A renda da casa, a conta do supermercado e o combustível são despesas que regressam todos os meses. Juntam-se-lhes outras preocupações, como conseguir uma consulta ou saber com que rendimento se poderá contar na reforma. São questões que aproximam a discussão política da vida de quem tem contas para pagar.
É destas preocupações que parte o Vamos — Democracia Solidária, um projeto que pretende constituir um novo partido de esquerda em Portugal.
No seu site oficial, apresenta a justiça social, a solidariedade e a participação democrática como princípios orientadores.
Apresentação marcada para 16 de setembro
A apresentação está prevista para esta quarta-feira, 16 de setembro, em conferência de imprensa. Paula Marques, antiga vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, integra a comissão instaladora, segundo a informação publicada pelo Diário de Notícias.
O projeto reúne já 40 associados. Este número descreve a adesão inicial comunicada pela rádio e não corresponde ao número de subscritores necessário para requerer a inscrição de um partido.
Paula Marques aponta afastamento da esquerda
Nas declarações à TSF reproduzidas pelo portal de notícias ZAP, Paula Marques justifica a iniciativa com uma crítica às forças políticas existentes: “A esquerda, de uma forma geral, distanciou-se do dia a dia e das dificuldades na vida das pessoas e das famílias”.
A responsável defende uma “radicalidade democrática para ir à raiz dos problemas”. A intenção anunciada é construir uma organização combativa e participada, capaz de apresentar respostas diferentes das que considera terem sido insuficientes até agora.
Habitação, salários e reformas entre as preocupações
O custo da habitação, os salários, os combustíveis e os bens alimentares estão entre os assuntos destacados por Paula Marques. A responsável inclui também o acesso à saúde e a proteção da Segurança Social e das reformas nas preocupações que motivam o projeto.
Na apresentação publicada no seu site, o Vamos defende que a economia deve servir o bem-estar das pessoas. Assume igualmente a defesa dos serviços públicos e critica políticas que, na sua perspetiva, favorecem a precariedade e o agravamento das desigualdades.
Médico de família e saúde mental nas propostas
Na saúde, já existem propostas concretas publicadas. O movimento defende o reforço dos cuidados de saúde primários, com acesso universal a médico de família e a consultas de medicina dentária e oftalmologia, segundo o seu documento sobre saúde.
O mesmo texto propõe valorizar as carreiras dos profissionais com dedicação exclusiva, reorganizar a rede de urgências e alargar os cuidados domiciliários e paliativos. A saúde mental surge também como prioridade, através da proposta de um novo programa nacional.
Site já pede apoio à criação do partido
A página oficial apresenta um convite à subscrição para apoiar a criação da organização. Paula Marques surge entre as pessoas identificadas, juntamente com participantes de diferentes áreas profissionais, incluindo professores, um investigador e um operário metalomecânico.
Inscrição exige pelo menos 7.500 cidadãos eleitores
Segundo o artigo 15.º da Lei dos Partidos Políticos, o pedido de inscrição tem de ser apresentado por, pelo menos, 7.500 cidadãos eleitores.
Deve incluir, entre outros elementos, o projeto de estatutos, os princípios ou programa político, a denominação, a sigla e o símbolo.
A mesma lei estabelece que o reconhecimento jurídico depende da inscrição no Tribunal Constitucional. Assim, a apresentação anunciada para esta quarta-feira deve ser entendida como o lançamento público de um projeto partidário, cuja constituição formal depende do cumprimento desses requisitos.
Leia também: Humidade numa casa arrendada: saiba se paga o senhorio ou o inquilino segundo a lei















