Uma nova espécie de aranha descoberta nos Himalaias indianos está a chamar a atenção dos cientistas por um detalhe invulgar: algumas das suas marcas nas costas parecem formar uma espécie de sorriso. A espécie foi identificada em Uttarakhand, no norte da Índia, e recebeu o nome científico Theridion himalayana, numa referência à região montanhosa onde foi encontrada.
A descoberta foi publicada na revista científica Evolutionary Systematics e descreve uma aranha pequena, colorida e com padrões que fazem lembrar a famosa “happy-face spider” do Havai. Até agora, estas aranhas com aparência sorridente eram sobretudo associadas às ilhas havaianas, mas este novo estudo mostra que um grupo semelhante também existe nos Himalaias.
Nova espécia de aranha foi descoberta quase por acaso
Segundo os investigadores, a descoberta aconteceu durante trabalhos de campo que, inicialmente, nem sequer tinham como foco principal as aranhas. Devi Priyadarshini, uma das autoras do estudo, explicou que a investigação estava relacionada com formigas, mas as imagens enviadas pelo coautor Ashirwad Tripathy, recolhidas em zonas de altitude, acabaram por revelar um exemplar com uma aparência inesperada.
A investigadora contou que reconheceu de imediato a semelhança com a aranha havaiana de “cara feliz”, que já conhecia dos seus estudos. A partir desse momento, foram recolhidos mais exemplares e diferentes padrões, o que levou à descrição formal desta nova espécie encontrada nos Himalaias ocidentais.
Nova espécie tem 32 variações de cor
Um dos aspetos mais curiosos desta aranha é a grande variedade de padrões encontrados. O estudo identificou 32 variações de cor, ou “morfos”, em exemplares recolhidos em três locais de Uttarakhand: Makku, Tala e Mandal. As marcas surgem em combinações de vermelho, preto e branco, criando desenhos diferentes no dorso do animal.
Em alguns exemplares, essas marcas fazem lembrar um rosto sorridente, o que explica a comparação com a chamada aranha de “cara feliz” do Havai. Ainda assim, os investigadores sublinham que não se trata da mesma espécie, mas de uma nova linhagem asiática, agora descrita cientificamente como Theridion himalayana.
Análises de ADN confirmaram diferença da aranha do Havai
Apesar da semelhança visual, as análises genéticas revelaram uma diferença de cerca de 8,5% em relação à aranha havaiana Theridion grallator. Para os autores, esse dado confirma que a aranha dos Himalaias é uma espécie distinta e que terá evoluído de forma independente na Ásia.
Esta conclusão torna a descoberta particularmente interessante para a biologia evolutiva, porque mostra como padrões semelhantes podem surgir em locais muito distantes. O caso levanta novas perguntas sobre a evolução das cores, das marcas corporais e das estratégias de sobrevivência destes pequenos aracnídeos.
Por que tem a aranha uma “cara feliz”?
Apesar do aspeto curioso, os cientistas ainda não sabem exatamente qual é a função destas marcas. Devi Priyadarshini explicou que a origem deste polimorfismo é complexa e que os padrões podem ajudar esta espécie nova a sobreviver no ambiente natural, mas o papel concreto destas “caras” no ciclo de vida da aranha continua por esclarecer.
Os autores admitem que o fenómeno pode esconder uma explicação genética mais profunda. A presença de diferentes padrões no mesmo grupo de aranhas poderá estar relacionada com camuflagem, defesa contra predadores ou outros fatores ecológicos que ainda terão de ser estudados com mais detalhe.
Encontrada a mais de 2.000 metros de altitude
O nome himalayana foi escolhido como homenagem aos Himalaias, uma região conhecida pela sua enorme diversidade biológica. Segundo os investigadores, os exemplares foram encontrados em zonas de montanha acima dos 2.000 metros de altitude, em ambientes com vegetação diferente da que existe nas planícies.
Os cientistas referem ainda que estas aranhas foram frequentemente observadas em plantas de gengibre do género Hedychium, uma ligação que também despertou curiosidade por haver paralelos com espécies havaianas. Para já, essa relação continua em aberto e poderá ser uma das linhas de investigação futura.
Descoberta pode abrir caminho a novas investigações
A descoberta da aranha com “cara feliz” nos Himalaias mostra que ainda há muito por conhecer em regiões montanhosas e pouco estudadas. Para os autores, esta nova espécie pode ajudar a perceber melhor como certos padrões visuais evoluem e como pequenos animais se adaptam a habitats de altitude.















