A Singapore Airlines lidera a classificação das melhores companhias aéreas do mundo para viajar em classe económica em 2026, seguida pela Cathay Pacific, Qatar Airways, EVA Air e ANA All Nippon Airways. Numa análise aos World Airline Awards da Skytrax, a BBC identifica as características que distinguem estas cinco transportadoras, desde a largura dos assentos à qualidade das refeições e à atenção das tripulações.
Os prémios baseiam-se no inquérito anual de satisfação da Skytrax, que pede aos passageiros para avaliarem a experiência nos aeroportos e a bordo. Está em causa a qualidade da classe económica, não uma comparação de tarifas ou uma classificação de companhias de baixo custo.
“Na classe económica, os centímetros e os pequenos detalhes contam”, afirma Gary Leff, fundador do site View from the Wing, dedicado a passageiros frequentes, citado pela BBC. O espaço, explica, é o recurso mais caro num avião, mas algumas transportadoras dedicam uma parcela maior desse recurso — e mais atenção — aos passageiros desta classe.
Singapore Airlines ganha na largura dos assentos e nas refeições
A primeira classificada apresenta uma diferença que pode tornar-se importante num voo longo. Nos seus Boeing 777-300ER, a Singapore Airlines distribui os lugares por filas de nove assentos, numa configuração de três grupos de três. Muitas companhias que utilizam o mesmo modelo de avião colocam dez assentos por fila.
“Isso significa mais largura para cada passageiro”, salienta Leff. A diferença sente-se sobretudo nos ombros e nas ancas, quando é necessário partilhar o espaço dos apoios de braços durante várias horas.
A Singapore Airlines também ficou em primeiro lugar na avaliação das refeições em classe económica. Lachlan Hyde, piloto, comentador do setor da aviação e presidente da Royal Federation of Aero Clubs of Australia, destaca ainda o apoio de cabeça ajustável, o sistema de entretenimento KrisWorld e a consistência do serviço, características que descreve como um “conjunto completo”.
Há também pormenores práticos, como uma barra para apoiar os pés e um suporte próprio para o copo. Este último permite libertar espaço na mesa durante uma refeição ou enquanto o passageiro utiliza um computador ou telemóvel.
Cathay Pacific alia serviço da tripulação a tecnologia
A Cathay Pacific ocupa o segundo lugar na classificação de classe económica e reúne boas avaliações em diferentes componentes da viagem. Ficou em quarto lugar nos assentos, em terceiro nas refeições desta classe e também em terceiro no entretenimento a bordo. A Skytrax distinguiu-a ainda como a companhia com a melhor tripulação de cabina do mundo em 2026.
Para Leff, a forma como o passageiro é tratado pode ser tão importante como as dimensões do assento. “O simples facto de ser tratado como uma pessoa e um cliente, em vez de carga que embarca sozinha, pode fazer a diferença numa viagem em económica”, afirma.
O especialista aponta a manutenção das casas de banho como exemplo de um cuidado que ganha importância ao longo de um voo prolongado. Nas companhias com tripulações atentas, explica, é mais provável que as instalações se mantenham em condições de utilização durante toda a viagem.
A tecnologia é outro elemento destacado por Hyde. “Nos aviões mais recentes ou remodelados, a classe económica inclui funcionalidades como ecrãs 4K, áudio por Bluetooth e melhores espaços de arrumação, além de uma oferta de entretenimento particularmente forte”, refere.
Qatar Airways aposta na ligação à Internet
A Qatar Airways surge em terceiro lugar na classificação de classe económica, embora ocupe a sexta posição na avaliação específica dos assentos. A análise da BBC mostra, assim, que uma experiência mais bem avaliada não depende apenas do espaço disponível.
Uma das apostas da transportadora é a conectividade. A companhia tem vindo a instalar o sistema Starlink na sua frota de aviões de fuselagem larga, incluindo Boeing 777, Airbus A350 e Boeing 787.
Nos aparelhos equipados, esta tecnologia permite navegar na Internet, assistir a conteúdos em streaming e realizar videochamadas com maior rapidez do que as gerações anteriores de Wi-Fi a bordo.
“Os investimentos que contam em toda a cabina ganham importância acrescida na classe económica”, considera Leff. O especialista assinala que várias companhias estão a adotar ligações por satélites de órbita terrestre baixa, com efeitos na forma como os passageiros ocupam o tempo durante a viagem.
Quando o Starlink está disponível, deixam de depender exclusivamente de conteúdos descarregados antes do embarque ou do sistema de entretenimento do avião, podendo manter o acesso a mensagens, trabalho e serviços de streaming.
EVA Air destaca-se pelo conforto e pela alimentação
Na quarta posição, a EVA Air distingue-se pelo desenho dos assentos e pela qualidade das refeições. Para Hyde, a transportadora de Taiwan “destaca-se menos por uma funcionalidade de grande impacto e mais por um conforto pensado ao pormenor”.
Os apoios de cabeça ajustáveis e os assentos ergonómicos procuram proporcionar maior suporte ao corpo em viagens prolongadas. Em alguns aviões, a base do assento desloca-se ligeiramente quando o encosto reclina.
O acolchoamento e o desenho dos apoios de cabeça também são concebidos para reduzir a pressão associada a longos períodos na posição sentada.
Na alimentação, os menus de classe económica incluem regularmente pratos de Taiwan e de outras cozinhas asiáticas. A EVA Air ficou em segundo lugar nesta categoria dos prémios Skytrax, atrás da Singapore Airlines.
ANA oferece mais espaço entre filas em certas configurações
A ANA All Nippon Airways fecha o grupo das cinco primeiras e tem no espaço entre filas uma das vantagens de alguns dos seus aviões.
Várias configurações dos Boeing 787-9 da companhia oferecem uma distância entre filas de até 34 polegadas, aproximadamente 86 centímetros. A BBC compara este valor com as 31 a 32 polegadas — cerca de 79 a 81 centímetros — comuns em muitas cabinas de classe económica de longo curso.
A diferença pode traduzir-se em mais espaço junto aos joelhos e maior liberdade de movimentos quando o passageiro da frente reclina o assento.
Alguns Boeing 787-9 da ANA incluem ainda apoios para os pés, apoios de cabeça ajustáveis, ecrãs de entretenimento maiores, carregamento USB-C e áudio por Bluetooth.
A reportagem deixa, porém, uma ressalva: a experiência varia consoante o avião. Algumas configurações dos Boeing 787-8 têm menor distância entre filas, pelo que os passageiros para quem este fator é decisivo devem consultar o modelo e o mapa de lugares antes de reservar.
A ANA ficou também em quinto lugar na avaliação dos assentos de classe económica e em sétimo nas refeições.
Consistência pesa mais do que uma única característica
Depois destas cinco transportadoras, a classificação de classe económica da Skytrax prossegue, por esta ordem, com Japan Airlines, Hainan Airlines, Turkish Airlines, STARLUX Airlines e Delta Air Lines.
Entre as primeiras classificadas, a análise da BBC identifica um traço comum: o bom desempenho em várias componentes da viagem, em vez da dependência de uma única característica.
“Na classe económica, ganha-se pela consistência”, resume Hyde. “O assento tem de ser confortável, o serviço atencioso, a comida valer a pena e o entretenimento ser suficientemente bom para que os passageiros não passem dez horas a pensar no facto de estarem sentados em económica.”
As 10 melhores companhias aéreas do mundo em classe económica em 2026, segundo a Skytrax
- Singapore Airlines
- Cathay Pacific Airways
- Qatar Airways
- EVA Air
- ANA All Nippon Airways
- Japan Airlines
- Hainan Airlines
- Turkish Airlines
- STARLUX Airlines
- Delta Air Lines
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