Juan Roig, fundador e principal acionista da Mercadona, tem uma posição clara sobre o pagamento de impostos. Para o empresário espanhol, contribuir para o Estado é indispensável se os cidadãos querem continuar a beneficiar de serviços públicos universais, como a saúde e a justiça.
Aos 76 anos, o presidente da cadeia de supermercados continua a ser uma das figuras empresariais mais conhecidas de Espanha. A Mercadona tem também uma presença significativa em Portugal, onde abriu a primeira loja em 2019 e tem vindo desde então a expandir a sua rede.
“Se queremos serviços públicos, temos de pagar impostos”
De acordo com o portal espanhol Noticias Trabajo, a posição de Juan Roig voltou agora a ser destacada pela imprensa espanhola, embora as declarações tenham sido originalmente proferidas em 2021.
“O que mais quero dizer com firmeza, e transmito-o a toda a gente, é que, se queremos serviços públicos e que a Justiça e a Saúde sejam universais, temos de pagar impostos”, afirmou o empresário, citado pelo Noticias Trabajo.
Roig chegou mesmo a assumir como motivo de orgulho a contribuição fiscal da empresa que fundou. «É um orgulho para nós», afirmou ao abordar os impostos pagos pela Mercadona.
Segundo os dados mais recentes referidos pela publicação espanhola, a empresa contribui com cerca de 3.110 milhões de euros em impostos em Espanha.
Mercadona representa mais de 3% do emprego em Espanha
O peso da empresa não se limita à faturação ou aos impostos. Um relatório sobre o impacto económico e fiscal da Mercadona e da respetiva cadeia de produção, elaborado pelo Instituto Valenciano de Investigaciones Económicas (Ivie), concluiu que a empresa representa 3,09% do emprego total espanhol.
A cadeia terminou 2024 com lucros de 1.384 milhões de euros. Posteriormente, distribuiu 700 milhões de euros pelos trabalhadores através de prémios associados a objetivos e, no início de 2025, aumentou os salários da generalidade dos funcionários em 8,5%.
Juan Roig distingue, contudo, o pagamento dos impostos da forma como o dinheiro público é posteriormente utilizado.
“Outra coisa é como esses impostos são geridos“
“Outra coisa é como esses impostos são geridos, mas isso não nos compete”, afirmou o empresário.
Na perspetiva do fundador da Mercadona, cabe às empresas e aos cidadãos cumprir as respetivas obrigações fiscais. A decisão sobre a utilização posterior das receitas pertence às administrações públicas.
A posição defendida por Juan Roig assenta, assim, numa relação direta entre a contribuição fiscal e a existência de serviços públicos universais. Para o empresário, quem pretende beneficiar de áreas como a saúde e a justiça deve também contribuir, através dos impostos, para o seu financiamento.















