Os automóveis elétricos podem afinal revelar-se mais fiáveis do que os modelos a gasolina à medida que envelhecem e acumulam quilómetros. A conclusão surge de uma análise baseada em milhões de inspeções periódicas obrigatórias realizadas no Reino Unido, que aponta para uma tendência clara: depois de ultrapassados determinados níveis de utilização, os veículos elétricos registam menos avarias do que os seus equivalentes com motor de combustão.
De acordo com a Associação Britânica de Aluguer e Leasing de Veículos (BVRLA), organização ligada ao setor do aluguer automóvel e da gestão de frotas, a análise de 47,4 milhões de inspeções MOT concluiu que os elétricos se tornam significativamente menos propensos a falhas mecânicas à medida que os quilómetros se acumulam. O estudo comparou veículos de idade e utilização semelhantes, permitindo observar a evolução da fiabilidade ao longo da vida útil de cada tecnologia.
Numa fase inicial, as diferenças são praticamente residuais. Entre os 32 mil e os 64 mil quilómetros, as taxas de avarias encontradas nas inspeções situaram-se em 12% para os elétricos e em 11,7% para os automóveis a gasolina. Em termos práticos, os resultados mostram que os dois tipos de motorização apresentam comportamentos muito semelhantes quando ainda têm uma utilização relativamente reduzida.
Quando os quilómetros começam a fazer a diferença
O cenário altera-se a partir dos 96 mil quilómetros. É nesse patamar que a curva de avarias dos automóveis elétricos começa a estabilizar, enquanto a dos modelos a gasolina continua a subir de forma gradual.
Os dados analisados indicam que, entre os 145 mil e os 193 mil quilómetros, os veículos elétricos apresentam uma probabilidade de avaria cerca de 25% inferior à dos automóveis a gasolina comparáveis em idade e utilização. Trata-se de uma diferença relevante, sobretudo num momento em que muitos compradores continuam a associar os elétricos a dúvidas em matéria de durabilidade.
A tendência também se faz sentir quando se observa a permanência dos veículos em circulação. Aos 15 anos de idade, mais de 94% dos elétricos regressaram para uma inspeção obrigatória nos 30 meses seguintes. Entre os automóveis a gasolina, essa percentagem fica pouco acima dos 88%.
A leitura destes números sugere que menos veículos elétricos abandonam as estradas ao longo do tempo. Ainda assim, existe uma ressalva importante: alguns automóveis podem deixar de aparecer nas estatísticas por terem sido exportados, não significando necessariamente que foram abatidos ou retirados de circulação por motivos técnicos.
Nem tudo joga a favor dos elétricos
Apesar da vantagem observada na fiabilidade global, os modelos elétricos não apresentam melhores resultados em todos os componentes.
Os pneus destacam-se como um dos principais pontos de atenção. As inspeções revelaram cerca de 1,8 vezes mais problemas relacionados com este elemento. O peso acrescido de muitos veículos elétricos e algumas características das primeiras gerações poderão ajudar a explicar esta diferença.
Já nos sistemas de suspensão, o comportamento foi mais favorável aos elétricos, que registaram menos falhas. O mesmo aconteceu com os travões nos veículos de maior quilometragem. Ainda assim, os automóveis elétricos mais antigos e com poucos quilómetros percorridos tendem a apresentar mais defeitos nos travões de fricção, uma consequência frequentemente associada à menor utilização desse sistema devido à travagem regenerativa.
A grande dúvida continua fora da equação
Há, porém, uma limitação importante nesta análise. As inspeções MOT não avaliam a degradação da bateria, o componente mais crítico e mais caro de substituir num automóvel elétrico. O foco destas verificações está sobretudo em elementos com impacto direto na segurança rodoviária, como travões, direção, suspensão, iluminação e pneus.
Ainda assim, os dados disponíveis sobre baterias sugerem uma degradação mais lenta do que muitos consumidores receavam há alguns anos. Um índice de desempenho que analisou 8.000 veículos de mais de 30 marcas concluiu que, entre os oito e os 12 anos de idade, a saúde mediana das baterias se situava nos 85%. Segundo a mesma fonte, esta realidade ajuda a explicar por que razão um número crescente de veículos elétricos continua a permanecer em circulação durante períodos mais longos do que o esperado.
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