A entrada de junho deverá trazer uma mudança no estado do tempo em Portugal continental, depois de vários dias marcados por calor intenso, valores pouco habituais para maio e uma onda de calor acompanhada pelo IPMA. A descida das temperaturas deverá sentir-se de forma gradual, com maior influência do ar marítimo e possibilidade de chuva fraca em algumas regiões.
A onda de calor teve início a 20 de maio e, segundo a atualização do IPMA com dados recolhidos até às 10h UTC de 28 de maio, 16 estações meteorológicas automáticas encontravam-se nessa situação.
O instituto destacou ainda o novo extremo absoluto de temperatura máxima para maio, registado em Mora, com 40,3 °C, valor que ultrapassou anteriores referências históricas do mesmo mês, de acordo com a Meteored.
Calor começa a perder força
Depois do episódio de calor extremo que marcou a reta final de maio, a primeira semana de junho deverá trazer um ambiente menos quente em várias zonas do país. De acordo com a mesma fonte, a mudança estará associada à substituição gradual da massa de ar muito quente e seca por uma massa mais fresca e húmida, vinda do Atlântico e com origem polar marítima.
A descida das temperaturas deverá ser mais evidente primeiro no litoral Norte e Centro, estendendo-se depois a outras regiões. O interior poderá manter calor mais intenso até ao início da semana, mas a partir de terça-feira, 2 de junho, o alívio térmico deverá chegar a grande parte de Portugal continental.
Fluxo de noroeste ajuda a mudar o tempo
A mudança estará relacionada com a deslocação progressiva da massa de ar quente para leste e com a entrada de um fluxo de noroeste. Este padrão favorece a chegada de ar marítimo mais fresco, o que deverá contribuir para regular as temperaturas, sobretudo na faixa costeira ocidental e nas regiões Norte e Centro.
Ainda assim, a descida não deverá acontecer da mesma forma em todo o território. Alguns pontos do Baixo Alentejo e do Sotavento Algarvio poderão continuar a sentir valores mais elevados durante mais tempo, antes de a mudança se tornar mais generalizada.
O IPMA, no boletim de previsão alargada produzido com base nas previsões do ECMWF, indicava que para a semana de 1 a 7 de junho não era possível identificar uma anomalia estatisticamente significativa na temperatura média semanal ou na precipitação acumulada. Ou seja, os cenários apontavam para maior normalização face ao calor excecional anterior, mas sem sinal estatístico forte para desvios semanais marcados.
NAO positiva pode marcar o arranque de junho
A Meteored refere ainda que os primeiros dias de junho poderão ser influenciados por um regime de NAO positiva, associado a um anticiclone dos Açores robusto e a uma depressão da Islândia também ativa. Este padrão tende a favorecer a circulação de depressões atlânticas mais a norte da Europa, mas pode permitir alguma variabilidade no estado do tempo em Portugal.
As previsões sub-sazonais do ECMWF são usadas precisamente para avaliar tendências nas semanas seguintes, comparando as condições previstas com a climatologia do modelo. O próprio ECMWF explica que este tipo de previsão dá uma visão geral das condições prováveis até 46 dias, focando-se sobretudo em médias semanais e desvios face ao normal.
Chuva pode regressar ao Norte e Centro
Apesar da presença do anticiclone dos Açores, a sua posição poderá permitir a passagem de algumas frentes atlânticas já enfraquecidas. Isso poderá traduzir-se em precipitação fraca e dispersa, sobretudo no litoral Norte e Centro e em algumas áreas de montanha, nos primeiros dias de junho.
A mesma previsão aponta para tempo mais variável durante a primeira semana do mês, com dias mais secos a alternarem com períodos de maior nebulosidade e alguma instabilidade. A possibilidade de chuva poderá voltar a colocar-se entre os dias 5 e 6 de junho, novamente com maior probabilidade nas regiões Norte e Centro.
Tempo mais fresco, mas com incerteza
A previsão alargada deve ser lida com prudência, uma vez que trabalha com cenários probabilísticos. O IPMA lembra que, neste tipo de previsão, a confiança diminui sobretudo a partir da segunda semana, sendo necessário interpretar os resultados com reservas.
Ainda assim, depois de vários dias de calor intenso, os modelos apontam para uma mudança clara no padrão dominante.
A chegada de ar marítimo mais fresco, o reforço do vento de oeste e noroeste e a possibilidade de frentes atlânticas deverão marcar o início de junho com temperaturas mais amenas e algum regresso da chuva, sobretudo no Norte e Centro do país.
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