Na Península Ibérica os hominídeos estão presentes há 1,2 milhão de anos, nomeadamente, vestígios de Homo antecessor, uma variante Ibérica do Homo erectus, e também de Homo heidelbergensis.
Há 70 mil anos os Homo sapiens, saem de África e há 30 mil anos estão em todo o mundo. Os poucos indivíduos H. sapiens que chegam à Península Ibérica, tinham olhos, cabelos e pele escura, onde encontraram uma vasta ocupação de Homo neanderthalensis que aí estava desde há 200 000 ac.
Mais pequenos e entroncados (164-175 cm; 65-80 kg), que os H. sapiens, com mais reservas de gordurae narizes largos, estavam adaptados a climas frios e, provavelmente, eram de pele branca e de cabelo ruivo. A capacidade cerebral era maior que a dos H. Sapiens, todavia, possuíam um menor cerebelo.

Professor coordenador (aposentado).
Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve
Os “sapiens” encontraram Neandertais em todo o seu percurso pelo Levante mediterrâneo, através da Turquia até à Europa. Há 59.000 anos as duas espécies coexistiram em territórios vizinhos e ocuparam as mesmas cavernas, embora não havendo provas de terem convivido, partilharam as técnicas de talhe da pedra, as ferramentas, as estratégias de caça e recoleção, o tipo de alimentos e uma utilização semelhante de ornamentos pessoais, revelador de um pensamento abstrato e simbólico que a arqueologia clássica atribuía exclusivamente ao “sapiens”. A cultura dos Neandertais é tipicamente humana, dotados de complexidade mental, capazes de uma interação cultural com os “sapiens” ao longo de mais de 20.000 anos, havendo mesmo sinais de mistura genética, tendo sido encontrado um híbrido em Portugal.
Nos períodos de aquecimento interglaciar os ambientes de estepe mediterrânea aumentam muito no sul peninsular a que os “sapiens” se adaptam bem, enquanto os ambientes de floresta temperada mediterrânea se reduzem, diminuindo os ambientes preferidos pelos Neandertais, todavia, também no Sul os Neandertais persistem em territórios limitados nos quais caçam e pescam e em que se verifica uma lenta evolução e o aparecimento de elementos raciais mistos,até ao seu desaparecimento há cerca de 20-30 mil anos. Cerca de 2% do genoma do europeu típico é composto por DNA neandertal, inexistente no africano típico.
Tavira revelou presença Neandertal nos sítios de Pinheiro, Torre d’Aires, Antas, Arroio, Alto, Canada e na colina de Santa Maria, que estariam expostos ao mar. Da cultura H. sapiens, estão referenciados dois sítios: Pinheiro e Canada. Enfim andaram pelos mesmos sítios!
Importa recordar que nessa época o Séqua formaria um amplo estuário que se estendia até ao Paúl da Asseca e Fojo. As colinas de Sant’Ana e de Sta. Maria, formavam duas penínsulas que apertavam a foz do Séqua, que se abre para um amplo golfo aberto ao mar, a que se veio a chamar Gilão, que se estendia para nascente pelo sopé da colina de São Brás até à colina do Almargem. Entre o Alto de Sant’Ana e a colina de São Brás formava um pequeno esteiro onde hoje é a Alagoa. Na margem direita, a península da colina de Sta. Maria era navegável dos dois lados: Praça da República e Bela Fria. A extensa ribeira do lado ponente da margem do Gilão, estendia-se do meio da rua da Liberdade até à costa, passando junto ao Tribunal
Posteriores movimentos migratórios, entre 20 e 15 mil anos atrás, trazem para a Península Ibérica novas populações de caçadores-coletores oriundos dos Balcãs de cabelos e pele escura, olhos claros e uma ancestralidade relacionada com o Próximo Oriente. Durante 8 a 10 mil anos estes grupos misturaram-se, gerando uma identidade genética tipicamente ibérica. Estas comunidades distribuem-se por todo o país, embora mais de 50% dos sítios se concentrem, nas áreas interiores dos grandes estuários do Tejo, do Sado e do Mira, estendendo-se até ao extremo ocidental do Algarve, partilhando tecnologias e estilos de vida muito semelhantes entre si. Apesar de serem comunidades estruturalmente móveis, mantendo um estilo de vida de caçadores-coletores, dependendo da acessibilidade aos recursos, estas populações adquirem gradualmente um estilo de vida semi‑sedentário. Onde há alimento, não vale a pena mudar!
Leia também: A evolução da costa do Algarve na antiguidade: O extremo Sotavento. O Guadiana – Parte III | Por José Manuel do Carmo
















