Arsenio conseguiu recuperar o apartamento em Getafe, nos arredores de Madrid, depois de ter passado meses a viver num quarto arrendado por 200 euros mensais. O proprietário, apresentado pelo canal espanhol Telemadrid com 84 anos numa reportagem de fevereiro, pretendia regressar à habitação, mas enfrentava um conflito com o inquilino. “Nunca pensei que me fossem fazer isto”, afirmou, numa história cujo desfecho foi divulgado pela estação televisiva a 9 de setembro.
O caso foi divulgado pela primeira vez no programa Madrid Directo, da Telemadrid, a 27 de fevereiro. Na altura, Arsenio dizia não conseguir pagar os 800 ou 900 euros pedidos por outras casas com a sua pensão e explicou que um familiar lhe tinha alugado um quarto com acesso à cozinha.
Proprietário denunciou rendas em falta desde abril de 2025
Arsenio tinha arrendado o apartamento em 2017 e, segundo contou à estação televisiva, os pagamentos decorreram sem problemas até abril de 2025. Na reportagem de fevereiro, afirmava ter cerca de 5.000 euros de rendas por receber, a que se somavam mais de 2.000 euros de despesas de eletricidade.
O proprietário explicou que tinha saído da casa devido a problemas de saúde da mulher e se mudara para uma habitação arrendada em Seseña, onde vivem as filhas. Quando a senhoria lhe pediu essa casa de volta, deixou-a e procurou regressar ao apartamento de Getafe. Segundo o seu relato, o inquilino recusava-se a sair.
Ouvido pela própria Telemadrid numa reportagem de 2 de março, o arrendatário apresentou uma versão diferente. Afirmou que o proprietário se recusava a receber as rendas e sustentou que tinha um contrato válido até setembro de 2027. Disse ainda que tinham existido conversações para comprar o apartamento, das quais Arsenio teria recuado.
Proprietário relatou uma ameaça contestada pelo inquilino
O proprietário contou ainda que entregou uma carta ao arrendatário a comunicar-lhe que precisava da casa. Segundo o idoso, o homem recusou assinar o documento e respondeu que apenas sairia quando encontrasse outra habitação que considerasse adequada.
O proprietário afirmou ter ficado com medo depois de avisar que o genro poderia deslocar-se ao local para falar com o inquilino. “Se aqui vier alguém que não sejas tu, pego numa adaga e corto-lhe o pescoço”, terá respondido o homem, segundo o testemunho de Arsenio à Telemadrid.
O inquilino negou, porém, as ameaças numa entrevista publicada a 10 de março pela Getafe Central Televisión. Segundo a mesma fonte, invocou uma sentença absolutória relativa às acusações de ameaças. Na mesma entrevista, reiterou que pretendia pagar, mas que o senhorio não lhe facultava os dados bancários necessários.
“Trabalhei 15 ou 16 horas por dia”
A impossibilidade de regressar à casa alterou a rotina do idoso. Arsenio explicou que passou a viver num quarto, pagando 200 euros por mês, e que levava a roupa a uma lavandaria para não a lavar na habitação onde estava instalado.
A situação era particularmente difícil para quem dizia ter trabalhado grande parte da vida para garantir alguma estabilidade na reforma. “Trabalhei 15 ou 16 horas por dia para poder viver no fim um pouco bem e agora ter de estar assim é terrível”, afirmou, emocionado, numa das primeiras reportagens sobre o caso.
Caso tornou-se conhecido e vizinhos mobilizaram-se
Depois da divulgação da história, Arsenio recebeu mensagens de apoio e ofertas de ajuda de pessoas que não conhecia. A 2 de março, a Telemadrid noticiou uma concentração de vizinhos junto ao imóvel, em solidariedade com o proprietário.
Na reportagem de 9 de setembro, a estação voltou a encontrar Arsenio, desta vez dentro da própria casa. Preparava a limpeza e a mudança para poder regressar definitivamente. “Agora entra-se bem com a chave”, disse ao atravessar a porta. A notícia não esclarece, contudo, em que condições ocorreu a saída do inquilino nem como foi resolvido o conflito.
Recuperação divulgada mais de seis meses depois
O idoso reconheceu a importância do apoio recebido durante os meses em que ficou afastado da habitação. “Há maus, mas há muitos mais bons. É isso que ajuda a continuar a lutar”, afirmou, agradecendo às pessoas que acompanharam o caso e aos vizinhos que se mobilizaram.
A recuperação da casa foi divulgada mais de seis meses depois da reportagem de 27 de fevereiro. Arsenio preparava então o regresso definitivo ao apartamento, depois de ter encontrado num quarto de 200 euros uma alternativa compatível com a sua pensão.















