A mudança de estação não vai significar uma mudança imediata do estado do tempo. O outono astronómico começa esta quarta-feira, mas Portugal continental continuará sob influência de uma forte crista anticiclónica, responsável por manter afastadas as depressões atlânticas.
De acordo com a Meteored, este verdadeiro “escudo” atmosférico deverá garantir tempo seco, estável e soalheiro no continente pelo menos até domingo, 27 de setembro. A partir daí, porém, o cenário começa a tornar-se menos claro, e é precisamente nos últimos dias do mês que a chuva pode voltar a entrar nas contas.
Outono começa, mas temperaturas ainda lembram o verão
Até quarta-feira, Portugal continental continuará exposto a uma massa de ar muito quente e seco. Apesar de estarmos já a entrar no outono, algumas zonas do interior poderão continuar com máximas próximas dos 35 ºC, nomeadamente em cidades como Beja e Évora.
A partir de quinta-feira, dia 24, deverá começar a entrar ar mais fresco proveniente do Atlântico Norte. A descida das temperaturas será mais percetível no litoral, embora o interior continue a apresentar valores elevados para esta altura do ano. As noites também deverão tornar-se gradualmente mais frescas, aumentando a amplitude térmica entre as mínimas da madrugada e as máximas durante a tarde.
Chuva continua bloqueada no continente até domingo
Quem esperava que a chegada do outono trouxesse imediatamente chuva terá ainda de esperar. Segundo os modelos analisados pela Meteored, não é esperada precipitação significativa em Portugal continental pelo menos até domingo, 27 de setembro.
A razão está na posição de um anticiclone particularmente robusto para esta altura do ano. As depressões atlânticas deverão circular a latitudes mais elevadas, impedindo que frentes e bolsas de ar frio consigam alcançar o território continental. Portugal continental estará, aliás, entre as zonas da Europa ocidental onde a precipitação deverá permanecer praticamente ausente durante os próximos dias.
Açores serão os primeiros a sentir a mudança
O cenário será diferente nos arquipélagos. Nos Açores, a chuva deverá regressar entre quinta-feira, 24, e sábado, 26 de setembro, devido à passagem de uma extensa frente fria associada a uma depressão profunda no Atlântico Norte.
O arquipélago será, assim, a primeira região portuguesa onde a aproximação do tempo mais instável se fará sentir de forma clara durante esta semana. Na Madeira, o cenário será bem menos significativo. A previsão admite apenas alguma chuva fraca e ocasional, sobretudo na vertente norte e nas regiões montanhosas, associada à humidade transportada pelo vento de norte.
E quando poderá a chuva chegar ao continente?
A partir de domingo, 27 de setembro, a crista anticiclónica poderá começar a perder força. Esse enfraquecimento abre a possibilidade à entrada de ar mais frio em altitude e permite que alguma frente atlântica se aproxime mais de Portugal continental. Para os dias 28, 29 e 30 de setembro, os modelos começam já a mostrar sinais de precipitação.
A chuva não surge, para já, como um episódio generalizado e persistente. Os cenários apontam antes para precipitação intermitente, ocasional e com uma distribuição ainda bastante incerta pelo território. Ou seja, ainda é demasiado cedo para dizer exatamente onde e quanto vai chover, mas os mapas começam a deixar de estar completamente “em branco” quando se olha para a reta final do mês.
Outubro pode trazer uma mudança mais consistente
A tendência torna-se ainda mais interessante quando se olha para outubro. As previsões de médio e longo prazo analisadas pela Meteored apontam para a possibilidade de o próximo mês trazer chuva mais frequente, forte e generalizada em Portugal.
Há, contudo, uma ressalva importante. As previsões para horizontes temporais mais longos apresentam maior incerteza e têm mostrado bastante variabilidade nas últimas semanas, algo particularmente habitual durante a transição entre o verão e o outono. Assim, outubro poderá trazer um padrão mais outonal, mas ainda não é possível antecipar datas ou episódios concretos com confiança.
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