Um conselheiro de Vladimir Putin ameaçou a Polónia com o desaparecimento do Estado em “dois ou três dias”, caso o país entre em operações militares contra a Rússia. Nikolai Patrushev afirmou que a Rússia usaria todos os meios militares disponíveis nesse cenário.
A ameaça foi feita numa entrevista ao jornal russo Argumenty i Fakty, publicada na terça-feira, 15 de setembro. Patrushev respondia ao ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radosław Sikorski, que tinha afirmado que os aliados europeus poderiam destruir metade das refinarias russas se a Rússia atacasse a NATO, de acordo com a agência oficial de notícias turca Anadolu.
O responsável acusou Radosław Sikorski, ministro Polaco dos Negócios Estrangeiros, de subestimar o poder militar russo e sustentou que as forças de Moscovo não estão a utilizar todo o seu potencial na invasão da Ucrânia. Trata-se de uma afirmação do conselheiro, que não apresentou elementos que sustentem aquele prazo.
O ministro justificou essa avaliação com a superioridade aérea que atribui aos países europeus da Aliança. O cenário apresentado abrangia uma resposta coletiva europeia a um ataque russo, não apenas um confronto entre os exércitos da Polónia e da Rússia.
Comboio transportava 206 passageiros
Um drone russo atingiu a locomotiva do comboio que fazia a ligação entre Kiev e Varsóvia, em território ucraniano, perto da fronteira com a Polónia, no passado dia 13 deste mês. Transportava 206 passageiros e não houve feridos, segundo informações das transportadoras divulgadas pela rádio pública polaca.
A empresa polaca PKP Intercity confirmou que o incidente aconteceu em território ucraniano, antes de assumir a operação do comboio. Não foram registados feridos, segundo as informações das transportadoras divulgadas pela rádio pública polaca.
Boris Johnson seguia noutra composição
A operadora ferroviária estatal ucraniana Ukrzaliznytsia esclareceu que um comboio diplomático com antigos dirigentes europeus, incluindo Boris Johnson, tinha passado pela estação antes do impacto. Transportava também conselheiros de segurança de vários Estados da União Europeia.
A operadora admitiu que essa composição poderia ter sido o alvo, mas apresentou essa possibilidade como hipótese. Explicou ainda que o comboio diplomático partiu antes do horário previsto, no âmbito dos ajustes à circulação motivados pela ameaça de ataques.
Varsóvia reforça passagens fronteiriças
Entretanto, o ministro da Defesa polaco, Władysław Kosiniak-Kamysz, anunciou o reforço da proteção das passagens para a Ucrânia. Na sua comunicação de terça-feira, considerou que as ações russas ameaçam a segurança europeia e confirmou trabalhos em infraestruturas utilizadas pela Guarda Fronteiriça.
O dispositivo inclui a construção de postos de observação e vigilância junto de Dorohusk, Medyka e Korczowa. O objetivo anunciado é reforçar as condições de proteção e o apoio militar às estruturas fronteiriças.
Dois regimentos participam nas obras
O Comando-Geral das Forças Armadas polacas identificou militares do 4.º e do 18.º regimentos de sapadores entre os envolvidos. Os trabalhos incluem barreiras Hesco, estruturas de malha metálica preenchidas com materiais como areia, utilizadas para criar fortificações.
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