O Cineteatro Louletano recebe Cristina Branco a 13 de fevereiro de 2027, num espetáculo integrado nas celebrações dos seus 30 anos de carreira, cujo alinhamento revisita a trilogia discográfica “Menina”, “Branco” e “Eva”.
Editados em 2016, 2018 e 2020, respetivamente, estes álbuns dão origem a uma proposta em que a cantora interpreta autores como Sérgio Godinho, o mais presente no seu repertório, António Lobo Antunes, Kalaf Epalanga, Sara Tavares, Márcia, Beatriz Pessoa e Mário Laginha.
Além de Loulé, este espetáculo tem apresentações previstas no Teatro Aveirense, em Aveiro, a 4 de março, e no Teatro Maria Matos, em Lisboa, a 9 de março.
Novo disco com a Orquestra Sinfónica Portuguesa
O percurso de Cristina Branco começou em 1997, com os primeiros concertos e a edição do álbum de estreia, “Cristina Branco In Holland”. Desde então, soma 19 discos e prepara um novo trabalho para o final de 2027.
A gravação será feita com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e passará em revista o seu repertório, do fado à canção contemporânea, passando pelo jazz e pelas canções de José Afonso.
No âmbito das comemorações, a intérprete prevê também um espetáculo acompanhada por diferentes orquestras sinfónicas, com estreia marcada para 18 de março de 2027, no Bozar, em Bruxelas.
“Não tive pressa, acima de tudo”
Em entrevista à Lusa, Cristina Branco descreveu três décadas de trabalho construídas sem precipitação e com liberdade para escolher os seus caminhos.
“Não tive pressa, acima de tudo. Deixei que tudo acontecesse no seu tempo real e nunca esperei nada, eventualmente, para não ter nenhuma deceção”, afirmou.
“Acho que foram 30 anos muito intensos, mas sou uma pessoa de muita sorte, no fundo, porque consegui construir uma carreira forte, segura e robusta”, acrescentou.
A cantora considera que a disponibilidade para arriscar foi determinante no seu percurso: “Nunca tive medo de arriscar, porque sempre, sempre acreditei que tinha que fazer aquilo que eu gostasse de fazer”.
Para Cristina Branco, “é preciso coragem para arriscar” e acreditar no próprio trabalho, reconhecendo que “a falha pode ser o caminho para o sucesso, o caminho para algo novo”.
Encontro com o público acima dos prémios
Distinguida em 2026 com o Prémio José Afonso pelo álbum “Mulheres de Abril”, no qual recria repertório do cantautor, a artista afirmou que não trabalha para os galardões. O “mais importante”, sublinhou, é “o encontro com as pessoas”.
A intérprete de “Talvez” e “Sete Pedaços de Vento” destacou a possibilidade de apresentar o seu trabalho e perceber a resposta de quem a ouve, considerando os prémios apenas a parte visível desse percurso.
Fez também questão de reconhecer o contributo dos músicos e criadores com quem trabalhou.
“Há uma coisa muito importante, que é perceber que sempre estive muito bem acompanhada”, afirmou. Explicou que procurou pessoas cujo trabalho admirava, aproximando diferentes linguagens e formas de entender a música.
“Nada disso foi feito sem as outras pessoas, nada destes 19 discos, ou destes prémios”, salientou. A procura de novas referências faz parte dessa aprendizagem: “O bom gosto educa-se, também, é uma questão de inteligência e de ir à procura das coisas, mas, no fundo, educa-se”.
Agenda passa por Coimbra, Noruega e Paris
O calendário anunciado inclui a apresentação de “Mulheres de Abril” em 4 de outubro, no Convento São Francisco, em Coimbra, com o Coro Infanto-Juvenil Coimbra Cantat.
Em 23 de outubro, Cristina Branco atua no Teatro Municipal de Oliveira de Azeméis com a Orquestra Jazz de Matosinhos. A 6 de novembro, sobe ao palco do Teatro de Drammens, na Noruega, acompanhada pelo seu grupo habitual: Bernardo Couto, na guitarra portuguesa, Bernardo Moreira, no contrabaixo, e Luís Figueiredo, ao piano.
Já em 2027, tem um concerto marcado para 1 de março na sala La Cigale, em Paris, seguindo-se digressões nos Países Baixos e na Alemanha.
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