Há uma localidade no interior do Algarve onde um monumento funerário construído há milhares de anos ocupa o topo de uma pequena elevação e oferece uma particularidade a quem o visita: quando o céu está limpo, a vista pode alcançar as terras de Beja. Trata-se da Anta da Masmorra, um dos vestígios arqueológicos existentes na freguesia de Cachopo.
De acordo com o portal do Município de Tavira, Cachopo encontra-se em plena serra algarvia, afastada da faixa litoral, e ocupa uma área de 19.730 hectares. Nos Censos de 2011, a freguesia registava 718 habitantes, mantendo uma forte ligação a atividades como a agricultura de sequeiro, a pecuária, a apicultura, a produção de mel, o artesanato e a extração de cortiça.
Monumento megalítico com vista para Beja
Entre o património arqueológico local destaca-se a Anta da Masmorra. A palavra megalítico resulta da junção dos termos gregos que significam “grande” e “pedra”, uma designação associada às construções pré-históricas erguidas com grandes blocos pétreos.
Implantada numa pequena elevação, a Anta da Masmorra permite, segundo o município, observar em dias de boa visibilidade uma extensa área que chega às terras de Beja. O monumento apresenta uma planta regular e possui um corredor claramente diferenciado da câmara funerária.
Câmara é formada por nove grandes esteios
A câmara da anta é composta por nove esteios e tem cerca de 3,20 metros de diâmetro. Já o troço do corredor que chegou até à atualidade apresenta aproximadamente 2,30 metros, conservando parte da configuração original desta construção funerária.
Tal como aconteceu com vários monumentos semelhantes existentes na serra algarvia, a Anta da Masmorra foi alvo de violações e saques. Os trabalhos arqueológicos realizados no local não permitiram recuperar materiais associados aos enterramentos, segundo a informação disponibilizada pelo Município de Tavira.
Casas de pedra recordam a vida tradicional da serra
O património de Cachopo não termina nas estruturas megalíticas. Quem atravessa zonas como Vale João Farto e Navalha pode encontrar construções tradicionalmente conhecidas como palheiros, feitas em pedra e cobertas com telhados de colmo ou junco da ribeira.
Estas estruturas eram utilizadas para armazenar alimentos destinados aos animais e fazem parte da arquitetura associada às atividades rurais. Nos montes da Azinhosa, Graínho, Casas Baixas e Alcarias de Baixo também permanecem exemplos da construção serrana, como casas de xisto ou caiadas, fornos comunitários, eiras, fornalhas e chaminés rendilhadas.
Fonte Férrea é outro dos pontos a visitar
Outro local destacado pelo município é a Fonte Férrea, cujo nome está associado ao elevado teor de ferro das suas águas. A zona encontra-se rodeada por vegetação e dispõe de condições para descanso e piqueniques, sendo possível utilizar a piscina existente no espaço durante os períodos mais quentes.
Pelo território encontram-se ainda antigos moinhos de vento que tinham como função transformar cereais aproveitando a energia eólica. Parte destas construções encontra-se atualmente em ruínas, enquanto outras foram adaptadas para habitação, permanecendo como memória das atividades agrícolas que marcaram a freguesia.
Igreja nasceu por iniciativa da população
No centro de Cachopo encontra-se também a Igreja de Santo Estêvão, construída no início do século XVI por iniciativa dos habitantes da aldeia. O edifício sofreu diferentes intervenções ao longo dos séculos, incluindo alterações profundas durante o século XX que modificaram a sua configuração original.
Em 2007, a igreja voltou a ser recuperada e continua a constituir um dos principais elementos religiosos e comunitários da localidade. Entre percursos pedestres, o Núcleo Museológico, a arquitetura serrana e os vestígios arqueológicos, Cachopo conserva assim um património muito diferente daquele que habitualmente está associado ao Algarve litoral, tendo na Anta da Masmorra um dos exemplos mais antigos e um ponto de onde, em dias límpidos, a paisagem se prolonga até ao Alentejo.















