Na Aldeia da Pedralva, no concelho de Vila do Bispo, dezenas de casas que se encontravam em ruína foram recuperadas e funcionam hoje como alojamentos para quem pretende passar alguns dias no interior do Algarve. O projeto surgiu numa povoação que, em tempos, teve mais de uma centena de habitantes e perdeu população ao longo de décadas.
De acordo com o portal da Aldeia da Pedralva, em 2006 viviam ali apenas “nove habitantes originais”. Nessa altura, existiam cerca de 50 casas em estado avançado de degradação e apenas nove reuniam condições mínimas de habitabilidade, num cenário marcado pelo abandono do casario e pela redução da população residente.
Aldeia quase vazia no concelho de Vila do Bispo
A recuperação começou com a procura dos proprietários e herdeiros dos imóveis. Entre 2006 e 2008, os responsáveis pelo projeto contactaram mais de 200 pessoas, em Portugal e noutros países europeus, para negociar a aquisição de 30 casas que faziam parte da aldeia.
Segundo a mesma fonte, o objetivo passou por devolver utilização aos edifícios sem alterar a imagem rural do lugar. As intervenções foram feitas com materiais semelhantes aos das construções antigas e com recurso a mobiliário restaurado, procurando manter elementos associados à ocupação original das casas.
Infraestruturas foram renovadas
A recuperação não se limitou às habitações. A Câmara Municipal de Vila do Bispo participou na renovação das infraestruturas da aldeia, assegurando novas canalizações, pavimentação das ruas, iluminação e a instalação subterrânea da cablagem elétrica.
Estas obras permitiram adaptar a localidade às novas utilizações, mantendo, no entanto, a organização das ruas e a configuração das construções existentes. A requalificação foi acompanhada pela criação de condições para acolher visitantes, numa aldeia onde o número de casas devolutas tinha aumentado com o processo de desertificação.
Das ruínas às casas de campo
Em 2010, a aldeia entrou numa nova fase, depois de concluída a recuperação de parte dos edifícios. A Aldeia da Pedralva passou então a contar com 26 casas de campo em funcionamento turístico, além de um restaurante típico, o Sítio da Pedralva, e o Café Central.
O espaço inclui também uma piscina, zonas comuns, o antigo forno da aldeia e uma estação de lavagem de bicicletas. A entidade responsável pelo projeto descreve esse momento como a preparação para “um novo desafio: ter vida”, associando a utilização turística à reocupação de um lugar que tinha perdido residentes.
Caminhadas, bicicletas e atividades no exterior
A oferta foi alargada a atividades de natureza. A aldeia dispõe de um centro com 32 bicicletas e mais de 300 quilómetros de trilhos de mountain bike, podendo os visitantes recorrer ainda a material para caminhadas, escola de surf e cursos de mergulho.
A localização rural, no concelho de Vila do Bispo, é apresentada como parte da experiência proposta a quem ali fica hospedado. Contudo, a permanência com animais de estimação tem regras próprias: é possível levá-los mediante um custo adicional, mas não podem entrar nas zonas comuns, incluindo restaurante, piscina e lounge.
A recuperação da Pedralva reúne, assim, duas fases distintas da aldeia. Primeiro, a perda gradual de habitantes e a degradação de boa parte das casas. Depois, a aquisição e a reabilitação de imóveis que passaram a receber visitantes, mantendo-se visíveis vários elementos ligados à anterior vivência rural da povoação.
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