Um terço da população residente em Portugal com 15 ou mais anos, correspondente a 33,2%, consumiu medicamentos não prescritos em 2025, uma prática particularmente frequente entre os jovens e no Algarve, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta terça-feira.
Os resultados do Inquérito Nacional de Saúde 2025 (INS 2025) mostram que, entre a população dos 15 aos 34 anos, o consumo de medicamentos sem receita assumiu maior expressão quando comparado com a utilização de fármacos prescritos.
No grupo etário dos 25 aos 34 anos, 38,6% dos inquiridos disseram ter tomado medicamentos não prescritos nas duas semanas anteriores à entrevista, enquanto 33,9% referiram ter consumido medicamentos prescritos, indica o inquérito, divulgado na véspera do Dia do Serviço Nacional de Saúde.
Já entre os 35 e os 44 anos registou-se a percentagem mais elevada de consumo de medicamentos sem receita, com 40,4%, valor muito próximo dos 40,7% observados no consumo de fármacos prescritos na mesma faixa etária.
Algarve apresenta a maior proporção do país
Por regiões, o Algarve apresentou a maior proporção de população com 15 ou mais anos que referiu ter consumido medicamentos não prescritos em 2025, com 38,6%. Seguiu-se a Grande Lisboa, com 38% e o Alentejo (26,2%).
“Apesar das diferenças regionais, o consumo de medicamentos prescritos foi superior ao de medicamentos não prescritos em todas as regiões do país”, sublinha o INE,
A hipertensão arterial e o colesterol ou triglicéridos eram as doenças mais associadas ao consumo habitual de medicamentos prescritos pela população com 15 ou mais anos: 27% e 24,4%, respetivamente. Uma proporção significativa da população consumia habitualmente medicamentos para o tratamento da insónia (14,7%), ansiedade (12,1%) e da depressão (9,3%).
Consultas variam com idade e escolaridade
Os dados também indicam que 62,6% dos inquiridos que disseram ter estado internados nos 12 meses anteriores à entrevista tinham 55 ou mais anos e mais de 80% da população idosa, sem escolaridade e reformada, disse ter tido pelo menos uma consulta de medicina geral e familiar no último ano, contra 56% das pessoas dos 15 aos 24 anos.
As consultas de outra especialidade (exceto com dentista) também foram tendencialmente mais frequentes na população mais idosa.
Pelo contrário, a proporção da população que consultou um dentista no último ano diminui à medida que a idade aumenta (superior a 70% dos 15 aos 24 anos e inferior 60% a partir dos 55 anos) e aumenta com o nível de escolaridade: 76,7% da população com ensino superior consultou um dentista no período de referência.
As consultas com psiquiatras, psicólogos ou psicoterapeutas, por um lado, e com fisioterapeutas, cinesioterapeutas, quiropráticos ou osteopatas, por outro lado, assumem menor frequência em todos os segmentos populacionais analisados em comparação com os outros tipos de consulta.
Ainda assim, os resultados revelam que o grupo etário que mais recorreu a ambos os tipos de consulta foi o das pessoas dos 25 aos 34 anos: 24,4% e 19,3%, respetivamente, adianta o INE.
Prevenção, saúde reprodutiva e faltas ao trabalho
A nível dos cuidados preventivos, o INE revela que 51,4% da população com 50 ou mais anos realizou uma colonoscopia nos 10 anos anteriores à entrevista, valor que aumenta com o nível de escolaridade, atingindo 55,9% na população com ensino superior.
Aponta também que 79,7% das mulheres dos 50 aos 69 anos realizaram uma mamografia nos dois anos anteriores e 65,7% das mulheres dos 20 aos 69 anos realizaram uma citologia cervical nos últimos três anos.
A nível da saúde reprodutiva, o INE concluiu que a pílula é o método contracetivo mais utilizado, tendo sido referido por 61,5% das mulheres dos 15 aos 55 anos que usaram um método contracetivo nos 30 dias anteriores à entrevista.
Quanto à ausência laboral por motivos de saúde, o INE revela que 32,8% das mulheres empregadas faltou pelo menos um dia nos 12 meses anteriores à entrevista, valor que desceu para 29,8% nos homens.
O INS 2025 foi realizado pelo INE, com base numa amostra representativa de 22.000 alojamentos de todo o país.
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