No “cerro do castelo” de Castro Marim, as águas do rio chegavam perto das muralhas do castelo, formando uma península ligada a terra apenas por um estreito istmo a oeste e, embora se verificando um gradual assoreamento nos esteiros, ainda no século XVII acostavam no porto “naus de 100 toneladas a tomar o sal”.

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Navegável até Mértola, importante porto fluvial, o rio Ana (Guadiana) dividia-se em dois braços navegáveis antes de desaguar no mar. Na Praia Verde e em Cacela, as marés vivas desocultaram complexos “industriais” que teriam sido ocupados entre os séculos III e IV ac., revelando que a terra firme se estendia mar adentro.

Professor coordenador (aposentado).
Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve
As profundas alterações da costa são evidentes, tanto a ponente como a nascente da foz do Guadiana, na costa espanhola. A corrente dominante de SW resultou na formação de bancos arenosos com uma orientação O-E, do lado ponente formando um extenso areal a sul, afastando Castro Marim da boca do rio, mas também, o assoreamento da barra promoveu a deposição de materiais sedimentares do Guadiana, consolidando sapais, reduzindo a acessibilidade ao rio, justificando o aparecimento de assentamentos ligados à pesca no extenso areal que gradualmente crescia para sul-sueste. Também do lado nascente do rio, a deposição de areias deu lugar às ilhas barreira de el Pinillo, Punta del Moral, ilhas Cristina e Canela e a consolidação dos extensos sapais atravessados por uma rede de sinuosos esteiros, anulam a ampla baía que ia do Guadiana à foz do rio Tinto, afastam Ayamonte da boca do rio, justificam a instalação de populações mais perto da costa e levaram à fundação de um fundeadouro romano na Punta del Moral, coincidindo com o declínio das tradicionais urbes portuárias de Castro Marim e Ayamonte nos finais do século I, inícios do II dc. substituindo-as como entreposto comercial.


Acedido em: https://www.academia.edu/19483918https://www.academia.edu/19483918/P%C3%B3ster_El_Fondeadero_romano_de_Punta_del_Moral_Ayamonte_
Ainda na Idade Média os rios da Andaluzia ocidental eram navegáveis. A costa de Ayamonte a Huelva assoreia gradualmente pela formação de bancos de areia e formação de dunas, encerrando os estuários dos rios Piedras e Odiel que permitiam o acesso fácil a Lepe, Cartaya e Huelva que eram portos de mar. A expedição do corsário português D. Gonçalo Camelo, parte de Lisboa, em Agosto de 1336, e, reforçada com mais homens e embarcações em Tavira e Castro Marim, sobe o rio Piedras e assalta Lepe, retomando a viagem, sobem o rio Odiel, para atacar Gibraleón e no regresso, voltam a atacar Lepe.

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De Huelva à foz do Guadalquivir existia uma ampla baía que veio a transformar-se no que é hoje o Parque Natural de Doñana, onde se observam sinais claros do impacto de uma grande onda.
O mesmo acontece na foz do Guadalquivir que na antiguidade formava um vasto estuário navegável (Golfo Tartéssico ou Lacus Ligustinus) que permitia o acesso pelo Guadalquivir até Sevilha (antiga Hispalis ou Spalis), a cerca de 90 km do mar, onde estava sediada a armada muçulmana que saiu a dar combate aos piratas Viquingues no estuário do Arade em 966 e que ainda no século XVI constituía a principal base de apoio à expansão marítima espanhola.

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Leia também: A evolução da costa do Algarve na antiguidade: O Sotavento de Faro a Tavira – Parte II | Por José Manuel do Carmo















