Poucos condutores estarão a fazer contas ao combustível enquanto circulam numa autoestrada, mas uma diferença de apenas 10 km/h pode ter um impacto considerável. A partir de determinada velocidade, o automóvel precisa de mais energia para continuar a acelerar e o consumo acaba por subir.
A Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) alerta precisamente para este efeito nas suas recomendações para uma condução mais eficiente. Segundo a entidade, por cada aumento de 10 km/h na velocidade, a partir dos 90 km/h, o consumo pode aumentar até 10%.
A partir dos 90 km/h a diferença começa a pesar
Isto significa que passar dos 90 para os 100 km/h, ou continuar a aumentar a velocidade, pode representar uma diferença relevante no combustível utilizado durante uma viagem.
A DGEG recomenda, por isso, o cumprimento dos limites de velocidade não apenas por razões de segurança rodoviária, mas também pela poupança de combustível que daí pode resultar.
Há uma explicação física para este fenómeno. À medida que a velocidade aumenta, cresce também a resistência aerodinâmica que o automóvel tem de vencer. O motor precisa, assim, de fornecer mais energia para manter velocidades superiores.
Janelas abertas também podem aumentar o consumo
A velocidade não é, contudo, o único detalhe a ter em atenção. A DGEG recomenda que, em autoestrada, as janelas permaneçam fechadas.
Segundo a entidade, circular com as janelas abertas acima dos 80 km/h prejudica a aerodinâmica do veículo e aumenta o consumo de combustível.
Já em percursos urbanos, a situação pode ser diferente. Para refrescar o habitáculo, abrir as janelas pode tornar-se mais vantajoso do que utilizar constantemente o ar condicionado.
Pressão dos pneus também faz diferença
Outro ponto frequentemente ignorado está nos pneus. A DGEG aconselha a verificar a pressão todos os meses, sempre com os pneus frios e seguindo os valores indicados pelo fabricante.
Uma pressão insuficiente aumenta a resistência ao rolamento e, consequentemente, o consumo. O Automóvel Club de Portugal (ACP) refere mesmo que pneus com pressão inferior à adequada podem aumentar o consumo em cerca de 6%.
Também transportar peso desnecessário pode obrigar o veículo a gastar mais. Bagagem que permanece na mala sem necessidade e, sobretudo, caixas ou outros objetos transportados no tejadilho prejudicam a eficiência.
Cruise control pode ajudar a poupar
Em autoestrada, outra recomendação da DGEG passa pela utilização do cruise control, quando o automóvel dispõe deste equipamento e as condições de circulação permitem a sua utilização.
Ao ajudar a manter uma velocidade mais constante, o sistema reduz acelerações desnecessárias. A DGEG estima que a utilização do cruise control possa permitir poupar até 10% em combustível, além de ajudar o condutor a controlar a velocidade.
Acelerações e travagens bruscas também devem ser evitadas. Uma condução suave, antecipando o trânsito e utilizando a mudança mais elevada compatível com a velocidade, está entre as principais recomendações para reduzir o consumo.
Assim, levantar ligeiramente o pé do acelerador numa viagem longa pode fazer mais diferença do que parece. Sobretudo a partir dos 90 km/h, aqueles 10 km/h adicionais podem refletir-se diretamente no combustível gasto e, consequentemente, no dinheiro que fica na carteira.
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