Com o tempo quente, as picadas de mosquito tornam-se mais comuns em Portugal e, embora na maioria dos casos não sejam graves, podem causar comichão intensa, vermelhidão e inchaço local. Há, no entanto, um gesto simples que pode ajudar a aliviar a vontade de coçar sem recorrer a cremes ou medicamentos: esfregar suavemente a pele à volta da picada.
Picadas de mosquito são comuns nos meses mais quentes
Em Portugal, a presença de mosquitos é acompanhada através da Rede de Vigilância de Vetores (REVIVE), coordenada pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que monitoriza espécies de mosquitos e outros vetores em várias regiões do país. O relatório mais recente divulgado pelo INSA indica que foram identificados milhares de mosquitos em centenas de concelhos, o que mostra a importância da vigilância, sobretudo nos períodos de maior atividade destes insetos.
Na maioria das situações, uma picada de mosquito provoca apenas uma reação local, como uma pequena elevação na pele, vermelhidão, inchaço e comichão. O SNS 24 explica que o estrófulo é uma reação alérgica de hipersensibilidade desencadeada por picadas de insetos, incluindo mosquitos, podendo causar lesões muito pruriginosas, sobretudo em pessoas mais sensíveis.
Gesto simples que pode travar a comichão
A recomendação é simples: em vez de coçar a picada com as unhas, deve esfregar a zona suavemente com dois dedos, fazendo movimentos leves sobre a pele ou ligeiramente à volta da área afetada. A ideia é criar um estímulo tátil que ajude a “abafar” o sinal de comichão antes de este se tornar mais intenso.
Um estudo publicado no Journal of Neuroscience refere que esfregar ou acariciar a pele é conhecido por aliviar a comichão, através da ativação de mecanorrecetores de baixo limiar, isto é, recetores nervosos sensíveis ao toque ligeiro. Esta resposta pode ajudar a reduzir a transmissão do sinal de comichão, sem provocar a agressão na pele que acontece quando se coça com força.
A explicação passa pelo modo como o sistema nervoso processa a comichão. Quando a pele é picada, algumas fibras nervosas são estimuladas de forma localizada, criando a sensação desconfortável. Ao esfregar suavemente a zona, o toque produz um sinal concorrente que pode reduzir a perceção da comichão.
Por que não deve coçar as picadas de mosquito
Coçar pode dar alívio momentâneo, mas também pode irritar mais a pele, aumentar a inflamação e abrir pequenas feridas. O National Health Service (NHS), serviço público de saúde do Reino Unido, recomenda evitar coçar picadas de insetos para reduzir o risco de infeção, além de aconselhar a lavagem da zona com água e sabão e a aplicação de frio se houver inchaço.
Este cuidado é especialmente importante em crianças, que tendem a coçar mais intensamente, e em pessoas com pele sensível ou tendência para reações alérgicas. O SNS 24 refere que as reações a picadas de mosquito podem provocar comichão significativa e lesões na pele, pelo que evitar traumatizar a zona ajuda a impedir que o problema se agrave.
Quando deve procurar ajuda médica
Apesar de a maioria das picadas melhorar ao fim de alguns dias, deve estar atento a sinais de alerta. Dificuldade em respirar, inchaço acentuado da face ou da boca, tonturas, febre, dor intensa, pus, vermelhidão a aumentar ou agravamento progressivo da lesão são motivos para procurar aconselhamento médico. Em caso de reação alérgica grave, o SNS 24 recomenda contacto imediato com os serviços de emergência, uma vez que uma reação sistémica pode exigir intervenção rápida. Perante dúvidas, a Linha SNS 24 pode orientar o cidadão sobre os passos a seguir.
Como reduzir o risco de novas picadas
Além de tratar a comichão, a prevenção continua a ser essencial. O SNS 24 recomenda, em contextos de risco, a utilização de repelente nas zonas expostas, roupa que cubra mais o corpo e redes mosquiteiras, sobretudo quando se viaja para zonas onde os mosquitos podem transmitir doenças.
Em casa, também ajuda evitar água parada em vasos, baldes, caleiras ou recipientes no exterior, porque estes locais podem favorecer a proliferação de mosquitos. A vigilância feita pelo programa REVIVE tem precisamente como objetivo acompanhar a distribuição e abundância destes vetores em Portugal e apoiar a avaliação do risco para a saúde pública.
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