Comprar um automóvel representa um investimento elevado, mas o preço pago no concessionário pode cair rapidamente nos anos seguintes. Um estudo analisou o mercado português e concluiu que alguns modelos perdem mais de metade do valor em apenas cinco anos, existindo um caso em que a quebra se aproxima dos 65%.
A análise foi realizada pela carVertical com base em relatórios históricos de veículos comprados entre 2023 e 2025. Para permitir uma comparação semelhante entre automóveis, o estudo concentrou-se em modelos fabricados em 2020.
A percentagem de desvalorização foi calculada através da comparação entre o preço de venda recomendado pelo fabricante e o valor apresentado pelo mesmo automóvel no mercado cinco anos depois.
Este modelo perdeu quase dois terços do preço
No topo da tabela surge o Jaguar I-Pace. O SUV totalmente elétrico perdeu, em média, 64,6% do seu valor inicial ao longo de cinco anos, tornando-se o modelo que mais desvalorizou em Portugal entre os automóveis analisados, de acordo com a ZAP.
Logo depois aparece o Opel Insignia, com uma desvalorização média de 61,2%. O Nissan Leaf ocupa a terceira posição, depois de ter perdido 58,1% do preço inicial.
A lista prossegue com o Ford Mondeo, cuja desvalorização atingiu 57,7%, e com o Audi e-tron, que perdeu 54,3% do seu valor ao fim de cinco anos.
Elétricos estão entre os mais afetados
Os resultados mostram uma presença significativa de veículos elétricos entre os modelos que mais perderam valor. A evolução rápida da tecnologia das baterias e o lançamento de automóveis com maior autonomia podem tornar as primeiras gerações menos atrativas no mercado de usados.
Um carro elétrico que era considerado moderno no momento da compra pode, poucos anos depois, competir com modelos novos capazes de percorrer distâncias superiores, carregar mais depressa e oferecer tecnologias mais recentes.
Nos veículos de luxo, existe ainda outro problema. Os custos de manutenção, reparação e substituição de componentes tendem a ser mais elevados, o que poderá afastar compradores e reduzir o preço que estão dispostos a pagar por um exemplar usado.
Nem o carro que melhor resistiu escapou a uma grande quebra
No extremo oposto da análise encontra-se o Peugeot 508, o automóvel que melhor conservou o preço inicial. Ainda assim, perdeu 48,7% do seu valor em apenas cinco anos.
O Opel Astra ficou muito próximo, com uma quebra de 48,8%. Seguem-se o Tesla Model S, com 51%, o Tesla Model 3, com 52,6%, e o Hyundai Ioniq, com 53,8%.
Isto significa que, à exceção do Peugeot 508 e do Opel Astra, todos os restantes modelos analisados perderam mais de metade do preço inicial durante o período considerado.
Desvalorização é maior nos primeiros anos
A queda de valor costuma ser mais acentuada nos primeiros anos após a compra de um automóvel novo. À medida que o veículo envelhece, continua a desvalorizar, embora geralmente a um ritmo mais lento.
Além da marca e do modelo, fatores como a quilometragem, o estado de conservação, o histórico de acidentes, a procura no mercado de usados e os custos de manutenção também podem influenciar significativamente o preço.
Para quem pensa comprar um carro novo e vendê-lo poucos anos depois, a desvalorização poderá, por isso, ser um dos principais aspetos a considerar antes de escolher o modelo.
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