Aos 88 anos, Maria Teresa Garcia enfrenta a possibilidade de ter de abandonar a casa onde vive há mais de três décadas, em Lisboa. A idosa é proprietária do apartamento, mas uma dívida ao condomínio relacionada com obras realizadas no prédio deu origem a um processo judicial que culminou numa penhora do imóvel e numa ordem de despejo.
A história foi revelada pelo Correio da Manhã. Maria Teresa contesta parte dos valores reclamados, alegando que algumas das obras que lhe estão a ser cobradas nem sequer foram realizadas, embora reconheça ter feito intervenções ilegais na habitação.
“Não me podem mandar embora da minha casa”
Em lágrimas, a professora reformada mostrou-se desesperada com a possibilidade de perder a habitação onde espera continuar a viver até ao fim da vida: “Não me podem mandar embora da minha casa com esta idade. Querem que morra”.
A idosa recusou pagar a dívida exigida pelo condomínio, que acabou por recorrer aos tribunais. O processo judicial chegou agora a uma fase em que Maria Teresa corre o risco de ter de sair da casa.
Reforma de 400 euros e explicações para sobreviver
Maria Teresa afirma receber uma reforma de cerca de 400 euros, valor que a obrigou a procurar uma forma adicional de rendimento mesmo perto dos 90 anos. Atualmente, continua a dar explicações de Português para conseguir suportar as despesas.
A reformada pediu apoio judiciário para conseguir defender-se no processo, mas, segundo o relato publicado, a Segurança Social recusou atribuir-lhe um advogado por considerar que a sua situação económica não justificava esse apoio.
A idosa insiste, porém, que precisa de ajuda jurídica para demonstrar que não deve parte das quantias que lhe estão a ser exigidas.
Viveu mais de um ano sem água e gás
A situação familiar já vinha sendo marcada por outras dificuldades. De acordo com o Correio da Manhã, Maria Teresa passou mais de um ano sem água e gás em casa.
O filho, Tiago, contou que chegou a ter de dar banho à mãe utilizando um garrafão de água. Segundo a família, os cortes não aconteceram devido a dívidas aos fornecedores, mas terão resultado de um conflito com outros moradores do prédio.
O apartamento, situado num quarto andar de um edifício sem elevador, apresenta ainda vários problemas, entre os quais infiltrações nas paredes e no teto.
Advogados disponibilizaram-se para ajudar gratuitamente
Depois de o caso se tornar público, surgiu uma nova esperança para Maria Teresa. Vários advogados disponibilizaram-se para defender gratuitamente a reformada, segundo a atualização feita pelo jornal.
A idosa espera agora conseguir travar a perda da casa onde vive há mais de 30 anos e contestar judicialmente os valores que considera não serem devidos.
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