O discurso do Estado da União (SOTEU) de 16 de setembro de 2026, de Ursula von der Leyen, traduz de forma clara a dualidade do nosso tempo. Vivemos numa época paradoxal: “o melhor dos tempos é o pior dos nossos tempos?”.
Por um lado, perspetivam-se transformações tecnológicas sem precedentes; por outro, acentuam-se crises climáticas e instabilidades geopolíticas imprevisíveis. Perante este cenário, a mensagem central do projeto europeu permanece inalterada — a União Europeia nasceu em 1948 e cresceu como um projeto incontornável de Paz, Democracia e Liberdade.

Para garantir a sua soberania, a Europa traçou um rumo direto para a independência. A segurança militar, aumentou a sua defesa nos últimos 5 anos, tornando uma europa mais autónoma.
Esta autonomia estratégica implica continuar na NATO, mas reforçando substancialmente a nossa própria segurança e o controlo das nossas fronteiras, garantindo o combate à imigração ilegal e protegendo os nossos valores fundamentais.
No plano económico, o diagnóstico é pragmático: o futuro europeu tem de ser elétrico. A transição energética exige duplicar a rede elétrica em todo o continente, acelerar o abandono dos combustíveis fósseis e eliminar a dependência excessiva de mercados externos, como a China. A competitividade passa também por uma resposta séria à crise climática — demonstrada pela criação do Plano Europeu de Prevenção do Calor, pela identificação das zonas vulneráveis e pela Iniciativa Europeia da Água.
A tecnologia e a coesão social surgem no discurso como pilares interligados. A Inteligência Artificial deve ser aproveitada ao máximo, mas sob uma regulamentação rigorosa, ética e bem parametrizada, focada em gerar empregos de qualidade, sobretudo para os jovens. Em simultâneo, a proteção das novas gerações no ambiente digital ganha prioridade absoluta: a proposta de proibir o acesso a redes sociais até aos 13 anos e de impor limites estritos entre os 13 e os 15 anos reflete a urgência de defender a saúde mental dos mais jovens frente aos algoritmos agressivos das novas tecnologias.
Por fim, a ideia europeia reafirma-se ao “abrir horizontes” e procurar novas alianças globais com parceiros que partilham do mesmo ideário democrático — como demonstra a aproximação histórica ao Canadá. O desenvolvimento global e a paz continuam a ter na democracia o seu fator determinante. Cabe agora aos Estados membros e às instituições converterem estes anúncios em ações concretas para proteger o nosso futuro.
Perspetivamos, apesar de dificil, um amanhã risonho!
O que é o SOTEU?
SOTEU significa «Estado da União Europeia». Trata-se de um discurso proferido todos os anos, em setembro, pela presidente da Comissão Europeia perante o Parlamento Europeu. O discurso aborda as principais prioridades políticas da UE, as iniciativas recentes e as propostas legislativas para o ano seguinte.
Por que razão é importante?
As prioridades anunciadas durante o discurso sobre o Estado da União conduzem frequentemente a legislação concreta da UE, programas de financiamento e iniciativas regionais que afetam o nosso quotidiano. O discurso faz uma retrospetiva do ano que passou e apresenta as prioridades da UE para o ano que se avizinha. O Presidente explica também como a Comissão tenciona enfrentar os desafios mais prementes da UE. As decisões da UE afetam muitos aspetos da nossa vida quotidiana – desde a energia e os direitos dos consumidores até ao emprego, aos transportes e à segurança. Acompanhar o Discurso sobre o Estado da União é uma forma simples de compreender o que a UE está a planear e o que isso pode significar para si.
Leia também: O Discurso — que todos deveriam ler — da presidente Ursula von der Leyen sobre o Estado da União

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