Portugal reúne mais de 134 mil brasileiros recenseados para a primeira volta das eleições presidenciais deste domingo, 4 de outubro, incluindo perto de nove mil em Faro. Em Lisboa, alguns emigrantes participam também na organização da votação, trabalhando na segurança, na orientação dos eleitores e na verificação das urnas eletrónicas, relata a Lusa.
A capital concentra cerca de 79 mil inscritos, enquanto o Porto tem mais de 47 mil. Portugal é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro no estrangeiro, atrás dos Estados Unidos, e Lisboa constitui o maior ponto de votação fora do Brasil, segundo a reportagem da agência.
Ajudar a votar depois de dez anos em Portugal
Na Faculdade de Direito de Lisboa, Ana, funcionária de uma empresa de segurança, orienta compatriotas entre entradas e saídas do local de voto. Chegou do Rio de Janeiro há dez anos e descreve a participação nesta operação como a concretização de um sonho.
“Estou a ajudar no processo eleitoral. É emocionante para mim”, afirmou à Lusa. Entre as tarefas de serviço, pretende encontrar tempo para exercer também o direito de voto: “Ainda não votei, mas já vou pedir um tempo para ir lá votar. É a minha obrigação”.
Ana reconheceu, porém, que será uma estreia: “Vivo cá há muitos anos, mas é a primeira vez que vou votar, se calhar é por estar cá a trabalhar”.
Técnicos acompanham funcionamento de 103 urnas
A votação em Lisboa está distribuída pelas Faculdades de Direito e de Letras e pela Reitoria da Universidade de Lisboa. A operação envolve baias de segurança, equipas de vigilância e apoio logístico, com a participação de profissionais portugueses e brasileiros.
Entre os técnicos de informática está Paulo Ilharco. “Estou cá há muito tempo, mas ajudei a verificar as urnas eletrónicas”, contou à Lusa.
“Fazemos a checagem das máquinas do Tribunal Superior Eleitoral, quando chegam a Lisboa e verificamos o estado de cada urna”, explicou. Segundo o técnico, estão disponíveis 103 urnas eletrónicas na capital e o funcionamento decorria sem problemas após a resolução de dificuldades pontuais com as horas registadas em alguns aparelhos.
Equipamentos funcionam sem ligação à internet
A segurança das urnas é uma das preocupações das equipas. Depois de registado na secção, cada eleitor introduz no equipamento os dígitos correspondentes ao candidato escolhido.
Paulo Ilharco destacou que, durante a votação, o sistema “não está ligado à internet e é completamente offline”.
Antes de começar a sessão, a mesa afixa a “zerésima”, um documento impresso que demonstra que não existem votos previamente registados. No encerramento, é impresso o resultado da respetiva urna, explicou o técnico. O voto eletrónico é utilizado no Brasil desde 1996.
Embaixada espera menor abstenção
A Lusa refere que a abstenção nas presidenciais brasileiras em Portugal tem rondado os 50%. Nesta eleição, a embaixada espera uma redução, associada ao alargamento do número de locais de voto.
As mesas em Portugal funcionam das 08:00 às 17:00. Os eleitores recenseados no estrangeiro participam apenas na escolha do Presidente e do vice-Presidente, enquanto a eleição de governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais decorre no Brasil.
De acordo com a legislação brasileira descrita na reportagem, o voto é obrigatório para os cidadãos alfabetizados dos 18 aos 70 anos, incluindo os emigrantes.
Brasil escolhe Presidente e representantes estaduais e federais
Mais de 158 milhões de brasileiros são chamados às urnas nas eleições gerais. Na corrida presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, procura a reeleição e um quarto mandato.
Entre os seus adversários está o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, que perdeu as presidenciais para Lula quatro anos antes.
















