Fernanda Eva deixou São Paulo depois de repensar o tipo de vida que queria ter e acabou por encontrar em Monchique o lugar onde se sente em casa. A artista luso-brasileira mudou-se para Portugal há 11 anos e, desde 2019, vive na vila algarvia, onde mantém um estúdio e desenvolve parte do seu trabalho.
De acordo com o portal Inside Algarve, a decisão de sair do Brasil surgiu depois de a casa de Fernanda ter sido assaltada, em 2014. O episódio levou-a a procurar uma vida mais tranquila e acabou por transformar uma viagem pela Europa numa mudança definitiva para Portugal.
Primeiro viveu no Porto e depois chegou ao Algarve
Fernanda instalou-se inicialmente no Porto através de um programa de residência artística. Anos mais tarde, em 2019, mudou-se para Monchique, onde realizou a sua primeira exposição no sul do país, na Galeria Porca Preta, e começou a criar uma ligação mais próxima à paisagem algarvia.
“Gosto muito desta forma tranquila e segura de viver. Ter um estúdio aberto ao público onde posso pintar em silêncio é maravilhoso”, explica à publicação. A artista divide atualmente o seu tempo entre os estúdios de Monchique e São Paulo, mantendo uma ligação profissional e pessoal aos dois países.
Mudança de vida também influenciou a pintura
Nascida em São Paulo, Fernanda tem formação em Teatro, Fotografia, Comunicação e Belas Artes, tendo concluído posteriormente um mestrado em Poética Visual na Universidade de São Paulo. O interesse pela pintura surgiu com maior intensidade em 1993, quando começou a estudar pintura a óleo académica.
Com o passar dos anos, o contacto com outros artistas, museus e galerias levou-a a perceber que a pintura poderia assumir um papel central na sua vida. Hoje, o seu trabalho combina referências brasileiras e portuguesas, recorrendo frequentemente a animais, paisagens imaginadas, cores fortes e elementos inspirados nos tradicionais azulejos portugueses.
Incêndios de Monchique também deixaram marca
A região algarvia passou a ganhar cada vez mais espaço na obra de Fernanda. Quando conheceu Monchique, as serras ainda apresentavam marcas dos incêndios de 2018, e a ausência de sons da natureza chamou particularmente a sua atenção.
“Hoje, sempre que ouço um novo canto de pássaro, tento descobrir qual é a espécie que me chamou a atenção e que pode vir a tornar-se tema de uma pintura”, conta. A partir dessa observação, começou a desenvolver trabalhos centrados na vida selvagem e, em particular, em espécies ameaçadas.
Artista procura criar lugares de bem-estar
Fernanda explica que a sua pintura procura transmitir sensações positivas. O tema do seu mestrado foi precisamente “Paraíso”, conceito que continua presente nas composições que cria através de cores intensas, paisagens luminosas e cenários onde diferentes espécies coexistem.
“Por meio das minhas pinturas, tento criar lugares de bem-estar. Penso sempre em pintar algo positivo que possa trazer alegria às pessoas”, afirma. A artista acredita ainda que uma obra pode adquirir significados diferentes daqueles inicialmente imaginados por quem a criou, recordando o caso de uma cliente que lhe disse ter encontrado força numa pintura durante um período difícil relacionado com a saúde da filha.
Monchique tornou-se parte da sua identidade artística
Além das paisagens algarvias, Fernanda mantém uma relação próxima com referências portuguesas, sobretudo através dos azulejos. A inspiração surgiu depois de observar fachadas e igrejas no Porto e em Lisboa, levando-a a reinterpretar padrões tradicionais em telas de grande formato, muitas vezes combinados com animais e elementos naturais.
Ao longo da carreira, expôs em diferentes países, realizou murais e produziu retratos por encomenda. Entre os trabalhos que destaca estão um retrato do antigo bispo do Porto e outro de Manuela de Azevedo, considerada a primeira mulher portuguesa com carteira profissional de jornalista. Apesar do percurso internacional, é em Monchique que diz ter encontrado aquilo que procurava quando decidiu abandonar São Paulo: um quotidiano mais tranquilo, seguro e próximo da natureza.
Leia também: Olhão volta a receber a Feira de São Miguel após cerca de uma década de ausência
















