A hora de sair está a chegar, mas aparece mais um pedido. Depois outro. Para quem trabalha em casa de outras pessoas, principalmente como empregada de limpeza, fazer respeitar o que ficou combinado pode tornar-se difícil quando a proximidade do dia a dia é confundida com disponibilidade permanente.
Cristina Simón, empregada de limpeza em Espanha, fala destas situações no TikTok, através do perfil @lafregonadecris.
Segundo o jornal digital espanhol Noticias Trabajo, utiliza os seus vídeos para contestar preconceitos e explicar os limites da sua profissão.
Profissão que escolheu exercer
Cristina começa por esclarecer que trabalha nas limpezas “por escolha e não por obrigação”. Com esta afirmação, contesta a ideia de que quem exerce esta atividade o faz necessariamente por falta de alternativas.
“Sou empregada de limpeza, mas ainda há pessoas que se referem a mim como ‘a criada’”, afirma. No original, utiliza a palavra espanhola chacha, uma designação que considera depreciativa e que associa à desvalorização do seu trabalho.
Limpar uma casa não significa assumir todas as tarefas
“Sou empregada de limpeza, não sou ama, nem jardineira, nem cozinheira”, esclarece Cristina. A profissional critica os pedidos para desempenhar funções diferentes daquelas para as quais foi contratada, apenas por estar dentro da habitação.
De acordo com a mesma fonte, a sua preocupação vai além da forma como os clientes lhe chamam. Está também em causa a expectativa de que deve resolver qualquer necessidade da família, independentemente do serviço combinado.
Cada limpeza precisa do seu tempo
“Sou empregada de limpeza e não, não sou lenta, as coisas levam o seu tempo”, explica. Uma limpeza de manutenção e uma intervenção a fundo exigem trabalhos diferentes, tal como variam as necessidades de cada cozinha ou casa de banho.
“Não tenho superpoderes”, acrescenta, perante expectativas que considera impossíveis de cumprir. O tamanho da habitação, a sujidade acumulada e as superfícies a tratar influenciam o tempo necessário, a par do esforço físico de cada tarefa.
Ter um horário também significa poder sair
“Embora alguns não o saibam, tenho um horário. Não me peças tarefas novas quando me tenho de ir embora”, afirma Cristina, chamando a atenção para os pedidos feitos no final da jornada.
A trabalhadora contesta que essas solicitações sejam tratadas como pequenos favores sem consequências.
Quando se acumulam, prolongam o trabalho para lá da hora prevista e interferem com os compromissos que tem depois, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Férias e doença também fazem parte da vida
“Também tenho direito a ir de férias ou a ficar doente”, recorda. Cristina rejeita a pressão para justificar constantemente a sua disponibilidade, como se trabalhar numa casa particular implicasse estar sempre pronta a responder.
Nas situações que descreve, a relação próxima com as famílias acaba por dificultar a separação entre o trabalho e a vida pessoal.
A sua reivindicação passa pelo respeito pelas funções, pelo horário e pelos períodos de ausência, de acordo com o Noticias Trabajo.
















