Portugal registou um aumento da transmissão de mpox ao longo de 2026, com centenas de infeções confirmadas em diferentes regiões do país. Os dados mais recentes da Direção-Geral da Saúde (DGS) mostram que a circulação do vírus se intensificou sobretudo no início do verão, embora nas últimas semanas tenha sido observada uma redução no número de novos casos, de acordo com a Rádio Renascença.
Entre 1 de janeiro e 31 de agosto deste ano foram confirmados 282 casos de mpox em Portugal, segundo dados da DGS citados pela agência Lusa. A maior subida começou a ser observada no final de maio e tornou-se mais evidente durante os meses de junho e julho.
Apesar do aumento registado ao longo do ano, a evolução mais recente apresenta alguns sinais de abrandamento. A DGS indica que, depois da intensificação das infeções durante aqueles três meses, o número de novos casos tem diminuído nas últimas semanas.
Entre as pessoas infetadas desde o início do ano, 18 necessitaram de internamento hospitalar. Este valor corresponde a 6,4% dos 282 casos confirmados, uma proporção muito próxima dos 6,5% registados durante o mesmo período de 2025.
OMS identificou transmissão comunitária em Portugal
Os dados surgem numa altura em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a existência de transmissão comunitária em Portugal de uma das variantes do vírus responsável pela mpox. Em causa está a clade Ib, que tem sido acompanhada pelas autoridades de saúde internacionais.
Segundo uma análise epidemiológica divulgada pela OMS, Portugal reportou recentemente 66 casos associados a esta linhagem. A transmissão comunitária da mesma variante foi também identificada noutros países europeus, incluindo França, Alemanha, Irlanda, Itália, Países Baixos, Suíça, Reino Unido e República Checa.
A classificação de transmissão comunitária é utilizada quando existe pelo menos um caso recente que não pode ser associado a uma viagem ou ao contacto com alguém proveniente de um país onde já exista circulação comunitária. Isto indica que o vírus está a ser transmitido dentro do próprio território.
No caso português, a DGS identificou ainda 13 grupos de casos epidemiologicamente relacionados. Estes grupos são de pequena dimensão, apresentando uma média de 2,4 infeções por cada conjunto identificado.
Em nove destes grupos foi detetada a clade Ib referida pela OMS. Sete encontram-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, que continua a concentrar uma parte significativa das infeções registadas no país.
Maioria dos casos concentra-se em Lisboa e Vale do Tejo
De acordo com os dados disponibilizados pela DGS, 97,9% das pessoas infetadas são homens e a idade média dos casos ronda os 35 anos. Lisboa e Vale do Tejo concentra 66,7% de todas as infeções confirmadas durante este período.
Entre os casos registados em homens, 81,2% ocorreram em pessoas que indicaram ter mantido relações sexuais com outros homens. Segundo a autoridade de saúde, este perfil epidemiológico mantém características semelhantes às observadas anteriormente.
Relativamente às variantes identificadas, em 80,5% dos casos analisados foi detetado o clade I do vírus. A vigilância epidemiológica permite às autoridades acompanhar a circulação das diferentes linhagens e identificar eventuais grupos de transmissão.
Quais são os sintomas da mpox?
A DGS recorda que a mpox pode provocar sintomas como lesões na pele ou nas mucosas, febre e aumento dos gânglios linfáticos. Perante sinais compatíveis com a doença, é recomendada a procura atempada de aconselhamento junto dos serviços de saúde.
O vírus pode transmitir-se através de contacto físico próximo, nomeadamente através do contacto direto com lesões ou fluidos corporais de uma pessoa infetada. A transmissão também pode ocorrer através de materiais contaminados, como lençóis, toalhas ou outros objetos pessoais.
Perante sintomas suspeitos, deve ser evitado o contacto próximo com outras pessoas até existir aconselhamento médico. A DGS recomenda ainda o contacto com o SNS 24, através do número 808 24 24 24, ou diretamente com um profissional de saúde.
DGS reforça prevenção e vacinação
A autoridade de saúde garante que continua a acompanhar a evolução epidemiológica da doença e a desenvolver medidas de prevenção. Entre estas encontram-se ações de informação dirigidas à população e aos profissionais de saúde, além de campanhas de sensibilização.
Esta estratégia inclui igualmente a promoção da vacinação disponível através do Serviço Nacional de Saúde entre as pessoas consideradas com maior risco de exposição. Estas iniciativas são desenvolvidas em articulação com autoridades de saúde e organizações de base comunitária.
Segundo a DGS, as ações deverão continuar com o objetivo de reforçar o conhecimento sobre as formas de transmissão, os principais sinais e sintomas e as medidas que podem reduzir o risco de infeção. Apesar da diminuição recente dos casos, a autoridade mantém o apelo à prevenção e à procura de cuidados de saúde sempre que surgirem sintomas compatíveis com mpox.
















