Abrir uma lata de atum, escorrer todo o óleo e deitá-lo fora é um gesto quase automático em muitas casas. No entanto, esse líquido pode conter nutrientes provenientes do próprio peixe e há razões para pensar duas vezes antes de o desperdiçar.
A dietista-nutricionista Julia Farré chamou a atenção para este hábito num vídeo publicado no TikTok, explicando que parte dos ácidos gordos ómega-3 presentes no atum pode passar para o óleo durante o período em que o peixe permanece na conserva.
O detalhe está no ómega-3
O atum contém naturalmente ómega-3, um tipo de gordura polinsaturada presente sobretudo no pescado. Segundo Julia Farré, quando o peixe é conservado em óleo, parte desta gordura acaba por migrar para o líquido que se encontra dentro da lata.
“O atum é um alimento rico em ómega-3, mas o ómega-3 é uma gordura que, ao estar enlatada com o azeite, passa quase toda para o óleo”, explica a especialista, citada pelo jornal espanhol 20minutos.
É precisamente por esse motivo que a nutricionista desaconselha o gesto de escorrer completamente a conserva e deitar imediatamente o óleo fora. Na sua perspetiva, ao fazê-lo está também a desperdiçar parte das gorduras presentes no produto.
A especialista vai mais longe e refere que, quando se consome apenas o atum bem escorrido, a quantidade de ómega-3 aproveitada pode ser consideravelmente inferior à existente inicialmente na conserva.
Não precisa de beber o óleo da lata
A recomendação não significa, porém, que seja necessário consumir diretamente todo o óleo que acompanha o atum. Há formas mais simples de o aproveitar sem acrescentar um passo complicado à refeição.
Uma das sugestões de Julia Farré passa por utilizar esse mesmo óleo para temperar uma salada. Em vez de adicionar posteriormente outro azeite, pode aproveitar o líquido que já estava em contacto com o peixe.
Também pode ser utilizado para temperar legumes ou integrado noutras receitas onde normalmente seria necessário acrescentar gordura. Desta forma, reduz-se o desperdício e aproveita-se melhor o conteúdo da conserva.
Há, contudo, um detalhe importante: nem todas as latas de atum são iguais. O líquido utilizado na conservação pode variar entre produtos, existindo conservas em azeite, noutros óleos vegetais ou até ao natural.
Por isso, antes de decidir aproveitar o líquido, é aconselhável verificar a lista de ingredientes e a informação nutricional presente no rótulo, sobretudo para perceber que tipo de óleo foi utilizado e qual a quantidade de gordura e sal do produto.
O atum em conserva pode fazer parte de uma alimentação variada, mas não deve ser encarado como a única fonte de ómega-3. Outros peixes, sobretudo os peixes gordos, permitem igualmente obter estes ácidos gordos através da alimentação.
Assim, da próxima vez que abrir uma lata de atum em azeite, há um gesto que pode mudar: em vez de mandar imediatamente o óleo pelo ralo, pode reservá-lo e utilizá-lo no próprio prato.
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