A campanha de citrinos no Algarve deverá render menos do que os produtores esperavam, devido à subida dos combustíveis e ao aumento das importações de países exteriores à União Europeia, segundo a Algarorange – Associação de Operadores de Citrinos do Algarve.
Em declarações à Lusa, a vice-presidente da associação, Diana Ferreira, explicou que os resultados da campanha, iniciada em 1 de outubro de 2025 e com conclusão prevista para 30 de setembro, ainda estão a ser apurados.
“Nós ainda não temos a estimativa final, porque como a campanha ainda não terminou, ainda não conseguimos dar valores concretos”, afirmou. A expectativa apontava para uma produção semelhante à da campanha anterior, na ordem das 320 mil toneladas de citrinos.
Combustíveis agravam custos e reduzem consumo
A campanha começou com uma “expectativa bastante elevada” quanto aos preços a que produtores e operadores esperavam vender. Embora o arranque não tenha sido negativo, as dificuldades foram surgindo ao longo do ano, recordou Diana Ferreira.
Na avaliação da dirigente, a subida dos combustíveis teve o maior impacto, tanto pelo aumento dos custos de produção como pela redução do dinheiro disponível para o consumo das famílias.
“As pessoas gastam mais dinheiro no combustível e […], depois, o consumo acaba por retrair”, explicou. A responsável associa este agravamento sobretudo ao período que se seguiu ao início da intervenção militar de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, apontando consequências diretas e indiretas para a atividade citrícola algarvia.
Fruta do Egito e da África do Sul pressiona preços
Outro fator identificado pela Algarorange foi “um aumento muito grande das importações, principalmente do Egito e da África do Sul”, sobretudo a partir de abril e maio.
Segundo Diana Ferreira, as dificuldades destes países em escoar fruta para o Médio Oriente levaram a um reforço das vendas ao mercado europeu.
“Como não foi possível para estes países escoar em simultâneo para a Europa e para o Médio Oriente, devido à crise que temos no estreito de Ormuz, acabaram por escoar praticamente toda a sua produção para o continente europeu”, afirmou.
A dirigente considera que esse aumento da oferta fez baixar os preços, afetando também os citrinos de outras origens, incluindo os portugueses.
Associação pede condições de concorrência mais equilibradas
A vice-presidente da Algarorange defendeu a necessidade de informar os consumidores para “defender a produção do Algarve”, associando a escolha de fruta regional ou nacional a questões de sustentabilidade ambiental.
Na sua perspetiva, existem diferenças importantes entre as práticas agrícolas permitidas na Europa e as utilizadas nos países de origem de parte das importações.
“Temos práticas culturais muito diferentes daquelas que são permitidas nesses países, nomeadamente também na aplicação de determinadas substâncias ativas que a Europa proíbe, mas que depois acabamos por receber produtos que as utilizam”, sustentou.
Diana Ferreira apontou ainda diferenças nos custos da mão de obra e no impacto das importações na balança comercial, apelando a um maior controlo da entrada de produtos e a condições de concorrência mais equilibradas.
“E o governo português, mas também europeu, terá de pensar como pode controlar melhor aquilo que entra, tornar mais justo e colocar-nos todos em pé de igualdade”, afirmou.
A responsável adiantou que, das cerca de 320 mil toneladas de produção perspetivadas para o Algarve, entre 35% e 40% se destinam à exportação.
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