Cruzar as pernas ao sentar-se é um hábito generalizado e, regra geral, não representa um risco grave para pessoas saudáveis. Ainda assim, especialistas admitem que a forma e, sobretudo, o tempo em que se permanece nessa posição podem influenciar o conforto e a circulação ao longo do dia.
A questão foi destacada pelo Notícias ao Minuto, que reuniu explicações de especialistas para distinguir mitos de evidência médica quando se fala desta postura.
Num primeiro olhar, não há motivo para alarme. Sentar-se com as pernas cruzadas não causa, por si só, danos significativos no organismo. Vários especialistas sublinham que o corpo humano se adapta a diferentes posições sem consequências permanentes, o que ajuda a explicar a normalidade deste gesto no dia a dia.
Ainda assim, o problema surge quando esta posição deixa de ser ocasional e passa a ser prolongada. Ficar sentado durante muito tempo, sobretudo com as pernas cruzadas, pode levar a compressão temporária de vasos sanguíneos e nervos, originando sensação de peso, desconforto muscular ou formigueiro.
Circulação sob pressão
Uma das dúvidas mais frequentes prende-se com a circulação. Ao cruzar uma perna sobre a outra, há uma pressão localizada, sobretudo atrás do joelho, onde passam veias essenciais ao retorno do sangue ao coração.
De acordo com o angiologista Thiago Osawa, essa compressão é momentânea e tende a ser compensada pelo organismo em pessoas saudáveis, sem efeitos duradouros na maioria dos casos.
O mesmo especialista sublinha, contudo, que a repetição frequente da postura pode agravar sintomas em quem já tem predisposição para problemas vasculares. Segundo a mesma fonte, não é o gesto isolado que preocupa, mas sim a duração e a frequência com que é mantido.
Varizes: mito ou realidade?
A ideia de que cruzar as pernas provoca varizes continua a ser uma das mais difundidas. No entanto, a evidência científica disponível não confirma uma relação direta entre este hábito e o aparecimento destas alterações venosas.
Especialistas indicam que fatores como a hereditariedade, o envelhecimento, o sedentarismo ou o excesso de peso têm um impacto muito mais relevante na saúde vascular.
Impacto na postura
Para além da circulação, a posição pode interferir com o alinhamento do corpo. Permanecer muito tempo com as pernas cruzadas introduz uma assimetria que afeta a pélvis e a coluna, podendo contribuir para tensões musculares e dores lombares.
Alguns profissionais de saúde referem que esta compensação contínua pode, ao longo do tempo, consolidar padrões posturais menos equilibrados, sobretudo em quem passa várias horas sentado diariamente.
O verdadeiro problema está no tempo parado
Outro efeito comum é a sensação de dormência ou formigueiro, resultante da compressão de nervos. Este desconforto tende a desaparecer rapidamente quando a posição é alterada.
Ainda assim, há um ponto em que os especialistas convergem: o fator mais relevante não é a forma como se está sentado, mas sim o tempo que se permanece sem se mexer. Ficar imóvel durante períodos prolongados, com ou sem as pernas cruzadas, está associado a maior desconforto e a uma menor ativação muscular.
A mesma fonte reforça uma ideia simples transmitida pelos especialistas: cruzar as pernas não é, por si só, prejudicial, mas torna-se menos aconselhável quando se transforma num hábito prolongado e repetido ao longo do dia.
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