O vírus Shamonda, que afeta principalmente bovinos, foi identificado pela primeira vez na Península Ibérica, depois de Espanha ter confirmado a presença da infeção em explorações pecuárias. Perante os novos casos, foi pedido um reforço da vigilância epidemiológica, numa altura em que o vírus já circula em vários países europeus.
Segundo a agência de notícias Lusa, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária confirmou na última quinta-feira, 24 de setembro, que Espanha comunicou a deteção do vírus em explorações bovinas, naquela que constitui a primeira identificação desta infeção na Península Ibérica. A presença do Shamonda já tinha sido confirmada noutros países da UE.
Transmissão acontece através da picada de insetos
O vírus não se transmite, de forma significativa, diretamente entre animais. Segundo a mesma fonte, a principal via de transmissão ocorre através da picada de insetos pertencentes ao género Culicoides, que funcionam como vetores da infeção.
Há, contudo, outra possibilidade de transmissão que preocupa sobretudo durante a gestação. A Lusa refere que uma fêmea infetada pode transmitir o vírus ao feto através da placenta, situação conhecida como transmissão vertical.
Bovinos são os animais mais afetados
A infeção atinge principalmente os bovinos, embora ovinos e caprinos também possam ser suscetíveis. Nestes últimos, porém, a presença do vírus pode ocorrer sem que sejam observados sinais clínicos evidentes.
Nos bovinos com infeção aguda, podem surgir sintomas como febre e diarreia, além de uma diminuição da produção de leite. Segundo a mesma fonte, a quebra na produção leiteira pode situar-se entre 10% e 20% nos animais afetados.
Maioria dos animais adultos recupera
Apesar de poder atingir um número elevado de animais dentro das explorações, a infeção não significa necessariamente consequências graves para todos os bovinos. A agência noticiosa indica que, embora a morbilidade possa ser elevada, a maioria dos animais adultos acaba por recuperar.
A situação pode, no entanto, ser diferente quando estão em causa fêmeas gestantes. O vírus pode atravessar a placenta e chegar ao feto, aumentando o risco de aborto ou do aparecimento de malformações congénitas.
O Shamonda não é um vírus desconhecido. Foi identificado pela primeira vez na Nigéria durante a década de 1960 e, posteriormente, voltou a ser detetado de forma esporádica noutros pontos de África e também no Japão. Este ano, uma variante foi identificada na Europa Central. A primeira deteção europeia ocorreu na Suíça no final de julho, seguindo-se novos registos noutros países.
Casos já foram encontrados em vários países europeus
Além de Espanha e Suíça, o vírus já foi identificado em França, na Alemanha, Áustria, Bélgica, nos Países Baixos, no Liechtenstein e em Itália. A confirmação em território espanhol levou agora a infeção até à Península Ibérica.
Perante a expansão geográfica registada nos últimos meses, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária pediu um reforço da vigilância epidemiológica, sobretudo junto das explorações com bovinos. A evolução dos casos continuará, assim, a ser acompanhada depois da primeira identificação da infeção na Península Ibérica.
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