Chega das compras, retira os ovos da embalagem e coloca-os no suporte da porta do frigorífico. O gesto parece fazer sentido, sobretudo quando o próprio aparelho inclui esse acessório. No entanto, uma prateleira interior, com uma temperatura mais estável, oferece melhores condições de conservação.
Em Portugal, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) recomenda guardar os ovos no frigorífico depois da compra, com a extremidade mais fina voltada para baixo, e retirar apenas os necessários para cada utilização.
Porta está mais exposta a mudanças de temperatura
Sempre que o frigorífico é aberto, a zona da porta fica mais exposta ao ar quente do exterior. Estas oscilações tornam esse espaço menos indicado para conservar alimentos que beneficiam de frio constante.
A autoridade de saúde canadiana aconselha guardar os ovos na zona mais fria do frigorífico, normalmente no seu interior.
Já a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, recomenda uma temperatura de conservação de cerca de 4 ºC ou inferior.
Ovos estão fora do frigorífico no supermercado
Encontrar ovos à temperatura ambiente nos supermercados portugueses pode causar alguma confusão. A explicação está na necessidade de evitar mudanças bruscas de temperatura durante o transporte e a comercialização, como esclarece a ASAE.
Quando um ovo frio passa para um ambiente mais quente, pode formar-se condensação na casca, favorecendo condições que facilitam a entrada de bactérias.
Depois da compra, a recomendação é refrigerar e manter essas condições até à utilização, evitando retirar e voltar a guardar repetidamente os mesmos ovos.
Embalagem original também ajuda a proteger
A caixa não serve apenas para transportar os ovos. Ajuda a protegê-los de danos e permite manter junto do produto informações importantes, como a data de consumo preferencial e as condições de conservação.
Por isso, guardar os ovos na embalagem original, numa prateleira interior, é uma opção prática. A data e as instruções presentes no rótulo devem orientar a utilização, sem serem substituídas por um prazo genérico contado a partir do dia da compra.
Lavar antes de guardar pode comprometer a proteção
Uma casca aparentemente suja pode levar à tentação de passar os ovos por água antes de os arrumar. No entanto, a lavagem pode danificar a cutícula, uma camada natural que ajuda a proteger o interior contra a entrada de microrganismos.
A ASAE esclarece que os ovos podem ser lavados, mas apenas imediatamente antes da utilização. Na compra, devem ser escolhidos exemplares com a casca limpa, intacta e sem fissuras, verificando também o estado da embalagem.
Claras, gemas e ovos cozidos têm outros prazos
Depois de partir os ovos, os cuidados mudam. As claras e as gemas que não forem utilizadas devem ser colocadas em recipientes bem fechados e refrigeradas.
O portal oficial norte-americano FoodSafety.gov indica um prazo de conservação de dois a quatro dias, a uma temperatura de 4 ºC ou inferior.
Para os ovos cozidos, com ou sem casca, a FDA recomenda o consumo no prazo de uma semana. Já as sobras de pratos confecionados com ovo devem ser refrigeradas até duas horas após a preparação e consumidas, em regra, dentro de três a quatro dias.
O congelamento exige outros cuidados: os ovos inteiros não devem ser congelados dentro da casca. As claras podem ser congeladas separadamente, enquanto as gemas não conservam tão bem a sua textura.
Casca limpa não garante ausência de bactérias
Mesmo um ovo com bom aspeto e sem fissuras pode conter Salmonella, alerta a FDA. A conservação no frio deve, por isso, ser acompanhada de uma preparação cuidada e de uma confeção suficiente.
A ASAE recomenda cozinhar bem os ovos e lavar as mãos, as superfícies e os utensílios que estiveram em contacto com o produto cru.
Estes cuidados ajudam a evitar que outros alimentos fiquem contaminados durante a preparação das refeições.
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