Depois de vários dias marcados por temperaturas elevadas, o arranque de junho poderá trazer uma alteração no estado do tempo em Portugal. A previsão mais recente do modelo europeu aponta para uma primeira fase menos quente, com maior influência atlântica, antes de uma possível mudança mais profunda na circulação atmosférica durante a segunda metade do mês.
De acordo com a Meteored, o ECMWF antecipa um junho dividido em dois momentos distintos. O primeiro deverá ser marcado por ar marítimo mais fresco e alguma instabilidade localizada. O segundo poderá depender da formação de um bloqueio atmosférico no norte da Europa, com possíveis reflexos na Península Ibérica.
A mudança pode começar na primeira semana de junho
A primeira alteração deverá sentir-se logo nos primeiros dias do novo mês. Segundo a Meteored, a primeira semana de junho deverá ser influenciada por um regime atmosférico conhecido como NAO+, geralmente associado a uma circulação atlântica mais organizada. Este padrão tende a manter o anticiclone dos Açores ativo, mas também pode permitir a entrada de humidade atlântica em algumas regiões.
Na prática, isto significa que o calor extremo dos últimos dias de maio deverá perder força, sobretudo no litoral e nas regiões Norte e Centro.
Ar mais fresco deve substituir a massa africana
Um dos sinais mais relevantes do modelo europeu é a substituição gradual da massa de ar quente africana por ar marítimo atlântico. Nos mapas analisados pela Meteored, Portugal deixa de surgir sob tons vermelhos intensos, associados a temperaturas muito elevadas em altitude, e passa a aparecer com cores mais moderadas. Este detalhe indica uma massa de ar menos quente sobre o território continental.
O vento de oeste e noroeste deverá ajudar a regular as temperaturas, tornando o ambiente mais próximo do que é habitual para esta fase do ano.
Chuva pode voltar no primeiro fim de semana
A circulação atlântica poderá trazer também alguma instabilidade. De acordo com a Meteored, os dias 6 e 7 de junho são apontados como datas a acompanhar, com possibilidade de chuva moderada a forte e maior nebulosidade nas regiões Norte e Centro.
Este cenário poderá tornar o primeiro fim de semana completo de junho mais instável, sobretudo depois de uma fase final de maio marcada por calor intenso em várias zonas do país. Ainda assim, por se tratar de uma previsão sub-sazonal, a intensidade e a localização exata da precipitação ainda poderão sofrer alterações.
O anticiclone dos Açores continua presente
O modelo europeu não aponta para uma ausência total de estabilidade. A Meteored refere que o anticiclone dos Açores deverá surgir robusto no início de junho, próximo dos 1029 hPa. Este posicionamento favorece alguma estabilidade sobre Portugal, mas não impede totalmente a passagem de humidade atlântica.
Por isso, o início do mês poderá combinar períodos de sol com maior nebulosidade e precipitação fraca ou dispersa, em especial no litoral Norte e em zonas montanhosas.
Segunda metade do mês pode trazer novo padrão
A partir da segunda semana de junho, o ECMWF começa a reforçar a possibilidade de um bloqueio escandinavo. Este padrão ocorre quando um anticiclone persistente se instala no norte da Europa, em particular sobre a Escandinávia. Quando isso acontece, a circulação atmosférica habitual pode ser desviada, obrigando a corrente de jato polar a circular mais a sul.
Esse movimento pode favorecer a aproximação de depressões atlânticas ou bolsas de ar frio em altitude à Península Ibérica.
O que pode acontecer em Portugal?
O impacto em Portugal dependerá da posição exata desse bloqueio. Se o anticiclone no norte da Europa favorecer a descida da corrente de jato e a aproximação de depressões ao oeste ou sudoeste da Península Ibérica, o território português poderá voltar a ter episódios de instabilidade, com chuva, trovoada ou maior nebulosidade.
Se o bloqueio se posicionar de outra forma, os efeitos poderão ser mais limitados ou até favorecer um tempo mais estável em algumas regiões. É por isso que a Meteored sublinha que pequenas oscilações na posição deste padrão podem alterar bastante os efeitos sentidos em Portugal.
Previsão ainda não é definitiva
O gráfico usado pelo ECMWF não funciona como uma previsão diária tradicional. A previsão sub-sazonal mostra regimes atmosféricos prováveis, ou seja, padrões dominantes de circulação na Europa e no Atlântico Norte. Não permite dizer, com detalhe, onde vai chover em cada dia ou quais serão as temperaturas máximas em cada cidade.
Ainda assim, estes sinais ajudam a perceber a tendência geral do mês. E, neste caso, o modelo europeu aponta para um junho com dois momentos bem diferentes.
Junho pode ter duas caras
A primeira fase deverá ser mais atlântica, menos quente e com alguma instabilidade localizada. A segunda poderá ficar condicionada por um bloqueio atmosférico no norte da Europa, que pode alterar a circulação e abrir a porta a novos episódios de instabilidade na Península Ibérica.
No final, a previsão da Meteored com base no ECMWF sugere que junho não deverá seguir uma linha única. Depois do calor intenso, o mês pode arrancar com temperaturas mais moderadas e chuva em algumas regiões, antes de uma segunda metade em que o comportamento da atmosfera europeia poderá voltar a mexer com o tempo em Portugal.
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