A Universidade do Algarve aprovou uma política linguística que estabelece o português como língua da comunicação institucional e da certificação académica e administrativa, define metas de proficiência e enquadra o uso de outras línguas no ensino, na investigação e na internacionalização.
O documento aplica-se aos órgãos de governo e gestão, unidades orgânicas, centros de investigação e serviços, abrangendo estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico, administrativo e de gestão. Inclui ainda a comunicação institucional, a oferta formativa, a mobilidade, os serviços linguísticos e os eventos organizados pela UAlg, dentro ou fora da instituição.
Documentação oficial será redigida em português
A política determina que toda a documentação oficial e a comunicação institucional, incluindo as comunicações internas formais, sejam redigidas em português.
Poderão existir versões noutras línguas quando tal seja necessário por motivos de internacionalização, por exigência de programas ou para assegurar uma comunicação mais eficaz com públicos externos.
Certificados, diplomas e documentos semelhantes continuarão também a ser emitidos em português. A disponibilização de traduções ou versões noutras línguas dependerá da garantia da respetiva qualidade e poderá estar sujeita ao pagamento de uma taxa, quando aplicável.
Nas intervenções públicas e atos formais, a reitora, os seus representantes, os diretores das unidades orgânicas e dos serviços e os coordenadores dos centros de investigação deverão exprimir-se, por regra, em português, embora sejam admitidas exceções justificadas.
Quando o contexto e as línguas envolvidas o permitam, como nas interações entre falantes de português e espanhol, a UAlg incentiva a intercompreensão, permitindo que cada participante utilize a sua própria língua.
Nos trabalhos académicos apresentados noutra língua, mantém-se a exigência de um resumo alargado em português.
Inglês assume papel na comunicação internacional
Embora o português permaneça como língua principal de ensino, a UAlg reconhece o inglês como língua de comunicação internacional e prevê a promoção estratégica do espanhol e do francês, sem excluir outros idiomas.
O sítio institucional deverá dispor, pelo menos, de uma versão integral em inglês, sujeita a mecanismos de revisão e controlo de qualidade linguística.
A universidade prevê também soluções de acessibilidade comunicativa, incluindo a utilização da Língua Gestual Portuguesa sempre que se justifique, além da simplificação textual e da leitura gravada em situações consideradas pertinentes.
Estudantes incentivados a dominar três línguas
A política propõe um perfil plurilingue orientado pela fórmula “1+2”: domínio da primeira língua, que para a maioria será o português, e competência funcional em duas línguas adicionais, com destaque para o inglês e uma segunda língua estrangeira.
Como orientação para os estudantes que concluem o primeiro ciclo ou uma formação pós-secundária, o documento aponta para o nível B2 de inglês e, preferencialmente, B1 numa segunda língua estrangeira, de acordo com o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas.
Nos cursos destinados à docência de línguas, a meta sobe para C1 em inglês e B2 nas segundas línguas estrangeiras.
Nos cursos lecionados numa língua estrangeira, os estudantes deverão comprovar, pelo menos, o nível B2 nessa língua, enquanto os docentes deverão atingir o nível C1.
Os estudantes internacionais cuja primeira língua não seja o português deverão frequentar unidades de Português Língua Estrangeira, com creditação. A meta prevista é alcançar, pelo menos, o nível A2 no final de uma permanência anual ou superior e o nível A1 quando a estadia for semestral.
As competências linguísticas certificadas, além das previstas nos planos curriculares, deverão constar do Suplemento ao Diploma.
Formação poderá ser ministrada noutras línguas
A política admite a criação de unidades curriculares ou turmas lecionadas noutras línguas, desde que exista justificação académica, sejam garantidas condições de igualdade no acesso e no sucesso dos estudantes e os docentes possuam a proficiência necessária.
A UAlg pretende ainda integrar módulos de línguas para fins académicos nos planos de estudos e ampliar a oferta de cursos livres destinados tanto à comunidade académica como ao público externo.
Estão igualmente previstas ações de formação contínua em português e línguas estrangeiras para docentes e trabalhadores não docentes, incluindo nas áreas do atendimento, comunicação institucional, redação, síntese, expressão oral e ensino numa língua estrangeira.
Na investigação, a instituição compromete-se a incentivar publicações em várias línguas, valorizando o português na comunicação científica e técnica e promovendo edições bilingues ou multilingues quando forem consideradas adequadas.
Centro de Línguas vai coordenar formação e certificação
A aplicação da política prevê a reconfiguração do atual CL-IMT num Centro de Línguas, responsável por coordenar a oferta formativa e os cursos livres, gerir a certificação, prestar serviços linguísticos e apoiar a mobilidade e a internacionalização.
A universidade pretende disponibilizar progressivamente serviços de apoio à redação de projetos de investigação em língua estrangeira, bem como serviços de revisão e tradução.
A implementação será acompanhada através de indicadores sobre a participação em formações, os níveis certificados, a qualidade da comunicação e a procura dos serviços. Estão também previstos relatórios periódicos, revisão de procedimentos e propostas de melhoria.
Será nomeada uma comissão de acompanhamento, responsável pela elaboração de um relatório anual e por recomendações que poderão ser integradas no plano de atividades da instituição.
O próprio documento estabelece que a concretização da política dependerá da existência de recursos adequados, da articulação entre os diferentes serviços e do envolvimento da comunidade académica.
A aprovação insere-se ainda nos compromissos assumidos pela Universidade do Algarve no âmbito da aliança Universidade Europeia dos Mares, conhecida como SEA-EU, que deverá apresentar a sua própria política linguística em outubro.
A.Pinto / HDF
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