Nas noites de calor, muitas pessoas procuram arrefecer o corpo antes de se deitarem. Um banho de água fria parece, à primeira vista, a solução mais lógica para adormecer mais depressa. No entanto, a ciência sugere que essa estratégia pode ter o efeito contrário ao pretendido.
Segundo o site do jornal generalista britânico The Independent, os especialistas apontam para uma alternativa menos intuitiva: tomar um banho quente ou morno antes de dormir. A explicação está na forma como o corpo regula a temperatura interna e prepara o organismo para o sono.
Banho frio pode dificultar a perda de calor
Quando a água está demasiado fria, os vasos sanguíneos da pele contraem-se. Esta reação é uma forma de o organismo conservar calor, mas acaba por reduzir a capacidade do corpo de libertar o excesso de temperatura acumulado ao longo do dia.
Por isso, embora o banho frio possa dar uma sensação imediata de frescura, esse efeito tende a ser superficial e temporário. Ao limitar a circulação sanguínea junto à pele, o corpo pode demorar mais tempo a arrefecer internamente, o que não ajuda quando o objetivo é adormecer.
O sono está ligado a uma descida natural da temperatura corporal. Ao fim do dia, o organismo começa a libertar calor e esse processo ajuda o cérebro a preparar-se para dormir, nomeadamente através da produção de melatonina, hormona associada à sensação de sonolência.
Banho quente ajuda o corpo a arrefecer depois
Um banho quente ou morno provoca o efeito inverso. A água mais quente leva à dilatação dos vasos sanguíneos, aproximando o sangue da superfície da pele. Depois de sair do duche ou da banheira, o corpo começa a perder calor de forma mais eficiente.
É essa descida posterior da temperatura interna que pode facilitar o início do sono. Citado pelo The Independent, Tom Cullen, especialista em fisiologia da Universidade de Hull, explica que o banho quente “imita” o processo natural que o organismo realiza todas as noites antes de adormecer.
Esta reação é conhecida entre investigadores como o “efeito do banho quente”. A ideia não é aquecer o corpo para dormir, mas sim criar as condições para que ele perca calor de forma gradual depois do banho.
Temperatura e horário fazem diferença
Uma meta-análise que reuniu resultados de 17 estudos científicos concluiu que tomar um banho quente antes de dormir pode melhorar a qualidade do sono, aumentar o tempo efetivamente passado a dormir e reduzir o tempo necessário para adormecer.
A temperatura recomendada situa-se entre os 38 ºC e os 40 ºC. A água deve estar suficientemente quente para promover a circulação sanguínea, mas não ao ponto de provocar transpiração excessiva ou acelerar demasiado a frequência cardíaca.
O momento também é importante. Os especialistas aconselham tomar o banho entre uma e duas horas antes de se deitar, dando tempo ao corpo para arrefecer naturalmente. Quanto à duração, não é necessário prolongar demasiado o duche: entre 15 e 20 minutos serão suficientes para obter o chamado “efeito do banho quente”.
Outros hábitos também pesam no sono
O banho pode ajudar, mas não resolve tudo sozinho. Os especialistas recomendam evitar álcool antes de dormir, já que pode comprometer a qualidade do sono, mesmo que facilite a sonolência inicial.
Também é aconselhável reduzir o uso do telemóvel antes de ir para a cama. A exposição ao ecrã e o estímulo das notificações podem dificultar o relaxamento, sobretudo em noites quentes, em que o corpo já tem mais dificuldade em atingir uma temperatura confortável.
Assim, nas noites de maior calor, a solução pode passar por fazer precisamente o contrário do que parece óbvio: trocar o banho frio por um duche morno ou quente, feito com alguma antecedência, para ajudar o corpo a arrefecer de forma natural antes de dormir.
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