A reta final de agosto poderá trazer uma mudança significativa no estado do tempo em Portugal, depois de várias semanas marcadas pelo calor e por condições tipicamente estivais. As previsões apontam para a aproximação de uma massa de ar mais frio em altitude, que deverá aumentar a instabilidade atmosférica e criar condições para o regresso da chuva e das trovoadas em várias regiões do território, segundo aponta o site especializado Meteo Mira.
Esta alteração deverá tornar-se mais evidente à medida que o mês avança, com uma reorganização da circulação atmosférica no Atlântico Norte e o reforço do anticiclone na região dos Açores.
A configuração favorecerá a entrada de ar proveniente de norte sobre a Península Ibérica, contribuindo para uma descida gradual das temperaturas e para o reforço da nortada em Portugal continental.
Ao mesmo tempo, poderá aumentar a presença de nebulosidade baixa e de nevoeiros junto ao litoral, fenómeno que também poderá fazer-se sentir pontualmente no Algarve e contribuir para temperaturas mais baixas em algumas zonas.
Mudança deverá tornar-se mais evidente depois de dia 20
Sobretudo depois de 20 de agosto, a circulação atmosférica deverá favorecer temperaturas menos elevadas em várias regiões do país.
A previsão está relacionada com a presença de baixas pressões sobre o noroeste da Europa, nomeadamente nas proximidades das Ilhas Britânicas e de França, enquanto o anticiclone deverá ganhar força mais a oeste, junto aos Açores.
Esta disposição dos principais centros de pressão poderá facilitar a entrada de uma corrente de norte sobre a Península Ibérica. O resultado será um ambiente progressivamente mais fresco, embora o calor possa continuar a fazer-se sentir sobretudo nas regiões do interior.
Massa de ar frio pode aumentar instabilidade no final de agosto
A mudança mais significativa poderá, contudo, chegar durante os últimos dias do mês. As previsões apontam para a possibilidade de uma área de ar frio nos níveis mais altos da atmosfera avançar desde a região da Madeira em direção à Península Ibérica.
O contraste entre este ar mais frio em altitude e o calor acumulado junto à superfície poderá favorecer o desenvolvimento de instabilidade atmosférica.
Será sobretudo nos últimos cinco dias de agosto, aproximadamente a partir de 27 de agosto, que aumentará a possibilidade de formação de aguaceiros e trovoadas em Portugal continental. Por se tratar de uma previsão a vários dias de distância, a localização e intensidade dos fenómenos ainda poderão sofrer alterações.
Norte e Centro entre as regiões com maior probabilidade de chuva
A instabilidade deverá ser mais provável nas regiões Norte e Centro, sobretudo nas zonas do interior. De acordo com a mesma fonte, também o interior da região Sul poderá registar alguns episódios de aguaceiros ou trovoada, embora a probabilidade seja, para já, inferior à prevista para o Norte e Centro do território.
Este tipo de situação é característico de episódios de instabilidade no final do verão, quando a presença de ar frio em altitude encontra temperaturas ainda elevadas à superfície.
A aproximação de setembro coincide também com o fim do verão climatológico, que termina a 31 de agosto, e com uma altura em que começam a tornar-se mais frequentes alterações na circulação atmosférica.
Madeira também poderá receber mais precipitação
A Madeira poderá igualmente sentir os efeitos desta configuração atmosférica. A previsão aponta para maior probabilidade de precipitação, sobretudo nas vertentes norte e nas terras altas, acompanhada por um reforço do vento de norte ou nordeste.
Nos Açores, pelo contrário, o reforço do anticiclone deverá favorecer inicialmente condições mais secas e quentes. Ainda assim, durante os últimos dias de agosto poderá voltar a aumentar a humidade e a possibilidade de alguma precipitação no arquipélago.
Para Portugal continental, o cenário mais relevante concentra-se, assim, na reta final do mês, quando a chegada de ar mais frio em altitude poderá devolver chuva e trovoadas sobretudo ao Norte, Centro e zonas do interior.
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