Os turistas portugueses têm sido determinantes para o crescimento do setor em Portugal e no Algarve e devem continuar a ser uma prioridade, defende Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP).
Em entrevista à Lusa a propósito do Dia Mundial do Turismo, que se assinala em 27 de setembro, o dirigente considerou que os portugueses têm sido “inexcedíveis” no contributo para a atividade e devem ser “muito acarinhados”.
“O principal turista não é o inglês nem o alemão. O principal turista é o português. Quem ‘provocou’ o crescimento [do setor] em 2025 foram os portugueses, foi quem mais fez férias em Portugal. E em 2026 continua igual, na mesma senda”, afirmou.
Segundo os números citados pelo presidente da CTP, o mercado nacional representa mais de 30% das dormidas, correspondentes a cerca de 25 milhões. Calheiros contesta, por isso, o que classifica como um “mito urbano” de que os principais turistas são estrangeiros e de que “Portugal não é para os portugueses”.
CTP contesta críticas aos preços no Algarve
Questionado sobre os preços elevados praticados em destinos nacionais, nomeadamente no Algarve, Francisco Calheiros apontou a adesão dos portugueses às férias no país como resposta às críticas.
“Os números demonstram o contrário”, contrapôs, acrescentando que não pretendia tomar partido sobre quem tem razão nessa discussão.
“Aquilo que digo é que os portugueses em 2025 foram os grandes responsáveis pelo crescimento do turismo em Portugal. Em Portugal — e no Algarve. E em 2026 igual”, sustentou.
Na comparação com Espanha, o dirigente considera que a relação entre os preços e a oferta turística portuguesa está agora mais equilibrada.
“Não estamos mais caros que a nossa concorrência. Os preços têm vindo a ser corrigidos”, afirmou, recordando que, anteriormente, Portugal competia sobretudo pelo preço, com instalações que eram vendidas abaixo dos valores praticados noutros destinos.
“Agora, há uma adequação entre o preço que o hotel pratica e a expectativa que o cliente tem. As pessoas que vêm para Portugal ficam bem instaladas”, defendeu.
Como sinal dessa satisfação, Calheiros apontou os turistas que regressam ao país: “Vêm, gostam e repetem”.
Férias dos portugueses chegam a mais regiões
O presidente da CTP destacou o papel do mercado nacional durante a pandemia de covid-19 e a posterior diversificação dos destinos escolhidos pelos portugueses.
A procura, antes mais sazonal e concentrada no Algarve, na Madeira e em Lisboa, passou a abranger outras regiões, acompanhando também o interesse por propostas turísticas com mais espaço.
“Esse turista, hoje, descobre Portugal. Não é uma região ou outra, são todas”, afirmou, destacando o crescimento do Alentejo e do Centro.
Calheiros identificou dificuldades de acessibilidade nos Açores, devido à falta de capacidade aérea, manifestando a esperança de que sejam resolvidas em breve. Nas restantes regiões, do Norte ao Algarve e passando pela Madeira, atribuiu aos portugueses um contributo importante para o crescimento.
“Os portugueses têm sido inexcedíveis nas férias que têm feito em Portugal”, reiterou. Na sua perspetiva, “as férias deixaram de ser um luxo e passaram a ser uma necessidade”.

Falta de trabalhadores persiste, mas com menor pressão
A escassez de mão de obra continua a preocupar o setor, embora Francisco Calheiros considere que a situação está longe da pressão registada em 2023 e 2024.
O responsável enquadrou a dificuldade num contexto que descreve como de “pleno emprego”, argumentando que a falta de trabalhadores não é exclusiva do turismo.
“Como o turismo continua a subir, continua a precisar de mão-de-obra. É uma questão que não tem o peso e o dramatismo de 2023-2024, mas a que estamos sempre atentos”, afirmou.
Programa de integração formou migrantes para o setor
Entre as respostas, Calheiros destacou o programa Integrar para o Turismo, desenvolvido numa parceria entre a CTP, a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) e o Turismo de Portugal.
Segundo o dirigente, no primeiro programa foram identificados e selecionados cinco mil migrantes, dos quais 1.300 ingressaram nas escolas do Turismo de Portugal. A formação é assegurada por estas escolas e as empresas da confederação disponibilizam estágios.
O programa encontra-se numa segunda edição, com mais 1.300 participantes, adiantou.
“Acho que é um belíssimo exemplo como é que se deve integrar os nossos migrantes”, considerou, acrescentando que muitas das pessoas que realizaram estágios permaneceram nas empresas.
A CTP promove a VIII Cimeira do Turismo Português em 28 de setembro, em Lisboa, para assinalar o Dia Mundial do Turismo. O encontro tem como tema principal “Portugal e Turismo uma Relação de Crescimento”.
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