Fazer poucos quilómetros de cada vez pode parecer uma forma de poupar o carro, mas nos veículos a gasóleo modernos pode acontecer precisamente o contrário. Os percursos curtos e frequentes estão entre os principais inimigos do filtro de partículas e podem acabar por provocar uma avaria dispendiosa.
O problema está no chamado filtro de partículas diesel, normalmente conhecido pela sigla DPF. Este componente do sistema de escape retém partículas de fuligem produzidas pelo motor.
Para evitar que o filtro fique cheio, o automóvel realiza um processo conhecido como regeneração, durante o qual aumenta a temperatura e queima parte da fuligem acumulada.
O problema está nos percursos curtos
Para que este processo seja concluído, o automóvel precisa de atingir determinadas condições de funcionamento e temperatura.
É aqui que começam os problemas para quem utiliza o carro quase exclusivamente para pequenas deslocações, sobretudo em cidade, com constantes paragens e arranques.
A Volkswagen alerta que os percursos curtos com muitas paragens podem fazer com que as partículas não sejam completamente eliminadas. O RAC vai mais longe e identifica as viagens curtas a baixa velocidade como a principal causa de bloqueio dos filtros de partículas.
Quando uma regeneração ativa começa mas a viagem termina demasiado cedo, o processo pode não ficar concluído. Se a situação se repetir, a quantidade de fuligem acumulada no filtro pode continuar a aumentar.
Há sinais a que deve estar atento
Um dos avisos mais evidentes é o aparecimento da luz do filtro de partículas no painel de instrumentos.
Durante uma regeneração também podem existir outros sinais, como um aumento temporário do consumo de combustível, ralenti mais elevado, funcionamento das ventoinhas de refrigeração ou desativação do sistema Start/Stop.
Ignorar repetidamente os avisos pode agravar o problema. Um filtro demasiado obstruído pode obrigar a uma regeneração forçada numa oficina ou a uma limpeza especializada.
Nos casos mais graves, pode ser necessário substituir o próprio filtro de partículas.
A conta pode chegar aos milhares de euros
É precisamente aqui que um hábito aparentemente inofensivo pode ficar caro.
Segundo o RAC, a substituição de um DPF pode custar entre cerca de 800 e mais de 4.000 libras, dependendo da marca e do modelo do automóvel. Ou seja, nos casos mais caros, estamos perante uma reparação equivalente a vários milhares de euros.
Antes de chegar a esse ponto, uma regeneração forçada ou uma limpeza especializada pode resolver alguns casos de obstrução, mas o custo e o procedimento necessário dependem do estado do filtro e do veículo.
Não há uma regra igual para todos os carros
Fazer deliberadamente uma viagem em estrada pode ajudar o filtro a completar a regeneração, mas não existe uma indicação universal que possa ser aplicada da mesma forma a todos os automóveis.
Por exemplo, a Volkswagen indica, perante determinado aviso do DPF, uma condução durante pelo menos 15 minutos a 60 km/h ou mais e entre 1.800 e 2.500 rotações por minuto. Outros fabricantes podem apresentar instruções diferentes.
Por esse motivo, perante a luz do filtro de partículas, deve ser consultado o manual do próprio veículo e seguidas as indicações do fabricante.
Para quem faz quase exclusivamente deslocações urbanas de poucos quilómetros, o problema pode repetir-se. A própria Volkswagen admite que, nestas circunstâncias, um automóvel a gasolina, híbrido ou elétrico poderá ser mais adequado do que um diesel.
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