Durante muitos anos senti uma necessidade constante de compreender tudo.
“Porque me acontece isto?”
“Porque me acontece sempre o mesmo?”
“Porque não consigo sair desta situação?”
Procurava respostas, causas e justificações para aquilo que me fazia sofrer. E, muitas vezes, essa procura é importante. Compreender a origem de uma dor pode ajudar-nos a curá-la.
Mas existe uma diferença entre procurar compreensão e ficar preso numa busca interminável por explicações.
Quando vivemos agarrados aos porquês, corremos o risco de permanecer ligados ao passado, aos acontecimentos e ao papel de vítima. Sem nos apercebermos, colocamos fora de nós a responsabilidade pelo que sentimos e perdemos contacto com o nosso verdadeiro poder: a capacidade de escolher como lidamos com aquilo que nos aconteceu.
O passado ajudou a construir quem somos hoje. As experiências, as escolhas, os erros e os acertos fazem parte da nossa história. Contudo, a nossa história não precisa de determinar o nosso futuro.
Se existem memórias, situações ou emoções que continuam a gerar sofrimento, é importante olhar para elas, integrá-las e, se necessário, procurar ajuda para as transformar.
Não para ficarmos presos ao que aconteceu, mas para nos libertarmos disso.
Talvez a questão mais importante não seja:
“Porquê?”
Mas sim:
“Como?”
Como quero viver a minha vida? Como quero sentir-me? Como quero relacionar-me comigo e com os outros? Como quero utilizar a minha energia? Como posso transformar aquilo que vivi numa força para avançar?
O “como” convida à ação. Implica escolha, responsabilidade e movimento.
Não podemos mudar o passado, mas podemos mudar a forma como nos relacionamos com ele.
Acredito que muitas pessoas continuam em sofrimento porque procuram incessantemente justificações para aquilo que viveram. No entanto, a verdadeira liberdade surge quando deixamos de procurar respostas para tudo e começamos a construir conscientemente o caminho que queremos percorrer.
A necessidade de saber porquê pode tornar-se uma prisão.
A não necessidade de saber porquê pode ser profundamente libertadora.
Chega um momento em que precisamos de deixar de olhar constantemente para trás e começar a olhar para a frente. Honrar a nossa história, sem viver presos a ela.
E talvez a vida nos continue a perguntar:
“Como queres viver daqui para a frente?”
Cabe a nós escolher.
Gratidão.
- Artigo da autoria de Andrea Moura e Joaquim Caeiro
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