Nos últimos dias, os resultados do PISA 2025 voltaram a colocar o desempenho dos alunos portugueses no centro do debate. As pontuações médias caíram significativamente, com Portugal a registar, em matemática e leitura, os resultados mais baixos das últimas duas décadas. Mas há outro indicador que merece particular atenção: a percentagem de alunos que não atinge níveis mínimos de proficiência.
No PISA, considera-se que um aluno tem desempenho insuficiente quando fica abaixo do nível de proficiência 2 em matemática, leitura ou ciência. Este patamar é particularmente relevante porque corresponde, de forma aproximada, ao nível mínimo a partir do qual os alunos conseguem mobilizar conhecimentos e competências para resolver problemas relativamente simples e aplicá-los em diferentes contextos.
Em Portugal, 39% dos alunos de 15 anos apresentam desempenho insuficiente em pelo menos uma das três áreas avaliadas. São quase 4 em cada 10 alunos, uma proporção superior à média da OCDE, de 37%, e uma das mais elevadas entre os países analisados.
O problema torna-se ainda mais evidente quando se observa a acumulação de dificuldades. 17% dos alunos portugueses têm desempenho insuficiente simultaneamente em matemática, leitura e ciência, a mesma percentagem registada na média da OCDE. Outros 9% ficam abaixo do nível mínimo em duas das três áreas e 13% numa delas.
A distância para alguns dos sistemas educativos com melhores resultados é expressiva. No Japão, apenas 20% dos alunos têm desempenho insuficiente em pelo menos uma área. Na Estónia são 21%, na Coreia do Sul 24% e no Reino Unido e na Irlanda 27%.
Este indicador ajuda a revelar uma dimensão que as médias nacionais, por si só, não mostram. Um sistema educativo não deve ser avaliado apenas pela pontuação do aluno médio, mas também pela sua capacidade de garantir que o menor número possível de jovens fica para trás.
Os resultados do PISA 2025 mostram que esse continua a ser um dos grandes desafios da educação em Portugal.

- Os factos vistos à lupa por André Pinção Lucas e Juliano Ventura – Uma parceria do POSTAL com o Instituto +Liberdade
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