Os preços da eletricidade no mercado regulado vão ser atualizados já no início de outubro. A decisão foi tomada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que aprovou uma subida de 5 euros por MWh na tarifa de Energia, com efeitos a partir de 1 de outubro de 2026.
Esta alteração traduz-se, segundo os cálculos do regulador, num aumento médio de aproximadamente 2,7% na fatura dos clientes domésticos em Baixa Tensão Normal abrangidos pelo mercado regulado. Com esta revisão, a variação média dos preços em 2026 passa de 1% para 1,7%.
Casal sem filhos passa a pagar mais 95 cêntimos
Para mostrar o impacto da atualização, a ERSE apresentou simulações para dois dos perfis residenciais mais representativos.
Um casal sem filhos, com potência contratada de 3,45 kVA e consumo anual de 1.900 kWh, deverá passar de uma fatura média de 36,82 euros para 37,77 euros por mês. São mais 0,95 euros mensais, correspondentes a uma subida de cerca de 2,6%.
Já num casal com dois filhos, com uma potência contratada de 6,9 kVA e um consumo anual de 5.000 kWh, a fatura média passa dos 95,03 euros para 97,73 euros. Neste caso, são mais 2,70 euros por mês, o equivalente a um aumento próximo de 2,8%.
Porque é que a eletricidade vai subir agora?
A atualização resulta do mecanismo de revisão trimestral previsto no Regulamento Tarifário. A ERSE tinha inicialmente considerado para 2026 um custo médio de aquisição de energia pelo Comercializador de Último Recurso de 77,84 euros por MWh. A estimativa mais recente subiu para 95,43 euros por MWh, uma diferença de 17,59 euros.
Como o desvio ultrapassou o limite de 10 euros por MWh definido nas regras tarifárias, foi acionado o mecanismo que determina uma atualização de 5 euros por MWh na tarifa de Energia.
O mercado grossista também registou uma subida significativa ao longo de 2026. Em agosto, o preço médio da eletricidade no mercado spot chegou aos 164,82 euros por MWh, o valor mais elevado do período analisado pela ERSE.
Todos os clientes vão pagar mais?
Não necessariamente. A atualização incide diretamente sobre os preços de energia do mercado regulado, onde a tarifa de Energia e a tarifa de Comercialização são definidas pela ERSE. No mercado livre, estas componentes são determinadas por cada comercializador e dependem das respetivas condições comerciais e estratégias de compra de energia.
No entanto, há uma parte da fatura que é comum aos dois mercados: as tarifas de Acesso às Redes, fixadas pela ERSE e pagas por todos os consumidores, independentemente de terem contrato no mercado regulado ou liberalizado.
Mercado livre estava mais barato em agosto
Na análise feita pelo regulador, o preço médio do mercado livre mantinha-se, em agosto, abaixo do mercado regulado, considerando as ofertas mais competitivas de cada comercializador.
A própria ERSE disponibiliza um simulador oficial de preços de energia, onde os consumidores podem comparar as ofertas existentes de acordo com o consumo e potência contratada da sua casa.
Com a atualização de outubro, a ERSE estima que o mercado regulado perca algumas posições quando comparado com as ofertas comerciais mais competitivas disponíveis no mercado livre.
Novos preços entram em vigor a 1 de outubro
A atualização foi aprovada através da Diretiva ERSE n.º 4/2026, de 15 de setembro, e altera parcialmente as tarifas definidas no início do ano.
Os novos valores aplicam-se a partir de 1 de outubro de 2026, tanto em Portugal continental como nas regiões autónomas, incluindo também as tarifas sociais e outras situações de fornecimento regulado abrangidas pela decisão.
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