empresas tecnológicas é esmagador. E impossível de reverter.

Discordo.

Nós não temos de aceitar as funcionalidades viciantes. Nós não temos de aceitar que as crianças sejam atraídas para conteúdos cada vez mais extremos. Nós não temos de aceitar que as raparigas vejam as suas fotografias utilizadas para criar imagens sexualizadas geradas por inteligência artificial.

Por isso, vamos reverter o ónus da prova.

As plataformas vão ter de nos provar que são seguras. Porque não se trata de os menores de idade terem ou não acesso aos média sociais. Trata-se de definir quando e como permitimos que os média sociais tenham acesso aos menores de idade.

A Europa tem a competência para agir. Somos nós quem decide as nossas regras, não as grandes empresas tecnológicas.

Mas não são apenas os menores que estão em risco. Funcionalidades que criam dependência, por exemplo, prejudicam toda a gente. É por isso que precisamos de um quadro mais alargado, o ato legislativo relativo à equidade digital. Será proposto no outono.

Senhoras e Senhores Deputados,

Tudo isto nos mostra o que a Europa pode alcançar naquilo que realmente importa. Mas também fazer por reconquistar a confiança dos europeus. Inspirar um sentimento de pertença a algo que é maior do que nós.

Pertencer a uma casa comum. A certeza de que entre europeus, estaremos sempre presentes uns para os outros.

Basta olhar para lá das nossas fronteiras para compreender como este ideal europeu permanece vivo.

Basta olhar para a Ucrânia e a Moldávia. Para os Balcãs Ocidentais. Basta olhar para todos esses países próximos da nossa União.

E, dado que o seu futuro está na nossa União, proporemos em breve roteiros para os candidatos que estejam mais avançados.

Este processo continuará a basear-se no mérito. Senhoras e Senhores Deputados, repito: o respeito pelos nossos valores não é negociável.

Fiquei horrorizada com as imagens do funeral de Ratko Mladić em Belgrado, na semana passada.

Cometeu dos mais atrozes crimes contra a humanidade.

A glorificação dos criminosos de guerra não tem qualquer lugar na União Europeia, muito simplesmente.

Todas as vítimas das guerras na ex-Jugoslávia merecem ser recordadas e todas as suas famílias merecem a nossa compaixão.

É isto que defendemos enquanto União: a verdade, a justiça e o respeito pelos nossos valores.

Senhoras e Senhores Deputados,

A Europa permanecerá sempre fiel aos seus valores. A nossa União nasceu como um projeto de paz. Para que o nosso passado trágico dê lugar a um futuro comum para os europeus.

Algumas décadas mais tarde, milhões de pessoas ainda veem a Europa como uma promessa — por vezes de lugares tão distantes quanto o Canadá.

E, no entanto, esquecemo-nos muitas vezes o quão poderosa continua a ser essa promessa.

No rescaldo da guerra, em 1948, teve lugar um Congresso da Europa. Reuniu os grandes intelectos do nosso continente para refletir sobre o futuro da cooperação europeia. Para fazer crescer este ideal europeu que é o nosso. Enquanto sociedade, temos de recuperar esta faculdade de pensar a Europa.

No próximo ano, celebraremos o histórico 70.º aniversário do Tratado de Roma.

Nessa ocasião, anuncio hoje, lançaremos um novo Congresso da Europa. 

Precisamos das nossas mentes mais brilhantes — de toda a nossa União e de todo o nosso grande continente. Juntos, construirão uma visão capaz de inspirar a nova geração de europeus. Capaz de reconquistar o imaginário europeu. Para que a próxima geração possa escrever a sua própria história.

Não esqueçamos nunca as origens da nossa União. Povos que há muito estavam em guerra uniram-se para construir um destino comum. Um destino de paz e de prosperidade, de democracia e de liberdade.

Nunca definiram até onde esse destino nos devia afinal conduzir. Mas cada geração assentou no legado da geração anterior. Passo a passo. Pedra sobre pedra.

É óbvio que as nossas imperfeições, a nossa diversidade e as nossas diferenças se mantêm. Mas é precisamente isso que faz da Europa a nossa Europa. A nossa casa comum.

Senhoras e Senhores Deputados,

Voltemos a tomar as rédeas do nosso futuro.

Viva a Europa.

Vive l’Europe.

Es lebe Europa.

Long live Europe.

A versão original do discurso está disponível aqui.

Leia também: Ursula von der Leyen escolhe portuguesa para porta-voz no 2.º mandato na Comissão Europeia

Paula PINHO
Paula Pinho, porta-voz principal. Endereço eletrónico: [email protected]

Joaquim Varela. Crédito: Facebook Hélder Varela
Europa Nacional

Joaquim Varela tem 111 anos e tornou-se o homem mais velho conhecido da Europa: português atravessou mais de um século de história

08:30 20 Setembro, 2026 11:05 19 Setembro, 2026 | João Luís

Tem 111 anos e tornou-se o homem vivo mais velho da Europa. Joaquim Varela nasceu em 1915 e atravessou mais de um século de história

João Rúben Silva, vogal da Direção Política Nacional REAGIR. Crédito: REAGIR
Algarve Política

REAGIR pede destituição da presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Nova de Cacela

12:50 20 Setembro, 2026 12:51 20 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

Gravações, atas e registo de votações estão na origem do pedido de destituição, anunciado pelo REAGIR em comunicado enviado às redações

Fatura da luz. Crédito: Freepik
Nacional

Milhões de portugueses terão de mudar o contrato de eletricidade até esta data: saiba se está na lista

15:20 20 Setembro, 2026 15:15 20 Setembro, 2026 | Luís Santos

Milhares de portugueses poderão enfrentar mudanças no contrato de eletricidade, numa alteração com impacto direto em muitas famílias

Mulher no banco.
Economia Nacional

Segurança Social pode devolver até 1.611,39€ a estes portugueses num pagamento único: saiba se tem direito

13:20 19 Setembro, 2026 11:53 18 Setembro, 2026 | Miguel Frazão

Apoio destinado a compensar despesas com funerais pode chegar a três vezes o IAS este ano, mas o pedido tem de ser feito dentro de um prazo

Brasa Doirada, grupo de cante alentejano. Crédito: Brasa Doirada
Algarve Cultura

Brasa Doirada regressam a Tavira para concerto na Feira de São Francisco [vídeo]

12:21 20 Setembro, 2026 12:24 20 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

Música tradicional, canções originais e humor marcam o concerto dos Brasa Doirada em Tavira, a 3 de outubro, integrado na Feira de São Francisco

Marina de Vilamoura.
Algarve

“Agora consigo desligar”: casal inglês muda-se com os 3 filhos para esta localidade no Algarve e diz ter uma vida melhor e mais barata

12:40 20 Setembro, 2026 15:24 16 Setembro, 2026 | Miguel Frazão

Em Vilamoura desde 2022, Abbie e Michael Shone pagam 25.000 euros por ano pela escola privada dos três filhos

Mulher a trabalhar no computador.
Tech

Milhões de pessoas usam o ChatGPT todos os dias, mas há cinco informações que nunca deveriam revelar: saiba o que fazer se já o fez

15:30 20 Setembro, 2026 15:03 20 Setembro, 2026 | Tiago Alcobia

Há dados que nunca deveriam chegar ao ChatGPT. Descubra quais são e porque motivo preocupam os especialistas

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia desde 2019. Crédito: Lusa
Europa Europe Direct Algarve Opinião Política

O Discurso — que todos deveriam ler — da presidente Ursula von der Leyen sobre o Estado da União

14:59 20 Setembro, 2026 15:03 20 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, discursou durante o debate sobre o «Estado da União» no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a 16 de setembro de 2026

Agenda de Resiliência Hídrica. Crédito: Magnific
Europa Europe Direct Algarve

Comissão Europeia lança academia e plataforma para enfrentar a escassez de água

15:15 20 Setembro, 2026 15:15 20 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

Autarquias, empresas e sociedade civil vão colaborar na resposta aos desafios da água, com duas iniciativas europeias lançadas esta segunda-feira

Mariana Patrocínio.
Vida & Lazer

Estas são as 6 regras que a irmã de Carolina Patrocínio impõe aos filhos no início do ano letivo

14:00 20 Setembro, 2026 14:25 15 Setembro, 2026 | Miguel Frazão

Rotinas, responsabilidade individual e atividade física entram nas regras que Mariana Patrocínio partilha para o período escolar

Homem hospitalizado
Ciência Saúde

Homem que ‘morreu’ durante 7 minutos e voltou à vida contou aquilo que viu: “Estava tudo calmo. Sem dor, sem desconforto, sem preocupações. Não tenho medo de morrer, nem um pouco”

17:50 19 Setembro, 2026 16:45 19 Setembro, 2026 | Gonçalo Viegas

Astrónomo de profissão relatou o que viu durante sete minutos em paragem cardíaca e explica como a experiência mudou a sua relação com a morte

Pessoas a andar à chuva. Crédito: Foto AI
Tempo

Chuva regressa ‘em peso’ a Portugal nestes dias e estas serão as regiões mais afetadas

21:00 17 Setembro, 2026 15:58 17 Setembro, 2026 | Gonçalo Viegas

Nos próximos dias, os arquipélagos vão ser 'invadidos' por chuva por vezes frequente, de acordo com a previsão da Meteored

Empresário
Economia Europa

Kiko, empresário, sobre os apoios da Segurança Social: “Se pagas 1.455€ por 40 horas de trabalho e o Estado 1.100€ para ficar em casa, eu também ficaria em casa a receber”

21:20 17 Setembro, 2026 23:28 17 Setembro, 2026 | Gonçalo Viegas

Este empresário espanhol, proprietário de um restaurante em Málaga, falou das suas dificuldades em encontrar trabalhadores

Economia Europa

Laura, responsável de um restaurante: “Se reservar e não aparecer, cobramos 20€ por pessoa”

09:30 19 Setembro, 2026 17:23 18 Setembro, 2026 | Rubén Gonçalves

A espanhola explica que o restaurante onde trabalha pede os dados do cartão no momento da reserva e pode cobrar 20 euros por pessoa quando o cliente não aparece

Ovos caseiros
Vida & Lazer

ASAE, autoridade de segurança alimentar em Portugal, revela onde deve guardar os ovos (e não é nem na despensa nem na porta do frigorífico)

16:30 18 Setembro, 2026 16:05 18 Setembro, 2026 | Gonçalo Viegas

Ao contrário do que muitos possam pensar, a porta do frigorífico não é o sítio mais indicado para guardar os ovos de modo a prolongar a sua 'vida útil'

Visita aos trabalhos arqueológicos: Edifício de Culto da villa romana de Milreu, Faro. Crédito: Património Cultural, I.P.
Algarve Cultura Nacional

Algarve celebra o património com visitas, concertos e percursos até 27 de setembro

10:00 18 Setembro, 2026 09:56 18 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

De Sagres a Tavira, há propostas para descobrir o património algarvio, com atividades gratuitas e pagas e inscrições obrigatórias em várias sessões

Joaquim Varela. Crédito: Facebook Hélder Varela
Europa, Nacional

Joaquim Varela tem 111 anos e tornou-se o homem mais velho conhecido da Europa: português atravessou mais de um século de história

08:30 20 Setembro, 2026 11:05 19 Setembro, 2026 | João Luís

Tem 111 anos e tornou-se o homem vivo mais velho da Europa. Joaquim Varela nasceu em 1915 e atravessou mais de um século de história

João Rúben Silva, vogal da Direção Política Nacional REAGIR. Crédito: REAGIR
Algarve, Política

REAGIR pede destituição da presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Nova de Cacela

12:50 20 Setembro, 2026 12:51 20 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

Gravações, atas e registo de votações estão na origem do pedido de destituição, anunciado pelo REAGIR em comunicado enviado às redações

Fatura da luz. Crédito: Freepik
Nacional

Milhões de portugueses terão de mudar o contrato de eletricidade até esta data: saiba se está na lista

15:20 20 Setembro, 2026 15:15 20 Setembro, 2026 | Luís Santos

Milhares de portugueses poderão enfrentar mudanças no contrato de eletricidade, numa alteração com impacto direto em muitas famílias

Mulher no banco.
Economia, Nacional

Segurança Social pode devolver até 1.611,39€ a estes portugueses num pagamento único: saiba se tem direito

13:20 19 Setembro, 2026 11:53 18 Setembro, 2026 | Miguel Frazão

Apoio destinado a compensar despesas com funerais pode chegar a três vezes o IAS este ano, mas o pedido tem de ser feito dentro de um prazo

Brasa Doirada, grupo de cante alentejano. Crédito: Brasa Doirada
Algarve, Cultura

Brasa Doirada regressam a Tavira para concerto na Feira de São Francisco [vídeo]

12:21 20 Setembro, 2026 12:24 20 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

Música tradicional, canções originais e humor marcam o concerto dos Brasa Doirada em Tavira, a 3 de outubro, integrado na Feira de São Francisco

Marina de Vilamoura.
Algarve

“Agora consigo desligar”: casal inglês muda-se com os 3 filhos para esta localidade no Algarve e diz ter uma vida melhor e mais barata

12:40 20 Setembro, 2026 15:24 16 Setembro, 2026 | Miguel Frazão

Em Vilamoura desde 2022, Abbie e Michael Shone pagam 25.000 euros por ano pela escola privada dos três filhos

Mulher a trabalhar no computador.
Tech

Milhões de pessoas usam o ChatGPT todos os dias, mas há cinco informações que nunca deveriam revelar: saiba o que fazer se já o fez

15:30 20 Setembro, 2026 15:03 20 Setembro, 2026 | Tiago Alcobia

Há dados que nunca deveriam chegar ao ChatGPT. Descubra quais são e porque motivo preocupam os especialistas

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia desde 2019. Crédito: Lusa
Europa, Europe Direct Algarve, Opinião, Política

O Discurso — que todos deveriam ler — da presidente Ursula von der Leyen sobre o Estado da União

14:59 20 Setembro, 2026 15:03 20 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, discursou durante o debate sobre o «Estado da União» no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a 16 de setembro de 2026

Agenda de Resiliência Hídrica. Crédito: Magnific
Europa, Europe Direct Algarve

Comissão Europeia lança academia e plataforma para enfrentar a escassez de água

15:15 20 Setembro, 2026 15:15 20 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

Autarquias, empresas e sociedade civil vão colaborar na resposta aos desafios da água, com duas iniciativas europeias lançadas esta segunda-feira

Mariana Patrocínio.
Vida & Lazer

Estas são as 6 regras que a irmã de Carolina Patrocínio impõe aos filhos no início do ano letivo

14:00 20 Setembro, 2026 14:25 15 Setembro, 2026 | Miguel Frazão

Rotinas, responsabilidade individual e atividade física entram nas regras que Mariana Patrocínio partilha para o período escolar

Homem hospitalizado
Ciência, Saúde

Homem que ‘morreu’ durante 7 minutos e voltou à vida contou aquilo que viu: “Estava tudo calmo. Sem dor, sem desconforto, sem preocupações. Não tenho medo de morrer, nem um pouco”

17:50 19 Setembro, 2026 16:45 19 Setembro, 2026 | Gonçalo Viegas

Astrónomo de profissão relatou o que viu durante sete minutos em paragem cardíaca e explica como a experiência mudou a sua relação com a morte

Pessoas a andar à chuva. Crédito: Foto AI
Tempo

Chuva regressa ‘em peso’ a Portugal nestes dias e estas serão as regiões mais afetadas

21:00 17 Setembro, 2026 15:58 17 Setembro, 2026 | Gonçalo Viegas

Nos próximos dias, os arquipélagos vão ser 'invadidos' por chuva por vezes frequente, de acordo com a previsão da Meteored

Empresário
Economia, Europa

Kiko, empresário, sobre os apoios da Segurança Social: “Se pagas 1.455€ por 40 horas de trabalho e o Estado 1.100€ para ficar em casa, eu também ficaria em casa a receber”

21:20 17 Setembro, 2026 23:28 17 Setembro, 2026 | Gonçalo Viegas

Este empresário espanhol, proprietário de um restaurante em Málaga, falou das suas dificuldades em encontrar trabalhadores

Economia, Europa

Laura, responsável de um restaurante: “Se reservar e não aparecer, cobramos 20€ por pessoa”

09:30 19 Setembro, 2026 17:23 18 Setembro, 2026 | Rubén Gonçalves

A espanhola explica que o restaurante onde trabalha pede os dados do cartão no momento da reserva e pode cobrar 20 euros por pessoa quando o cliente não aparece

Ovos caseiros
Vida & Lazer

ASAE, autoridade de segurança alimentar em Portugal, revela onde deve guardar os ovos (e não é nem na despensa nem na porta do frigorífico)

16:30 18 Setembro, 2026 16:05 18 Setembro, 2026 | Gonçalo Viegas

Ao contrário do que muitos possam pensar, a porta do frigorífico não é o sítio mais indicado para guardar os ovos de modo a prolongar a sua 'vida útil'

Visita aos trabalhos arqueológicos: Edifício de Culto da villa romana de Milreu, Faro. Crédito: Património Cultural, I.P.
Algarve, Cultura, Nacional

Algarve celebra o património com visitas, concertos e percursos até 27 de setembro

10:00 18 Setembro, 2026 09:56 18 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

De Sagres a Tavira, há propostas para descobrir o património algarvio, com atividades gratuitas e pagas e inscrições obrigatórias em várias sessões

Últimas Notícias

  • Agressões com paus e tábuas entre dezenas de pessoas fazem pelo menos dois feridos em Luz de Tavira
    Agressões com paus e tábuas entre dezenas de pessoas fazem pelo menos dois feridos em Luz de Tavira
  • Milhões de pessoas usam o ChatGPT todos os dias, mas há cinco informações que nunca deveriam revelar: saiba o que fazer se já o fez
    Milhões de pessoas usam o ChatGPT todos os dias, mas há cinco informações que nunca deveriam revelar: saiba o que fazer se já o fez
  • Milhões de portugueses terão de mudar o contrato de eletricidade até esta data: saiba se está na lista
    Milhões de portugueses terão de mudar o contrato de eletricidade até esta data: saiba se está na lista
  • Comissão Europeia lança academia e plataforma para enfrentar a escassez de água
    Comissão Europeia lança academia e plataforma para enfrentar a escassez de água
  • António começou a trabalhar como pescador aos 13 ou 14 anos e viu a profissão mudar: “Antes tínhamos uma praia mais livre”
    António começou a trabalhar como pescador aos 13 ou 14 anos e viu a profissão mudar: “Antes tínhamos uma praia mais livre”

Opinião

  • O Discurso — que todos deveriam ler — da presidente Ursula von der Leyen sobre o Estado da União
    O Discurso — que todos deveriam ler — da presidente Ursula von der Leyen sobre o Estado da União
  • Se lhe serve a coroa, é rei? | Por Ana Alexandre Resende
    Se lhe serve a coroa, é rei? | Por Ana Alexandre Resende
  • Porque é que continuamos a ignorar a enxaqueca? | Por Filipe Palavra
    Porque é que continuamos a ignorar a enxaqueca? | Por Filipe Palavra

Europe Direct Algarve

  • Comissão Europeia lança academia e plataforma para enfrentar a escassez de água
    Comissão Europeia lança academia e plataforma para enfrentar a escassez de água
  • O Discurso — que todos deveriam ler — da presidente Ursula von der Leyen sobre o Estado da União
    O Discurso — que todos deveriam ler — da presidente Ursula von der Leyen sobre o Estado da União
Há um novo Postal nas bancas com o Expresso
Seguir
Configurações de privacidade
©2026 Postal

Subscreva a newsletter
do POSTAL

Pode sempre cancelar a qualquer momento