Uma nova descida do IRS deverá deixar mais algum dinheiro na carteira de milhões de contribuintes. A medida aprovada esta quinta-feira pelo Conselho de Ministros reduz as taxas entre o primeiro e o sexto escalões e, segundo o Executivo, deverá abranger mais de 2,9 milhões de agregados familiares.
As contas constam das simulações oficiais divulgadas pelo Governo, que permitem perceber quanto poderá diminuir o imposto anual em diferentes níveis de rendimento.
Importa, contudo, fazer uma distinção: os valores apresentados representam poupança anual em IRS, e não um pagamento único ou um valor adicional recebido mensalmente.
Recebe 1.000 euros? Poupa mais 12,10 euros
Uma das simulações considera um trabalhador dependente, com um titular, sem dependentes, residente no continente e com 14 pagamentos anuais.
Neste cenário, quem recebe 1.000 euros brutos por mês terá uma poupança adicional de 12,10 euros em IRS durante 2026, quando comparado com as taxas previstas no Orçamento do Estado para este ano.
Com um salário bruto de 1.500 euros, a diferença aumenta para 65,32 euros por ano. Já quem aufere 2.000 euros brutos mensais poderá poupar mais 100,44 euros com a nova alteração das taxas.
Aos 2.500 euros, poupança supera os 130 euros
A vantagem aumenta à medida que sobe o rendimento nos exemplos apresentados pelo Governo. Um trabalhador com um salário bruto de 2.500 euros mensais terá uma poupança adicional estimada em 133,28 euros por ano. Aos 3.500 euros brutos por mês, o valor sobe para 171,50 euros anuais.
As contas assumem que as novas taxas serão aplicadas a todos os rendimentos obtidos ao longo de 2026.
O que muda nas taxas de IRS?
A proposta prevê uma redução de 0,3 pontos percentuais no primeiro escalão, fazendo a taxa normal passar de 12,5% para 12,2%.
Entre o segundo e o quinto escalões, a descida será de 0,5 pontos percentuais, enquanto no sexto escalão a redução será novamente de 0,3 pontos.
As taxas normais do sétimo ao nono escalões mantêm-se. Ainda assim, devido à natureza progressiva do IRS, os contribuintes com rendimentos mais elevados podem igualmente beneficiar das reduções aplicadas às primeiras parcelas do rendimento coletável.
Pensionistas também podem beneficiar
O Governo apresentou simulações semelhantes para pensionistas. Um pensionista solteiro, sem dependentes e com uma pensão bruta de 1.000 euros mensais terá uma poupança adicional de 12,10 euros em 2026.
Com uma pensão de 2.000 euros, a diferença passa para 100,44 euros, enquanto aos 2.500 euros chega aos 133,28 euros.
Casais com filhos podem poupar mais de 200 euros
A composição do agregado também altera as contas. Num exemplo oficial de um casal com dois dependentes, em que um dos titulares recebe 2.500 euros brutos por mês e o outro 1.500 euros, a poupança adicional estimada chega aos 200,88 euros em 2026.
Num agregado com salários de 3.700 e 2.000 euros, respetivamente, a redução adicional do IRS sobe para 292,62 euros por ano. As simulações assumem tributação conjunta e residência no continente.
Novas taxas ainda dependem de alteração legislativa
A decisão do Conselho de Ministros não encerra, por si só, o processo. O Governo aprovou uma proposta de lei que o autoriza a reduzir as taxas de IRS até ao sexto escalão, pelo que a medida terá ainda de cumprir a respetiva tramitação legislativa.
Se avançar nos termos anunciados, terá efeitos sobre os rendimentos obtidos durante todo o ano de 2026, razão pela qual as poupanças apresentadas nas simulações são calculadas em termos anuais.
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