Tal como no Barlavento, a parte oriental do Algarve sofreu profundas alterações. Em meados do séc. XVII ainda se destacam os amplos estuários do Guadiana e do Gilão. De notar a errada localização de Tavira na margem esquerda da ribeira do Almargem.

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Os sinais de ocupação humana de Faro remontam à Idade do Ferro, possivelmente a meados do 1º milénio ac., situada na pequena colina, muito provavelmente, uma ilha, com bom acesso e ancoragem. Este assentamento é essencialmente um local de trocas comerciais com o sul andaluz e posteriormente entreposto fenício.

Professor coordenador (aposentado).
Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve
A Faro romana, Ossonoba, data de entre os séculos II e I ac., é a pequena colina correspondente ao Bairro da Sé. A ria chegaria até junto da porta do Repouso, a nascente, onde aportavam os navios e o parque de estacionamento de São Francisco, corresponderia ao principal ancoradouro de barcos, ainda na época moderna (séc. XV-XVIII). A ponente, na área ribeirinha que vai até junto à estação de caminho de ferro, situava-se uma área industrial ligada à transformação de preparados de peixe, pelo que o embarque das ânforas com as produções locais se faria por ali. Junto às portas da Vila ficavam, ainda na Idade Média, os estaleiros navais a que se seguiam espaços de comércio e das indústrias de peixe.


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Em Tavira (Balsa inicial), o estuário estendia-se de Tavira até à barra e, para nascente, até à colina do Almargem e a linha de água corria pelo sopé da colina de São Brás. Assim, o Alto de Sant’Ana formava uma península entre o Séqua, o Gilão e a Alagoa. Na margem direita, a colina de Sta. Maria formava também uma península, com a Praça da República e a Bela Fria navegáveis nos tempos fenícios. A linha de água chegaria até ao atual Tribunal. Deste modo fica patente que o rio Séqua desembocava num amplo estuário abrindo para o mar que mais tarde se veio a designar Gilão. No tempo romano a travessia do rio ficaria a montante da ponte atual, por onde passaria a via romana de Baesuris a Balsa.


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A montante do estreito entre os cerros de Sant’Ana e de Stª Maria pelo qual o Séqua se liga ao Gilão, o rio faria um amplo estuário interior navegável onde se localiza o cerro do Cavaco para onde a população de Balsa se transferiu em alguns períodos.

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A representação de Pedro Teixeira no séc. XVII revela um largo estuário com uma apertada barra com apenas “8 palmos de baixamar, e de preamar 2 braças pouco mais ou menos”. De notar a localização do chamado forte do Rato na ilha barreira, que mais tarde abre a levante ficando o forte numa ilha chamada ilha das lebres.

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Importa referir que este forte praticamente não chegou a ter uso, pois a barra de Tavira ficou em poucos anos inoperacional o que levou à construção do forte de S.João onde a nova barra se localizou.
Do igual modo, alterações no cordão dunar terão tornado pouco acessível a barra de Tavira na época romana, o que terá levado à fundação de Balsa (Luz de Tavira), em meados do século I ac., na embocadura da Ribeira da Luz que formaria um amplo estuário e uma abertura significativa na ilha-barreira e acesso fácil a ricas campinas.

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